domingo, março 04, 2007


Quanto a dinheiro…

Antunes Ferreira
Esta «adaptação» do provérbio chinês tem que se lhe diga. O meu Amigo Fernando Teixeira dos Santos, cujo fair play eu conheço perfeitamente (mas não lhe falem ironicamente do seu FêCêPê…) deve ter-lhe achado graça. Mas, ó autor desconhecido, tem muito cuidado com o que destila esse teu cristalino bestunto: a DGCI é gaja para aproveitar… Com Macedo ou sem.

Um dia, antes de ser nomeado Director Geral das Contribuições e Impostos, o meu igualmente bom Amigo António Nunes dos Reis, transmontano da mais pura cepa e fumador inveterado, vinha de Bruxelas, integrando a comitiva do ministro Sousa Franco, de que eu também fazia parte, como habitualmente.

Nunes dos Reis que se sentava nos lugares mais à frente da Executiva, deslocou-se para a última fila, a fim de fumar o seu cigarrito. Dada a excelente relação que se estabelecera entre nós, ele é um porreiraço natural de Freixo de Espada à Cinta (terra de onde ninguém é, mas eu sou, costuma afirmar de puro gozo), solidarizei-me com ele e acompanhei-o, abandonando a cadeira ao lado do ministro.

Claro que me meti com ele, pois já corria à boca pequena que ia ser nomeado para aquele importantíssimo lugar. «António, não tens vergonha nenhuma: vais passar a fod…-me todos os meses…». E ele, nada, impávido e sereno, puxando deliciado as suas fumaças. «Nunca pensei – prossegui – que um gajo à maneira como tu pudesse fazê-lo…». E o bicho, vejam lá, também portista dos sete costados, moita-carrasco.

«É pá, não me estás a ouvir ou queres que faça um boneco?». «Ó Henrique, eu era lá capaz de uma coisa dessas. Eu até nem gosto de homens!...». Caímos na gargalhada, de tal forma ruidosos que o Rodolfo Lavrador, chefe de gabinete do MF, também foi lá atrás, «ó Antunes Ferreira, conte outra vez a anedota, para eu também me rir. E olhe que o ministro, se calhar, igualmente gostaria de a ouvir…». E avisei-o de que não se tratava de uma piada minha.

Repeti-lhe a pergunta e o Nunes dos Reis reafirmou a resposta. As risadas, se possível, subiram de tom. E o malandro do transmontano: «é pá, deste-me uma ideia para a campanha que quero lançar. Só os termos…» E eu: «usas tramar, com um não a antecedê-lo, como é óbvio, e acrescentas para que você não se chateie todos os dias. Espera lá, é melhor aborreça. Mas não terá tanto impacto…».

Desta feita, até o comandante saiu do cockpit. Alegadamente para cumprimentar o governante. Mas, hoje, à distância de uns anos, quase juro, que foi para ver se descortinava a origem e o porquê da risota meio desbragada. Receio de desvio do avião, com tais efusivas manifestações vocálicas, não foi. Aqui – tenho a certeza.

Juro mesmo que não fui eu o autor do sugestivo cartaz.

2 comentários:

A Mas São Verdes, Montijo disse...

Se não foi você, o que acredito, também era homem para o ter sido. Ele tem muita piada e você também.

João Mestre, advogado, Gaia disse...

Teixeira dos Santos está a fazer um esforço imenso para melhorar as Finanças Públicas. Fui aluno de Teixeira Ribeiro, em Coimbra, e sei da complexidade da tarefa.

Mas Portugal precisa que o Prof. portuense leve a sua tarefa a bom porto, por entre vagas alterosas e cantos de sereias. Eu, pelo menos, espero isso.