sexta-feira, junho 02, 2006







No Dia Mundial da Criança

Como gostaria de dizer
Hoje,
Aos meus netos e a todas as crianças
Tomem este Mundo que é vosso
Onde todos têm trabalho
Onde a justiça social existe
Onde há pão e onde há liberdade,
Onde cada um se respeita,
Respeitando!
Gostaria de dizer, hoje,
Aos meus netos e a todas as crianças
Tomem este Mundo fraterno e solidário
Onde crianças, como vós,
Já não morrem de fome
Onde cada pai tem o seu justo salário
E Paz
E esperança num amanhã melhor!
Mas o que fez a minha geração?
Estragou o pão, aqui, quando ali houve fome
Esqueceu princípios e roubou irmãos
E só escutou o Povo na hora da eleição!...
Mas outros, todavia, lutaram por nobres ideais! E sofreram...
Por isso quero dizer-vos neste dia:
É preciso continuar a luta do passado,
Enfrentar já o que oprime e esmaga,
Rasgar caminhos e quebrar algemas
E, então, criar um Mundo livre e novo,
Não somente para alguns, mas para todos!

01 de Junho
Kalidás Barreto

Prazer e felicidade


O Travessa do Ferreira tem o prazer e a felicidade de ter «roubado» para publicação este poema de um Homem que se notabilizou como sindicalista e, ainda, como político. Que já foi um pouco de tudo, mas que, no entanto, continua na sua Castanheira de Pera, Director Comercial e de Vendas da Fiandeira Castanheirense, onde já faz parte dos móveis e utensílios...

Meu Amigo (com caixa alta) de longa data, camarada de lutas e de sacrifícios, o Kalidás é um grande ponto. De interrogação? Nada, nada. De exclamação e até de aclamação. De quando em vez reencontrávamo-nos em casa do Cursino Coutinho, bombeiral militante e de sua esposa Dona Odete, ali mesmo na Pera, no caroço, ou seja no centro, para umas sardinhas assadas de estalo e umas febras idem, de aspas.

Um Figueira desnaturado

Ao correr das teclas (onde vai a pena?... disto tudo?), lembro-me que, além do Kalidás, os Coutinhos tinham uma mão cheia de convidados a portarem-se mal (como é o caso do escriba e sua amantíssima Raquel). A todos recordo por vezes. Ainda que vagamente, um há cujo me é mais difícil de identificar, mas que, ao que parece, é genro dos anfitriões, casado com uma filha deles, a Paula Coutinho, médica conceituada e especializada em ressuscitar cidadãos abatidos na auto-estrada.

Peço milhões de desculpas ao Kalidás, cuja crónica de bom malandro (obrigadinho, Zambujas) tentarei traçar mais à frente. Mas, por ora, e dado que as palavras são como as cerejas, avanço por esta ínvia vereda de tentar nomear o tal senhor genro. É um tipo (ia para dizer gajo, mas lá viriam as almas caridosas e hermínicas...) de falas mansas e sem ondas.

Penso lembrar-me de algo: o senhor em causa chama-se João. João F....? Será Fonseca? Não. Será Fidalgo? Muito menos, nem brasão tem. Será Ferreira? Porra para primos desses!... De repente faz-se luz no meu espírito acabrunhado e esquecido: é Figueira. Só a árvore em que alegadamente se terá enforcado o outro me levaria a rememorar o apelido. Figueira. João Figueira.

Há quantos séculos o(s) não vejo? Antes ou depois do Cristo? Amigos do peito – que é a verdade, nua e crua – não podem estar afastados tantas décadas... Porém, há sempre um momento em que. Um abração, ó Figueira, João. & adjacentes. Estava só a brincar, como é evidente. Ainda que a brincar, a brincar, foi o macaco...

Filho de peixe...

Volto ao K. Barreto. Não lhe conhecia esta veia cava, digo, poética. Sabia sim que o seu Pai fora um emérito na rima. Há quem diga que o melhor poeta de Goa. Não me pronuncio, para não dar cabo da isenção que não tenho. Mas é bonito dizer assim e, principalmente, soa a politicamente correcto. Banalidades. Entre o falecido pai Adeodato e o filho Kalidás descobri mais um elo. As estrofes. Não haja dúvida: filho de peixe... é peixe júnior.

