quarta-feira, outubro 18, 2006




O CÓDIGO D’AVINTES

A broa boa

Antunes Ferreira

Um homem já não está no ponto de rebuçado aconselhado para directas. Militante da Terceira Idade, aos 65 que acabei de completar – mais precisamente a 20 de Setembro, fazem o obséquio de anotar, para o ano não se esqueçam – já ganhei o direito a descontos nos passes, nas entradas dos museus, até nas Pousadas da Juvent.., digo, do senhor Pestana.

BI vitalício é documento bastante para atestar a condição de quase ancião, para não dizer mesmo ancião de pleno. Já quanto à Carta de Condução as regras são outras; adiante. Um destes dias, numa roda de amigos e familiares, disse que não tardava teria de ter duas canadianas. A minha caríssima metade, Raquel, acrescentou, alto e bom som que o que eu queria eram duas canadianas, sim, mas de 18 aninhos cada. Até aí, não vinha nenhum mal ao Mundo. Só que ela acrescentou: «Para quê? Tu já não sabes o que havias de fazer com elas...» Não gostei.

Nestes últimos tempos, porém, já fiz duas. Directas, está bem de ver. Da primeira, tal como já o escrevi neste blogue, o culpado foi um tal bom malandro, mais conhecido por Mário Zambujal. Peguei no «Primeiro as Senhoras» e nem me deitei, isto é, por mor da verdade, só me estendi no leito marital quando cheguei ao fim do danado do livro. Mas ainda só contava com 64 primas Veras.

Pensei então que nunca mais, senhor, vos tornarei a ofender, muito menos pecar por pensamentos, palavras e obras, incluindo nesta última rubrica a leitura de algumas de índole literária. Mas o homem põe e o livro dispõe. Já me regalara com os novos mistérios de Sintra. Reincidi. Abri o «Código D’Avintes» eram umas dez e picos da noite - que assim confirmava que ainda era uma criança. A noite.

Estava feito. Os caracteres, as linhas, os períodos, os parágrafos, os capítulos, enfim, foram uma atracção fatal, muito mais perigosa do que a que viveram o senhor Michael Douglas e a dona Glenn Close. Avintes, da broa boa, o Código que dava como brinde o poder total, a Lili, Lilith, o ex-inspector Nuno Gomes e, sobretudo o anjo Gabriel tudo junto davam uma poção de efeitos muito superiores às do Professor Isaías Pires.

Daí que, dei por mim, eram quase sete da matina, a rebolar de puro gozo sobre a coberta da cama, o que motivou um enérgico vê lá se te comportas e estás quieto da já referida Raquel. Depois passei à fase do protesto, ainda no colchão. Que ganda porra! Então estes gajos não podiam ter escrito mais uns capítulos, coisa pequena, quiçá uns 48 ou, sendo exagerado o número, uns 47? Madraços são o que eles são. Quando um desprevenido leitor anónimo e anódino espera prosseguir pelos caminhos da terrível ocorrência ali ao lado do Douro, pum, acaba-se o livro.

Não se faz. A Alice Vieira, o João Aguiar, o José Fanha, a Rosa Lobato Faria, o José Jorge Letria, a Luísa Beltrão e, naturalmente, o Mário Zambujal sempre me foram suspeitos q.b.. Depois de convenientemente levantado, higienizado, pequenoalmoçado e engravatado, eis-me no trabalho. Fiz uns telefonemas de desagrado. Os três da mesma colheita que eu no DN não se safaram.

Para alem do que lhes disse de viva voz telemovelada ainda ficaram uns almoços de desagravo a marcar tão breve quanto possível. Ai deles que se escusem aos pantagruélicos repastos. Até porque terá de haver alguém que os pague. Aos repastos, já que aos criminosos contumazes a Oficina do Livro já deve ter saldado as contas.

Os sete cavalheiros deste apocalipse – aliás quatro os mais três as – já se deram ao luxo de ir de Sintra a Avintes, passando sabe-se lá por que longitudes, latitudes e atitudes. E não é que deram à luz coisas magníficas, obras hilariantes mas também inebriantes? Conhecendo-lhes as manhas e as artes do escrever, mal parecia que assim não fosse, ainda que o parto fosse apressado e de cesariana literária.

Isto me confessaram os três que consultei. Tratou-se de um contra-relógio redactorial que, logicamente, lhes deu muito prazer elevado à sétima potência ou não fossem eles tantos quantos os dias de uma semana. Curioso: todas elas têm sete. Nunca tinha reparado. Aliás, o Fanha explicou-o no início da obra. Se algum santomés não o acreditou, o problema é dele e das cinco chagas. Neste caso, sublinhe-se, eram cinco, não sete.

