segunda-feira, janeiro 02, 2006

Tudinho


As coisas são o que são. Não se pode ter tudo, ainda que quiséssemos alcançar tudo. O tudo é como a última bola de snooker. Só quando entra é que acabou o jogo. O tudo é como uma redoma de cristal puro absolutamente transparente. Está lá, qual elmo protector invisível, mas só se dá conta dela quando se parte. O tudo é um absurdo inatingível. Será???
A que vem este arrazoado? Pois, meus Amigos, voltando do Hospital de Santa Maria onde está internado o meu irmão (chamam-lhe cunhado, mas eu não) Luís Gonzaga Alcântara de Melo, Lulocha prós familiares & adjacentes, após uma visita encorajadora – o rapaz, aliás da minha idade, 64, aqui e na Moita, já come manjares de gente – dei por mim a pensar nisto tudo.
Pronto. Lá vem o tal tudo. Tudo leva a que tudo me passe pelo cristalino bestunto. Se calhar sem razão, pois tudo é relativo. Mas, c’os dianhos, acima o tudo era tudo, agora tudo é relativo.
Tudo bem. O mais importante é que, apesar da traqueotomia, o nosso Lulocha já recomeçou a dizer coisas – a falar! Baixinho, mas a falar. Deu um pequeno passo em frente. Mas, como diria o Amstrong ao pisar o solo lunar, é um passo que tem uma dimensão tal que abarca tudo. Tudo, mesmo. Tudinho.

Antunes Ferreira

2 comentários:

J.J.Ferreira disse...

Em muitas das ocasiões da vida, os pequenos passos custam mas são os grandes da nossa vida. E que nos marcam para sempre...

Ana Salina disse...

20/12/05

Primeiros passos do Henrique (que não o da Lapa, o da outra banda).
Um ano e 11 dias de vida.
Depois do susto que a mãe tinha apanhado com o catraio há dois meses atrás, para ela, ver aquilo acontecer, foi TUDO e chorou.