terça-feira, junho 20, 2006





Isto é que vai uma crise

Antunes Ferreira
O Presidente da República fez, durante dois dias, o Roteiro para a Ciência, iniciativa com a qual pretendeu dar um outro olhar sobre a sociedade portuguesa, desta feita bem mais positivo do que na iniciativa anterior sobre a pobreza. E, para espanto de uns quantos defensores do tsunami que assola Portugal, Cavaco Silva declarou-se em sintonia total com o Governo de José Sócrates.

O aplauso do Chefe do Estado, que se verificou logo no primeiro dia do Roteiro sintetizou-se na afirmação «Portugal tem vindo a fazer, nos últimos tempos, a aposta correcta. É o PlanoTecnológico, é o compromisso para a Ciência... Para vencer hoje no mundo globalizado é preciso criar capacidade competitiva e as duas palavras-chave para a capacidade competitiva são: conhecimento e inovação... e para tal precisamos de investigação científica e recursos qualificados». E acrescentou que «as duas palavras-chave para a capacidade competitiva são conhecimento e inovação.»

Abriram-se, tão disfarçadamente quanto possível por mor dos dentes cariados, as bocas dos que, como atrás digo, permanentemente atacam o Executivo socialista precisamente sobre tais áreas, e comentam a catástrofe que prevêem para este cantinho à beira-mar plantado. «Estão feitos um com o outro, Belém e São Bento. Que mais nos irá acontecer?»

Tenho teclado e reteclado esta tónica. Se estamos a viver um dos mais graves momentos da História de Portugal – e estamos – para quê os augúrios mais deprimentes que se andam a lançar por aí? Dizem os críticos do actual Poder que tudo o que este tem vindo a fazer é um desastre. Que o investimento no «conhecimento e inovação» não passa de mais uma eufemística propaganda governamental.

Porém, o habitante do Palácio cor-de-rosa afirmou, alto e bom som e em público que está em sintonia com o que se vem fazendo no País. Sacrilégio, um vero sacrilégio, comentam. O dogma da infalibilidade é só do Papa; donde, o PR também se engana, como se enganam os publicitários incumpridores de promessas que recheiam este Governo – concluem, ressabiados.

Um alfinete, mesmo rombo…

M
uito bem. Estamos, assim, e uma vez mais, a constatar que as desgraças profusamente apregoadas não passam de balão mal cheio que não resiste a um qualquer alfinete, ainda que rombo. Há indícios de que as coisas vão andando soft e lentamente. Começa a despontar alguma esperança, ainda que enfezadita. No entanto, muito do que acontece parece indicar que se registam progressos, embora seja necessário acelerá-los.

De resto, nunca se ignorou a profundidade e a dimensão da crise. Jamais se esconderam os indicadores – a maioria dos quais provenientes de Bruxelas – muito maus que têm vindo a público sobre o desempenho de Portugal. E não apenas no domínio do défice. Continuamos na cauda do pelotão comunitário. E ainda que não sejamos os últimos dos últimos, há que ter em atenção o carro vassoura.

Os Portugueses (que, a princípio pareciam estar a leste da questão) foram-se dando conta de que o tempo das vacas magras estava em vigor. Os preços dos produtos face aos rendimentos levaram a que virássemos - os que mais são atingidos, isto é uma maioria sem desmentido, quer dizer nós, leia-se o que resta do que terá sido a classe média – os bolsos e descobríssemos que estavam prenhes de… cotão.

Serão, por isso, absolutamente indispensáveis as lamúrias? Alto lá. Em Democracia todos temos a liberdade de criticar. Convém, entretanto, que a crítica seja, tanto quanto possível, construtiva. Botar abaixo só pelo prazer de destruir, sem se apresentar alternativas válidas e exequíveis, nunca trouxe saúde a ninguém. Diria mesmo que as críticas saudáveis e pertinentes são como os comerciantes dizem dos cartões de crédito – bem vindas. Segue-se, assim, que o choradinho, tão do agrado luso (e da prática...) não leva a nenhum lado, excepção feita às portas de algumas casas de fado.

Veja-se o que os quase dez milhões de treinadores de bancada que todos somos vêm dizendo sobre a saga da selecção nacional em terras germânicas. E sublinho: os pupilos de Scolari já cumpriram o seu primeiro objectivo: passaram aos oitavos de final. Mesmo assim, não jogam puto; são uma cagada em três actos. E prosseguem: o Sargentão é quem encabeça estes gajos podres de ricos e, pior, ainda recebe o apoio deles. Que seria de esperar dessa cáfila?