Muito bem. Ainda que lhos tivesse dado (mea culpa, e dei), os autores não necessitam para nada de parabéns. Nem mesmo de muitos. E se é certo que os merecem, não menos certo é que os elogios e as palmadas nas costas bem podem ser postergados para nova obra em que se metam. E, olhem lá: capazes disso são eles. E de muito mais.

11 comentários:

herculano da costa disse...

concursinho da treta
resultados do concurso

Como ontem tive visitas cá em casa, não consegui tratar deste assunto tão "importante" que é o meu concursinho da treta, iniciado no dia 08 de Outubro pp, e com duração de uma semana.

Espero que os meus visitantes "blogosféricos" me relevem a falha.

Hoje, portanto, vamos lá pôr as coisas em pratos limpos. É assim:

Concorreram ao concurso 15 visitantes, incluindo os que falaram bem e os que falaram mal, estes últimos em declarada contradição com as "regras" que eu defini. Todavia, como eu próprio sou um gajo que toda a vida lutei contra regras, acabei por considerá-los também. Quer dizer: foi tudo para o mesmo saquinho e todos foram considerados.

Uma vez que eu avisei que só iria contemplar 10 nomes (mais um à minha escolha), os resultados obtidos são os seguintes:



1) Amorica

2) Playing The Angel

3) Mulher Rochedo

4) Andreia do Flautim

5) Pequenita

6) Afrodite

7) Lindinha

8) O Vizinho

9) Fresquinha

10) Peras



O blog que eu arbitrariamente escolhi foi o "Grãozinhos de Areia", da Lara.

E pronto! Parabéns aos vencedores e bem-haja por participarem nesta minha brincadeira.



* importante: todos os premiados podem escolher entre uma fita porta-chaves e um fio/fecho para o telemóvel, devendo referir claramente a sua decisão.

* quem mora em Viseu poderá receber o prémio onde desejar, em casa, num café, etc... Quem é de fora desta cidade, deverá indicar, através de e-mail (herculanodacosta@gmail.com) a direcção para onde deseja que o prémio conquistado seja remetido. Conforme prometi, suportarei os custos de envio.

Sou um gajo de palavra... eh eh eh



Escrito por herc em 20:48 em concurso |Link | Comentário (4)

José Martins disse...

O CÓDIGO DO ALVIM ( "O Broas de Avintes")

O Alvim foi um rapaz do meu tempo na Cidade Invicta.
Entretanto tínhamos ocupações diferentes: o Alvim era ajundante de trolha; eu marçano de uma queijaria na Rua do Loureiro, mesmo em frente à estação de S.Bento.
O Alvim andava a trabalhar em obras do Bairro da Sé e chegava. todos os dias, num barco de passageiros que o deixava no Cais da Ribeira.
O seu almoço era transportado numa bolsa, de pano quadriculado, com duas peras de lã de cores penduradas nas pontas do fundo.
Dentro um naco de mais ou menos meio quilo de broa de Avintes e duas sardinhas em molho de escabeche.
O Alvim, todos os dias, almoçava sentado nas escadas da gare da estação de S.Bento, viradas para a Rua do Loureiro.
Estou, ainda, a vê-lo a morder e a mastigar a broa,negra, que para render mais, tinha sido a farinha amassada com o farelo; a lamber os dedos bezuntados pelo molho das sardinhas.
Depois do respasto, o Alvim metia a mão no bolso das calças, de cotim com os fundilhos remendados e os joelhos; retirava umas moedas e encaminhava-se para a tasca do Costa, da Vila Real e pedia um "neguinhos" de três tostões de tinto.
Fiz amizade com o Alvim porque tanto ele como eu eramos segregados pela canalha, amarelita, do Bairro da Sé.
Ele ele era o "broas" de Avintes e eu um parolo "de-lá-de-xima da terra da coina".
Por uns três anos fomos bons amigos; aos Domingos íamos nadar para a "Praia do Borras" junto à capela do Senhor do Além, no sopé da Serra do Pilar.
Depois do banho na água fedorenta e lodosa do Douro, subíamos a encosta da serra e íamos jogar a bola para o planalto que na serra havia junto ao Quartel de Artilharia 2.
Um dia, passamos, junto à famosa "Cova da Onça", encravada num penedo e tinha a forma de uma lapa, sob "Mosteirio da Serra do Pilar", onde a puta cega de um olho, já tinha desvirgindado mais de um cento de miúdos ao preço de 25 tostões.
Ao fundo da encosta onde no cimo estava a cova da onça, eram um subir e descer de miúdos e outros já "piçudos" , na proximidade dos 18, que esperavam pela descida dos que tinham feito amor com a cega para subir.
Esperamos na bicha pela nossa vez. Subiu o Alvim e esperei por ele.
Passado um quarto de hora, depois da sua primeira vez, lá vem o Alvim a descer a rampa do amor e a esfregar as mãos e gritar: É pá é boa, é boa, mas que boa cega!
Bem, ainda, não foi daquela que a cega,de um olho, me desvirgindou...
Passados uns 8 dias o Alvim chega junto de mim:"Ó pá apanhei uma "galiqueira" trago o "carago" a chorar!
Lá fui pedir ao bom samaritano Sr. Barros da farmácia com o seu nome, na Rua do Loureiro, para espetar uma agulha nas "nalgas" do Alvim cuja seringa continha uns milhões e não sei quantas unidades de penicilina que curou de uma vez o "escarepe" de "pendurar" do Alvim e o meu amigo o "broas" de Avintes!

