sexta-feira, março 09, 2007




REGISTO

Siza Vieira ganha Prémio Secil
* Aos 74 anos, o arquitecto reincide…

Antunes Ferreira
Siza Vieira, aos 74 anos, volta a ganhar – o que se lhe tornou já um hábito. O mais famoso arquitecto português deu-se, agora, ao luxo de «reincidir», o que torna o caso mais grave, pois a reincidência é considerada uma agravante de qualquer falta cometida. Pelo menos, assim dizem os juristas.

Isto porque Álvaro Siza Vieira foi o vencedor do prémio Secil Arquitectura 2006, um dos galardões nacionais mais importantes para os arquitectos. Foi escolhido por unanimidade com o Complexo Desportivo Ribera Serrallo, em Cornella de Llobregat, um município nos arredores de Barcelona. A obra de Siza Vieira, 74 anos, foi encomendada pelo município espanhol e edificada entre 2003 e final de 2005. É constituída por um pavilhão multiusos com capacidade para 2500 pessoas, duas piscinas – uma interior e outra exterior – e uma área de ginásio e serviços comuns.

Em declarações à TSF, o arquitecto afirmou que estava «muito satisfeito» com o prémio, porque é «importante ver o nosso trabalho reconhecido, sobretudo quando recebemos tantas críticas». Siza explicou que a obra, erguida entre 2003 e 2005, é um complexo desportivo multiusos com capacidade para 2500 pessoas, feita à base de «materiais económicos».

«Tem um recinto para desporto, uma piscina (que pode estar ligada ou separada do recinto, que assim é dupla), e tem também um restaurante», disse à estação de rádio. É a segunda vez que Álvaro Siza Vieira recebe o prémio Secil Arquitectura. «Considero este prémio muito importante, já existe há muito anos e o júri é composto por pessoas muito competentes». O galardão, cujo júri foi presidido pelo arquitecto Sergio Fernandez, será entregue pelo Presidente da República a 30 deste mês, na Cidade Universitária, em Lisboa.

Recorde-se que Siza já havia vencido em 1992 o Prémio Secil de Arquitectura, com o auditório e biblioteca infantil da biblioteca pública municipal do Porto. Em 1993 recebera uma menção honrosa da Secil pela Casa de Miramar. Este galardão pretende “incentivar e promover o reconhecimento público de autores de obras” que, incorporando o cimento, “constituam peças significativas no enriquecimento da arquitectura portuguesa”, explica um comunicado da Secil.

A cimenteira atribuiu ainda os prémios Universidades e Concurso de Arquitectura. Na primeira modalidade foram distinguidos os projectos de Francisco Romão, da Universidade Lusíada de Lisboa, (Museu de Escultura de Caxias); Rafael Verhaeghe Marques, da Universidade Autónoma de Lisboa, (Escola de Música e Dança, no Convento do Salvador em Alfama) e Ana Filipa Simões da Silva, da Universidade de Évora (Hammam, “Casa-pátio” em Évora).

No Concurso de Engenharia Civil, foram distinguidos João Marcos Lavos e Romeu Gomes Reguengo, da FCT-UNL (Museu Oceanográfico no Portinho da Arrábida); António Silva Braga, Hugo Ribeiro e Joana Pascoal Teixeira, da FEUP (reconstrução da ponte Pênsil) e Luis Santos Conceição, Sílvia d’Assunção Dias, Sílvio Assis Fernandes e Pedro Campos Leal, da Academia Militar (estudo prévio de um passadiço sobre o rio Nabão, Tomar).

Quem é quem

Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira, nascido em Matosinhos, a 25 de Junho de 1933 é um arquitecto de prestígio internacional, sendo o mais consagrado português. Realizou obras emblemáticas como o Pavilhão de Portugal da Expo'98, em que avulta a famosa pala, a Igreja de Santa Maria, em Marco de Canaveses ou o Museu de Arte Contemporânea da Galiza. Mas a sua obra pode ser encontrada em muitos pontos do Mundo além de, naturalmente, Portugal.