Pois foi esse dito Kalidás que me entregou o verso, no Sabores de Goa, restaurante à maneira onde se reúne, todas as quintas-feiras, uma célula da Máfia goesa. Na qual, por simples afinidade, fui admitido sem pagar quota, mas também sem direito a cartão gold. Nunca me posso esquecer de que sou um pakló de três ao pataco. Mesmo assim integro o gang. Muito obrigado.

Aqui fica, por conseguinte, ainda que atrasado um dia, entre um balchão e um sarapatel, o verso do Kalidás a propósito do Dia Mundial da Criança. Que todos fomos – uns menos, outros mais, alguns assim, assim – mas que tudo indica que nos esquecemos de o ter sido.

A.F.

4 comentários:

Anónimo disse...

Acho lamentável que se invoque o nome do Figueira em vão. Mas vindo de um lagarto, clube verde e, quiçá, da igreja, porque treinado por frei Paulo Bento. Mas o que eu gostaria era ver o meu querido amigo Henrique a subir à longínqua província para uma faena de carnes e taninos. E, já agora, para dizermos mal aí de uns seis ou sete tipos!!!!!!!!!
João Figueira

Antunes Ferreira disse...

Curioso este anonymous que assina João Figueira. Mais uma contradição de um lampião mais irredutível do que MM. Axtérix e Obélix. O jornalista e prof. universitário tem (quase) tudo de bom. Mas, como não se pode ser perfeito é da mafia vermelhusca...

João amigo: o Travessa do Ferreira está contigo! O escrito que comentaste é 97,3% correcto... Peca por alguma inexactidão, aliás diminuta, para não dizer mesmo ínfima. Não te safas, meu menino. Há testemunhas presenciais.

Um deste dias, sem convite formal que a Raquel e eu bem merecemos, faremos mais uma surtida a essas margens do Mondego & correlativos.
Lidaremos as tais carnes e taninos com mestria e afarolados gastro-bebedónicos.

Mas o redondel terá de estar rodeado de assistência participativa. Entre a qual não pode faltar o tal Kalidás sindicalista Barreto poeta.

Assim, a Doutora Paula e o Doutor Figueira não perdem pela demora. Vão preparando muletas, capotes e bandarilhas pantagruélicas. Que sortes - as vossas.

Espero por resposta consentânea, pois há quase meio século que não nos vemos. Mas - Allah é grande e Mahomé o seu profeta.

Bandeira disse...

Bem contente primeiro, por ver que o Travessa do Ferreira começa a voar com uma velocidade proxima da velocidade de cruzeiro e segundo, por constatar que os escritos do seu autor me fazem recordar,cada vez mais, o meu velho Amigo Antunes Ferreira que conheci em Luanda, grande apreciador da boa mesa, das boas farras ate as tantas da madrugada, das boas dicussoes, anedotas e historias, enfim, das coisas simples e boas que a vida nos proporciona.
Por isso aqui vao os meus parabens e aquele abraçao.
Fernando L. Bandeira

Antunes Ferreira disse...

Este éké um verdadeiro Bandeira de chegada. A propósito: ó Fernando, quando chegas de vacanças, maila tua Nanda? Já cá fazem falta, pra umas kómydas & umas bóbydas. Entre uma carilada de gambas com muitos tocabocos e uma moambada com quilos de quiabos e funge de bombó, vai ser um vê-se-te-avias!!!

Quando aos likydos - nem falar; só emborcar. De todas as kólidades e pheitios, as garrafósias, claro como vinho tinto, colheita especial.

Muito gostei de te ver escrever neste blóguio que tenta lançar o seu, dele, grito do Ipiranga. Mas, só assim e agora, não vale. Intimo-te ó tenente malicioso, digo, maliciano, na disponibilidês, a persistir nestes escritos, o que desde já te kanimambo. Repetidamente e muitas. Tantas quanto puderes dar, ainda.

E escreve, manda-me por um imilio, que eu depois posto-o, sobre a guerra em que estivemos metidos em Angola. Foi na já referida CCS - QG que iniciámos esta Amizade eterna ou, pelo menos e por minha parte, até ao forno crematório. Avante Fernandinho! Vai-te a eles!