quarta-feira, agosto 30, 2006

Molécula sintética provoca
«suicídio» da célula cancerosa

Antunes Ferreira
Mais um texto que as agências nos fazem chegar sobre um tema que a Humanidade persegue, pode dizer-se, desde sempre ou, pelo menos, desde que se diagnosticou essa doença maldita que é o cancro. Aparentemente os tratamentos até agora praticados resumem-se a três grandes ramos: a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. Que me perdoe quem sabe do assunto esta veleidade de um leigo que se atreve a publicar o que se segue.

A notícia, pois que de notícia se trata, não de comentário, muito menos opinativo, aqui se regista, como já fiz anteriormente a propósito das células estamínicas. Repito, ainda, o que então escrevi sobre a porta que se vai entreabrindo, mas que não pode ser considerada de aplicação imediata, muito longe disso. A esperança - que se diz ser a última coisa a morrer com o Homem - não pode ser encarada como uma garantia de cura para todos os problemas cancerosos à la longue. Que isto fique bem claro: este blogue regista o acontecimento com a finalidade única de o dar a conhecer a quem o lê.

Para charlatões e charlatonices já bastam os principais intervenientes no miserável «caso Mateus». Nestas linhas não se compram nem se vendem, nem sequer se emprestam futebolistas. O mercado dos escravos parece que já passou, mas não. Estamos, agora, face a mais uma descoberta da ciência médica que tem de se entender dentro dos seus limites e, fundamentalmente, quanto ao decurso do tempo. Oxalá venham mais notícias destas. Eu cá estarei, nós todos cá estaremos para as publicar.

In fine: Um comentário de um clínico ou mais seria muito bem vindo para ajudar a compreender o que se está a passar na evolução da luta contra o caranguejo criminoso.


A equipe de pesquisas sobre o cancro da University of Illinois criou uma molécula sintética que activa a enzima responsável pelo comando de autodestruição também nas células cancerosas. Este mecanismo só funciona nas células normais. Especialistas dizem que o estudo, publicado na revista Nature Chemical Biology, oferece grandes possibilidades na busca de novas formas de tratar a doença.

Tratamentos individualizados

Uma das características marcantes das células cancerosas é a sua resistência ao mecanismo natural de autodestruição, o que permite que elas sobrevivam e formem tumores. Todas as células possuem uma proteína chamada procaspase - 3, que o organismo transforma numa enzima, a caspase - 3. A enzima promove a autodestruição da célula doente.


Mas essa transformação da proteína em enzima não acontece em células cancerosas, embora, paradoxalmente, células de alguns tipos de cancro, como o de pele, fígado e intestino, possuam altos índices da proteína procaspase - 3.

Os pesquisadores testaram mais de 20 mil substâncias sintéticas para ver se alguma delas poderia activar o processo de transformação da proteína na caspase - 3. E descobriram que uma molécula chamada PAC - 1 consegue fazer isso. Assim, células cancerosas de ratos e de tumores humanos foram mandadas «suicidar-se», um processo conhecido como apoptose. Segundo o estudo, quanto mais procaspase - 3 uma célula cancerosa possui, menos moléculas PAC - 1 são necessárias.

Células saudáveis, como os glóbulos brancos, foram significativamente menos afectadas pela adição de PAC - 1 porque tinham níveis muito menores de procaspase – 3. Assim, o «suicídio celular» não pôde ser activado. Os testes com PAC - 1 em células saudáveis e cancerosas de uma mesma pessoa revelaram que as células do tumor eram duas mil vezes mais sensíveis à molécula PAC - 1.

Os pesquisadores encontraram índices diferentes de procaspase - 3 nas amostras de células estudadas, o que os levou a concluir que alguns pacientes responderiam melhor ao tratamento do que outros. Eles acreditam, portanto, que um dia seja possível criar tratamentos individualizados para cada paciente.

O cientista Paul Hergenrother, coordenador da pesquisa, disse que a molécula PAC - 1 é o primeiro de uma série de compostos orgânicos com a habilidade de activar as enzimas que controlam a autodestruição das células. «A eficiência potencial de compostos como a PAC - 1 poderia ser prevista», acrescentou Hergenrother. «Assim, pacientes poderiam ser seleccionados para tratamentos baseados na quantidade de procaspase - 3 encontrada nas células do tumor».

Comentando o estudo, o especialista Michael Olson, da entidade patrocinadora e de fomento da pesquisa, a Cancer Research UK, disse: «Esta descoberta representa uma estratégia terapêutica nova para o tratamento de alguns tipos de cancro». Olson também referiu que, no entanto, a terapia precisa ser testada clinicamente para verificar possíveis efeitos adversos em humanos .


1 comentário:

Maria Virginia Sousa, Oeiras disse...

Dr. Antunes Ferreira

Se o senhor não é médico e apenas um leigo na matéria, como diz, por maioria de razão tenho de felicitá-lo, na minha qualidade de enfermeira diplomada.

Talvez nem siba, Dr. Ferreira, o bem que está a fazer ao divulgar coisas destas. As pessoas interessadas que são muitíssimas devem lê-lo com a maior atenção. Porque o que publica é muito interessante e importante.

Fico à espera dos nossos médicos e de outros cientistas que aqui venham comentar este artigo.

Entretanto, dê-nos mais. Bem haja, Dr. Antunes Ferreira