Formou-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto, que frequentou de 1949 a 1955. Influenciado, numa primeira fase da sua obra, por nomes internacionais da arquitectura como Adolf Loos e Frank Lloyd Wright, cedo Siza conseguiu afastar-se dessas influências claras e traçou a sua própria linguagem que nos remete tanto para influências clássicas como para o desenho claro e limpo que definiu a obra de Mies van der Rohe, os planos horizontais, a clareza das formas, o requinte do espaço.

Cria verdadeiros marcos na história da arquitectura portuguesa como a Casa de chá, as Piscinas de Matosinhos, o Museu Serralves, a igreja de Marco de Canavezes, ou mais recentemente, o Museu para a Fundação Iberê Camargo no Brasil, onde marca uma nova linguagem arquitectónica, muito à semelhança de Le Corbusier - que, na sua terceira fase, afasta a racionalidade das villas. Siza consegue reinterpretar-se ou mesmo redesenhar-se, procurando uma linguagem que, até então, tinha vindo a mostrar em alguns apontamentos de obras recentes com uma complexidade formal aliada a uma aparente simplicidade do desenho.



Genialidade reconhecida

Os génios são assim. Das coisas mais fúteis fazem obras-primas. Essa sua aparente simplicidade é uma marca que nos permite classifica-lo desta maneira. É uma simplicidade visível tal como o foi o ovo de Colombo. O navegador conseguiu pô-lo em pé, no meio da admiração geral. Álvaro Siza tem posto em pé uma obra que demonstra a sua genialidade.
Para ele, como para alguns outros – estou a lembrar-me de Manoel de Oliveira que em Dezembro completa 99 anos e continua a fazer filmes e, mais importante ainda, projectos para o futuro – a idade não conta. Siza Vieira não pára, porque não pode parar, mas igualmente porque não quer parar.

Estamos perante um coleccionador de galardões. Já recebeu a Medalha de Oiro de Alvar Aalto, bem como o prémio Pritzker que disputam entre si o mais apetecido a nível mundial na Arquitectura. Ambos reivindicam serem os Nobel da arte de desenhar monumentos, edifícios, instalações diversas e afins. Siza guarda-os em meio a uma panóplia impressionante. É, indiscutivelmente, uma figura de Portugal e do Mundo.

Este registo do Homem, da sua Obra e do Prémio ora recebido, não pretende ser mais do que isso mesmo, um registo. Mas também é uma homenagem modesta, mas sincera a um grande Português que tem levantado bem alto pelo orbe terráqueo o nome do nosso País. Parabéns Siza Vieira. Obrigado Siza Vieira.
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Este texto escrevi-o socorrendo-me de fontes diversas. Desde a Wikipedia até à minha TSF, muito me ajudaram essas entidades. E especial à última, a que recorro frequentemente, deixo aqui um abraço de gratidão e de Amizade. O responsável pelo Travessa do Ferreira – que sou eu –não esquece os bons momentos profissionais que viveu na TSF, durante anos. Por isso o adjectivo minha que me permiti escrever.

3 comentários:

A Mas São Verdes, Montijo disse...

Bom, bom, bom... O que este gajo é, é um comuna de marca e confissão. Por isso ele está aqui, ó senhor Ferreira

Leonilde Carrapiço, prof. ens. sec., Beja disse...

Cá está o Verdes do Montijo. Cada vez mais atrasado mental. Cada vez mais burro. Então esta asnática personagem não sabe quem é o Arquitecto Siza Vieira? Para o montijense da treta é apenas um «comuna». E que seja? Eu não sou e tenho muita honra de ter um compatriota deste quilate como é o nosso Siza. Olhe senhor Verdes: vá lamber sabão!

Luis S. Matos, arq. Porto disse...

Colega

A sua dimensão ultrapassa e bem a consideração que Portugal lhe dispensa e muito justamente. O Senhor já é figura mundial, já está entre os maiores do Mundo e o resto são cantigas e palavras desrazoadas e irresponsáveis. De videirinho.

Se houvesse um Nobel da Arquitectura, ele já lhe tinha sido atribuído. Mas os que recebeu sobram para demosntrar a sua verdadeira universalidade.

Só mediocres se preocupariam com o facto de o Colega ser comunista. Eu, que não sou nem nunca fui, mas desde sempre de centro esquerda, nem ligo a isso e permito-me até agradecer-lhe tudo o que tem feito por este País.