sábado, agosto 25, 2007




Montréal ao fundo
* À atenção de António Costa

Antunes Ferreira
O
meu cunhado Raul Palhau informa-me pelo msn : O centro de Montreal está fechado. Foram descobertas fissuras numa placa de betão subterrâneo situada na rua De Maisonneuve, uma das principais da cidade. O maire Gérald Trembley determinou de imediato o encerramento de diversas ruas da zona, mais precisamente um quadrilátero balizado pelas ruas Sainte-Catherine, Université, Président-Kennedy e City-Councilors. O serviço de metro foi tambem suspenso na Linha 1 (Verde), entre as estações Lionel-Groulx e Berri-UQAM.

Desde sexta-feira ao fim da tarde, altura em que foi assinalado o acontecido, que a interdição da circulação de viaturas e peões se verifica, afectando sete ruas. E ainda que no perímetro não existam residências, apenas escritórios e comércio, as autoridades decidiram evacuar muitos estabelecimentos comerciais.

Gilles Ducharme, o mais importante membro do Serviço de Segurança e Bombeiros da cidade, afirmou então que «de acordo com o que se lembrava, era a primeira vez que havia riscos de afundamento subterrâneo tão graves no centro da cidade». E acrescentou que ainda se estava a analisar o problema, para ver se seria necessário um corte de corrente, pois verificavam-se infiltrações de água.

O quotidiano mais destacado de Montreal, La Presse publicava, na sua reportagem, um comentário de um cidadão não identificado: «As nossas infra-estruturas são tão velhas, e há tanta falta de dinheiro na Mairie (a Câmara) que muito brevemente eles vão-nos anunciar que os riscos são muito grandes e o centro da cidade continuará fechado à circulação auto, sabe-se lá até quando.

Um nome conhecido do jornal, Patrick Legacé, escreveu uma crónica na edição de hoje, transcrita igualmente na edição informática Cyberpress, na qual afirmava: «É talvez apenas uma impressão, mas diria que o Québec cai em ruínas. Roído pela gangrena. Neste Verão, festejámos o quadragésimo aniversario da Expo 67. Ah, as belas imagens ! Ah, esse Québec que usava flores no cabelo! Ah, como tudo estava por e para fazer e tudo se construía! Viessem os projectos!».

Montreal tem uma cidade à superfície e outra subterrânea, uma por cima, a segunda por baixo. O Inverno rigorosíssimo é a maior explicação para isto. A primeira vez que ali estive, fiquei impressionado, quase estupefacto. As dimensões da cidade subterrânea são enormes. As da que está à superfície são muitíssimo maiores, é claro. Mas, mesmo assim… Nas seguintes, fui-me habituando. Mas sempre pensei «se um dia há uma chatice…»

Para os montrealenses isto é um pesadelo. Está a ser, pois que ainda não se sabe até ao momento em que escrevo, o que estará na origem da ocorrência, quanto tempo ficarão fechadas ruas e metro, quais as medidas que se irão adoptar – depois de conhecida a dimensão do desastre.

A situação tem de ser seguida com muita atenção, mesmo por cá, em Lisboa. Arrisco-me até a dizer, principalmente por cá, tais as similitudes que existem nas Câmaras das duas cidades. É evidente que a nossa capital não tem uma gémea subterrânea. Mas – e a Baixa? E a estrutura do nosso centro pombalino?

Bem se pode dizer, também que, talvez seja apenas uma impressão, mas Portugal quase cai em ruínas, e em especial, Lisboa. Não será tanto assim, felizmente, trata-se tão-só de uma comparação sem rigor, mas. Já no que concerne às finanças municipais, a CML também não tem dinheiro, ou tem pouquíssimo…

António Costa que atente neste acontecimento. O seu homónimo Trembley parece estar metido numa enorme alhada. A do novo Presidente não será muito diferente. Sem fissuras tão grandes no betão – mas com fissuras enormes no dia-a-dia de todos nós.

As fotos do centro de Montréal encerrado e da estação de metro também fechada são, igualmente do Cyberpress. Merci bien, les Amis

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1 comentário:

Raul disse...

Os técnicos da camara de Montréal instalaram 1000 pilares para sustentarem a placa de betao que ameaçava afundar-se. Trata-se de uma soluçao provisoria que permitiu a rebertura, desde a madrugada de 27, do metro e das ruas adjacentes ao complexo LaBaie.