segunda-feira, junho 12, 2006




Os pontapés iniciais

J
osé Sócrates congratulou-se com o fair-play que reinou no jogo Portugal – Angola, ao qual assistiu em Colónia. Alem de ter achado que a equipa nacional jogou bem. Ganhou, senhor primeiro-ministro, ganhou. Agora jogar bem é outra conversa. Durão Barroso, que também estava nos lugares VIP que foram ao estádio, deu os parabéns a Luís Figo, que não só para o Presidente da CE, mas para toda a gente foi o melhor em campo.

Já o sportinguista ferrenho Jorge Sampaio esteve na bancada, juntamente com a família com malta que viera também no charter que o anterior Presidente da República utilizou para se deslocar a Colónia. Amantes do futebol, ele e a mulher Maria José Rita – que é portista, o que demonstra o pluralismo desportivo – bem como os filhos, vibraram e sofreram. Como todos os portugueses.

À volta, no entanto, foi o chefe do Governo que ficou mais satisfeito com as notícias que vão apontando, muito soft e devagarinho, para o pontapé, desta feita não na bola, mas na crise. O DN de hoje publicava que «A tendência de aumento do número de empresas falidas registou uma inversão em 2005, o que sucede pela primeira vez em quatro anos.»

De acordo com os números avançados pelo DN, os casos de falência ou insolvência diminuíram de forma significativa, recuando 33%: menos 858 casos do que no ano anterior. O jornal cita um estudo sobre falências e recuperação de empresas do Instituto Informador Comercial (IIC), o qual adianta que no ano passado houve 1.747 acções deste tipo, abaixo das 2.605 observadas em 2004. Dos vários tipos de acções, as insolvências foram as únicas que registaram um aumento, uma situação que, no entanto, «o ICC desvaloriza» com a «entrada em vigor do novo Código das Insolvências, que adopta o conceito de insolvência, que é muito idêntico aos autos de falência e recuperação de empresas». Por sectores de actividade, foi no comércio por grosso, na indústria de construção civil e na indústria têxtil que se registaram mais casos de acções de falência/insolvência, com 296, 199 e 193, respectivamente.

Parece ao escriba que o que aqui tem vindo a publicar sobre o início, tímido e lento embora, do levantar de cabeça que a economia portuguesa começa a fazer, é legítimo e legitimado por estas informações que vão surgindo. Já se pode imaginar o susto dos derrotistas da silva: a quem é que se poderão atribuir estes indicadores? Ao Executivo? Nunca. Mau, Maria. Assim, vai ser mais difícil o catastrofismo, a derrocada, a bancarrota, a desgraça apocalíptica. Não podemos esmorecer, dirão; maus ventos, por certo, virão para nos dar razão.

Este é um caminho que, de tão percorrido, já começa a estar gasto. Esta é uma forma de actuação que, de tão repetida, já começa a enjoar muita gente. Será que os alarmismos incongruentes e as previsões mais assanhadas poderão entrar em... falência?A.F.

4 comentários:

Eduardo L. Fernandes, Malveira, disse...

O que é mais importante: o futebol ou a crise? Tenho para mim que é o futebol. O jogo com Angola podia ter sido uma goleada e afinal foi um sufrimento até ao fim. Mas isto agora não pára. No Sábado já temos o Irão. E então é que se vai ver se a equipa portuguesa começa a jogar e a justificar a sua presença na Alemanha. O Scolari que se ponha a pau. Se perdemos, lixam-no.
E a crise? Que se lixe! Isso é lá com os politicos. Para o povo (nós) o que conta é a selecção. Com o Figo em grande. Ó Cristiano Ronaldo: vê lá se te portas bem e se começas a jogar.

Zé Pinto disse...

Eu Zé Pinto me confesso. Estive-me nas tintas para o "fitubol" e envolvi-me nas celebrações, dos 60 anos, de Sua Majestade o Rei Bhumibol no trono do Reino da Tailândia. Cinco dias de esplendor!
Hoje de manhã vi as "Marchas de Lisboa" e ri-me à brava quando vi o Zézito Castelo-Branco mais a sua Betty! Crise? Estou-me nas "malvas" para essa "bagatela". Vivo no Antigo Reino do Sião onde há muito arroz ao preço da "uva mijôna"... Longa Vida Para o Rei e claro para o Zé Pinto (não minto!)

Zé Pinto disse...

Eu Zé Pinto hoje estou inspirado. Há dias que não me apetece escrever "porrinha" nenhuma. Os "Pontapés na Gramática" é cá comigo! Mas como gente famosa também os dá, deixei de ser segregado e criticado pelos famosos (se por aí os há!). Acustomei-me a ler a "travessadoferreira", apesar que não alinho lá muito com o genérico.Bem melhor seria se fosse a "travessa-do-ferreiro". Havia uma na minha na parvónia, cujo nome do ferrador era o tio Briól que Deus tém e que seja por muitos anos sem mim. O ti Briól era um ferreiro filósofo (nada parecido com o Sócrates)parolo e quando ferrava as "cavalgaduras" não dava uma no cravo e outra na ferradura. Batia sempre certinho no cravo. Um dia o conde lá da terra fui ferrar a sua mula (não era a da cooperativa)e, quando o Briól aparava o casco de uma pata da mula o conde que tinha passar umas férias a Coimbra, contava ao Briól a sua libertinagem na cidade dos estudantes (corria na aldeia que o conde andava de amores com uma tricana)e, nas basófias de nobre saiu-se com esta: " ó Briól sabes que numa noite "pinchei" 12 vezes? Como,como Sr. Conde? É verdade ó Briól! O ferrador responde-lhe: "perdão Sr. Conde 12 pinchos não se dão....12 pinchos levam-se!

O Amigo de Queluz disse...

Caro Amigo
Creio que me autoriza a tratá-lo assim. Volto hoje o seu contacto, porque quero reafirmar-lhe aquilo que já lhe disse: gosto muito do que escreve. Esta é muito boa. E ganhámos ao Irão - que dizem ser revolucionário. Gostei. Como gosto do Scolari.
Aproveito para lhe dizer e ao Zé Pinto, que acho muita piada ao que ele escreve lá da Tailândia. Muito bem. O Amigo Antunes Ferreira tem Amigos em toda a parte. Parabens. Pelas crónicas... e pelos Amigos