sexta-feira, junho 30, 2006



Bertelsmann investe
30 milhões na Bertrand


Antunes Ferreira
O representante do grupo Bertelsmann em Portugal anunciou na última quarta-feira que a compra do grupo Bertrand envolverá um primeiro investimento de 30 milhões de euros, abrangendo a abertura de novas lojas no país e a expansão para Espanha. Os órgãos de Comunicação, a partir de um despacho da Lusa, referem-se profusa e detalhadamente ao assunto.

No meio de muitos que continuam a afirmar que os investimentos estrangeiros cada vez mais rareiam em Portugal, esta é uma notícia a ter em conta. Só que esses «especialistas» continuam na sua: isto está tão mal que já nem a propaganda miserável de S. Bento consegue convencer mesmo uma minoria. O complot entre o PR, o Governo, a EFTA, a União Europeia, o Banco de Portugal, entre outros, tem os dias contados, afirmam. Eles é que leram os relatórios de fio a pavio, que não dizem nada disso, antes pelo contrário.

São os jornalistas despudorados que inventam tais atoardas. Toda a gente (expressão indefinida que cai como sopa no mel) diz o contrário. Recuperação – nenhuma. Qual pequenina, qual carapuça. Não no-la tentem enfiar. Nós é que sabemos. E reforçam: nós lemos os originais dos relatórios. O resto... é paisagem.Os detentores da verdade (única?) não dão ponto sem nó. Os conjurados vão arrepender-se de andar a enganar o povo. No fim, pagam-nas todas.

E, alem do mais, no caso presente, que raio de investimento do exterior? Trata-se, sim, de mais uma venda inqualificável ao estrangeiro. Vamos de mal a pior. Um destes dias não temos nada nosso, levam-nos tudo e impingem-nos tudo. E a independência nacional, onde está a magana?

Em termos de anedota, diz-se que deixá-los falá-los qu’eles calarão-se-ão. Os catastrofistas nacionais, ainda que não desarmem, estão a apagar-se aos poucos. Coitados, ainda não entenderam que determinadas vozes não chegam aos céus.

Não haverá despedimentos

Respigo dos media o texto que se segue. Sem mais comentários do que aqueles que já antes produzi. Pergunto-me, apenas, o que dirão a este propósito os sabedores encartados da «realidade verdadeira» de Portugal. Mas consigo vê-los: tanta letra por uns míseros 30 milhões de euros...

«Numa conferência de imprensa em Lisboa para anunciar a aquisição do grupo Bertrand pelo consórcio alemão, João Alvim, presidente do Círculo de Leitores, escusou-se a revelar o valor do negócio, alegando tratar-se de matéria confidencial. Esta compra envolve todo o grupo Bertrand, que emprega 350 trabalhadores, incluindo a cadeia de 48 livrarias, a editora e a distribuidora.O representante da Bertelsmann garantiu que a aquisição não vai implicar despedimentos, mantendo-se também «em função toda a equipa de directores e quadros que ao longo destes anos construiu a empresa.»«Contamos com o engenheiro José Matoso e o doutor Resende Duarte na administração da sociedade livreira, num período de transição que poderá ir até aos dois anos», disse Alvim.Ainda segundo o representante da Bertelsmann, o nome da marca Bertrand vai manter-se, e as empresas adquiridas manterão igualmente "a sua independência, organização e estrutura».

Nos próximos dois anos, Bertlesmann pretende investir 30 milhões de euros no grupo Bertrand, investimento que «vai permitir a sua consolidação financeira.»Questionado sobre a possível abertura de novas lojas no país, na sequência deste investimento, Alvim confirmou essa intenção, já constante - lembrou - dos planos da administração da Bertrand, mas escusou-se a precisar quantas. O investimento será também canalizado para a renovação e alargamento de algumas das lojas no país, para o sector informático, e «o modelo de negócio e know how da Bertrand será utilizado futuramente na expansão para Espanha», adiantou.

Uma das novas ideias da Bertelsmann, que é a proprietária do Círculos de Leitores, é criar espaços de venda das edições deste nas livrarias Bertrand, como forma de estimular as compras por parte dos sócios do clube, estimados actualmente em 340 mil. Alvim, que é o presidente do Círculo de Leitores, comentou que a venda directa de livros sofreu «uma estagnação e até decréscimo» na última década devido à evolução do mercado editorial em Portugal.

João Alvim - que será o presidente do conselho de administração de todas as empresas do grupo Bertrand – adiantou ainda, sobre a estratégia da Bertrand para o futuro, que será feita uma aposta nos autores portugueses. O Grupo Bertelsmann - presente em Portugal há 35 anos - é o maior grupo de media da Europa, estando actualmente presente em 63 países. Tem cerca de 88 mil trabalhadores e em 2005 obteve receitas da ordem dos 18 mil milhões de euros.»




Estatística volta à carga

Por outro lado, o emprego no comércio a retalho aumentou 0,8 por cento em Maio, face ao homólogo, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), acelerando também face a Abril. Comparando com o mês anterior, o emprego no comércio a retalho registou um aumento de 0,2%. A variação média dos últimos doze meses manteve-se estável face ao resultado do mês anterior. O INE especifica que «A variação positiva do índice resultou essencialmente da evolução positiva no comércio de produtos alimentares» que acelerou também para um crescimento de 2,1%. No comércio a retalho de produtos não alimentares a variação homóloga foi nula. Nos alimentares, é de salientar o aumento de 3,7% no comércio em estabelecimentos não especializados. E as remunerações brutas cresceram 7,9% também em Maio, em termos homólogos. Para esta evolução contribuíram positivamente ambos os agrupamentos, produtos alimentares e produtos não alimentares, com crescimentos de 10,3% e de 6,7%, respectivamente.

Sem medo de possíveis «represálias», continuo e continuarei, aliás com o maior prazer, a dar, neste blog, notícias destas e dados assim, que, em meu modesto entender – e no de muito boa gente, da qual me excluo por razões óbvias –vão corroborando, devagarinho embora, essa recuperação, ainda que ténue. Grão a grão enche a galinha o papo, mesmo em tempo de vacas magras. Grão a grão vão-se enchendo os pregoeiros da desgraça do receio de falharem ignobilmente. E o pior é que eles sabem-no.

2 comentários:

Jerónimo S., Lisboa disse...

Ó amigo: vamos a ver se estes aviões têm asas para voar, ou se não se trata de mais uma inventona como a mega refinaria, que foi por Sines abaixo.
Se tal acontecer, o sr. Sócrates, o sr. Pinho e sr. Horta e outros é melhor fazerem as malas e zarpar!!!

Anónimo disse...

Passado dois anos podemos dizer que nada do que foi dito foi feito e agora mais uma fusão / venda da Bertrand vem ai e novamente nada do que é dito vái ser feito. A Leya entrou como um furacão não fazendo presos de guerra na Bertrand a mesma politica vai utilizar e pergunta-se como é que se trava esta serpente comercial ?