Raulzinho do Guay disse...

Mais dois livros a meteres na encomenda ... de barco demora mais mas não etou aprressado

Marco da Silva Freitas, Xabregas disse...

Não costumo meter-me em cenas destas. Mas com os diabos, desta vez é que é. Não entendo o que têm a ver com o texto as duas primeiras opiniões-comentários. São apenas dissertações quase incompreensíveis, sobretudo a primeira do Sr. Herculano Costa que não é a primeira vez que fala em alhos quando se trta de bugalhos.
Pragmático e curto é o pedido do raulzinho de guay. Todos fossem assim. Ganhava o blog e ganhávamos os que o leem

José Martins disse...

Sr. Freitas,
A sua opinião em cima da matéria inserida nos dois primeiros textos, o segundo toca-me a mim. O Código do Alvim "O Broas de Avintes" quanto a mim (os outros que pensem aquilo que lhes der na gana),encaixa-se perfeitamente na resposta ao artigo do meu considerado amigo Dr. A.Ferreira. Enquanto que o Sr. Freitas em vez de estar para aí a criticar os dois primeiros artigos bem melhor seria ter contado, também, um "Código de Qualquer Coisa". Saudações de Banguecoque

Rosa Mota, Porto disse...

Também já o li. É um espanto! Associo-me de bom grado e totalmente ao que o senhor Antunes Ferreira escreve. Grandes e muitos parabéns aos autores - e também ao sr AF

Marco da Silva Freitas, Xabregas disse...

O sr. José Martins, antes do mais, devia aprender noções básicas de Português, especialmente no que concerne à escrita. Não se amofine: nem todos nasceram para mais do que arranhar gatafunhos; e mal. Fique-se com esta. E não voltarei ao assunto. Não se deve nem se pode gastar cera com ruins defuntos... literários...

Amélia Raposo, Falagueira disse...

Esta INTERNET é temível. A gente não se conhece uns aos outros, mas não faz mal. Desabafar aqui é bem melhor que nos estádios das futeboladas. Por isso uma pergunta: o herculano que dá à costa pode responder-me que raio é que o seu concursozito tem a ver com este assunto? É como o cú com as calças... No entanto, parabens aos contemplados desse tal concurso.

José Martins disse...

Senhor Xabregas,
Vá à "borda-merda" e leve um pau para não sujar as mãos!
Meta a sua sabedoria e o português no rabo...
Orgulho-me dos meus príncipios preliminares e dos gatafunhos que escrevo.
Sabe uma coisa Sr. Xabregas?
É que eu ainda sou daqueles que frequentou a escola primária 4 anos e aos 10 anos tinha o diploma com ele.
Depois entrou na "manada" da vida e começou agarrar o mundo pelos cornos até hoje com 71 anos. Escrevo como sei e não é o Sr. Xabregas com as suas críticas balofas e ocas que fará quebrar o bico da minha caneta!
Fique bem com o seu "bué" português.

Anónima Salina disse...

Só hoje iniciei a leitura do D'Avintes. Venho leigeiramente atrasada, não?!

Bras disse...

Nao entendo criticas aos textos falando de sexo e amor que o blog esta recebendo.
este assunto e de interesse publico e ate nas escolas falam sobre o assunto. Entao porque tanta hipocrisia criticando o artigo sobre a Matilde...sao coisas da vida, da vida de cada um. Por favor apreciem e deixem-se de falsos pudores. Continua Henrique tal um Dom Afonso