Futebolistas são mafiosos, estão sempre prontos a venderem os próprios pais por himalaias de euros. Para não falar dos árbitros, sinónimos de corruptos, dos dirigentes incompetentes, dos agentes negreiros, até mesmo dos apanha bolas ambiciosos e falsos.

Serão, assim, absolutamente indispensáveis as lamúrias? Alto lá. Em Democracia todos temos a liberdade de criticar. Convém, entretanto, que a crítica seja, tanto quanto possível, construtiva. Botar abaixo só pelo prazer de destruir, sem se apresentar alternativas válidas e exequíveis, nunca trouxe saúde a ninguém. Diria mesmo que as críticas saudáveis e pertinentes são como os comerciantes dizem dos cartões de crédito – bem vindas.

Segue-se que o choradinho, tão do agrado luso (e da prática...) não leva a nenhum lado, excepção feita às portas de algumas casas de fado. Veja-se o que os quase dez milhões de treinadores de bancada - que todos somos - vêm dizendo sobre a saga da selecção nacional em terras germânicas. Faço notar que os pupilos de Scolari já cumpriram o seu primeiro objectivo: passaram aos oitavos de final. Mesmo assim, para os melgas, não jogam puto; são uma cagada em três actos.

E prosseguem: o Sargentão é quem encabeça estes gajos podres de ricos e, pior, ainda recebe o apoio deles. Que seria de esperar dessa cáfila? Futebolistas são mafiosos, estão sempre prontos a venderem os próprios pais por Himalaias de euros. Para não falar dos árbitros, sinónimos de corruptos, dos dirigentes incompetentes, dos agentes negreiros, até mesmo dos apanha bolas ambiciosos e falsos.

Vae victis!

As coisas são o que são. Resumindo e concluindo, para os «técnicos qualificados» que enchem os estádios, e até para os que não os enchem: se o Figo & Companhia não trouxerem o caneco vão ver como elas lhes mordem. Tirem esses multimilionários feitos à pressa e à pressão, os cavalinhos da chuva. Recordem o Europeu 2004 e o falhanço ignóbil na Luz. Preparem-se. Isto, se chegarem à final – o que é absolutamente impossível. Vae victis!

Tenho uma bandeira verde-rubra numa janela da minha casa. E outra, mais pequena, no carro, com haste própria, de plástico, adaptada ao vidro de trás. Chinesices… Não me considero um doente da bola; mas adoro futebol. Penso que, agora, todos (ou muitos) devemos dizer às claras que estamos com a selecção e gostaríamos que ela fosse, pelos seus pés, até onde lhe seja possível. Gosto do Felipão e dos portugas. Penso que (ainda) não me chamarão nomes por isso.

Mas, voltando atrás. Cavaco e Sócrates parecem estar em sintonia no que respeita ao desenvolvimento tecnológico, à formação, ao conhecimento e à inovação. E, tudo o indica, no apoio à equipa das quinas. Registe-se que assim é. Mais do que de coabitação, precisamos de colaboração. Convinha que assim continuassem. A eles, como é óbvio. Mas, sobretudo, a nós.


Apostila


Dava os últimos retoques no texto e eis que o noticiário digital informa que Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, empossado ontem mesmo para o segundo mandato à frente do banco central, saudou as medidas «corajosas» do Governo no quadro das finanças públicas referindo «indícios» de «uma verdadeira consolidação orçamental». De acordo ainda com as notícias, Constâncio manifestou ainda, na ocasião, confiança no movimento de recuperação da economia portuguesa – até admitiu uma revisão em alta na previsão do PIB – e acentuou a necessidade do Executivo continuar no caminho que se lhe afigura correcto.

Pronto. Temos um conluio entre Cavaco, Sócrates, Constâncio, Scolari e... eu próprio. Uma cabala tenebrosa. Uma camorra à portuguesa. Há, pois, que alertar a malta para não se deixar ludibriar por estes mafiosos que só regougam mentirolas. Mas, como diz o meu Amigo António Aguiar, repórter fotográfico de eleição e companheiro de canseiras no DN – «a verdade é como o azeite, vem sempre à tona d’auga.» Vamos então ver se desta vez é que é.

1 comentário:

Horacio Medeiros, Horta, Açores disse...

A CEE já hoje deu-nos razão. Disse que o Governo se está a safar. O que penso que é muito bom para Portugal. Ainda ninguém tinha dito isto. Mas alguma vez tinha de ser a primeira.
Andamos de tanga, mas o Governo não é tanga nenhuma. Esfola-nos que até parecemos coelhos mas fez mais até agora do que os outros todos juntos.
Eu até votei Bloco, mas agora acho que o Louçã está a exagerar. Nas próximas eleições vou votar PS. Tem sido sempre quem nos livra das enrascadas.