sexta-feira, setembro 01, 2006



Correspondente em Viseu

A jornalista Cláudia Sofia é, desde hoje, a primeira correspondente do travessadoferreira. Em Viseu. O que me dá muitíssimo gozo, prazer e orgulho. Este blogue acolhe a Cláudia, a quem por brincadeira chamo Só Fia, convicto de que se trata de uma excelente aquisição, porque ela sabe escrever. O que começa a ser difícil de encontrar.

Espero que o exemplo frutifique. Gostaria muito de ter mais gente boa espalhada por Portugal e até no estrangeiro a funcionar no comprimento de onda da correspondência. É fácil. Façam como fez a Cláudia: dirijam-se-me e já está, desde que redijam de forma «normal».Bem vinda Cláudia. E bem vindos todos os outros que se nos queiram acompanhar nesta aventura. AF

Parem lá de fazer birra

Cláudia Sofia
Ora viva, borboleta cor-de-rosa! Os visienses agradecem ter batido asas para nos visitar!
Então, veio recordar a velha infância, não foi? E fez a borboleta muito bem!...

Bene vixit qui bene latuit . E digo isto porque me parece que vocemessê andará meio-perdida no tempo!... Trará ainda na memória as recordações dos seus tempos de traquinices – tempos em que também gritava e fazia birras na Feira, silenciadas elas também com os tais tabefes, – ou não terá dado ainda conta de que houve mudanças de então a esta parte?

A terra batida já foi substituída por calçada, o pavilhão multiusos alberga, com boas condições, os Stands das empresas que todos os anos nos visitam e ali se expõem (e muitos outros novos que engrossam a lista já de si imensa), o recinto exterior tem, também ele, Stands novos para os expositores dos artesanatos, comes e bebes, quinquilharias e também para os ditos «pan pipes»…

A nossa querida Feira de S. Mateus é assim mesmo. É o rodízio da diversão que continua a encher os olhos dos miúdos e dos graúdos, mais as «cenas» dos masoquistas ou aventureiros (vá-se lá saber!) que pagam bilhete para a volta alucinante/impressionante, com os eles e elas a estrebuchar por todo o lado no meio de uma berraria infernal... enfim... O que é certo é que quando as engrenagens abrandam o ritmo, é vê-los a deitar mão ao bolso, procurando mais umas moeditas para mais uma volta de euforia e loucura salutar!

A nossa Feira é sempre uma mistura indecifrável de odores inimagináveis e indescritíveis. São os fritos, são os fumos, é tudo aquilo que se nos entranha nas roupas, na pele e na alma. É, enfim, tudo o que nos marca, como ferro em brasa, e marca a meninice e marca a juventude. Marca e marca até que a morte nos separe. Esta é a "nossa" feira. Goste-se ou não.

- Humm…cheiras a farturas… vens da feira! – e depois as enguias que nos deixam com água na boca só de pensar em lhes afinfar uma trinca, e que, propositadamente, se oferecem nas suas barraquinhas de rosto antigo (melhoradas em condições, claro!) para permanecerem fiéis à tradição!

A Feira é o emaranhado de gente que se atropela, que ri e que chora, enquanto se lambuza com o frango assado e o pão com chouriço, esquecendo, por um dia? por uma noite? – que seja! - as agruras de um quotidiano nem sempre agradável.

É o choro, os gritos, as birras dos mais pequenos, seguidos dos tabefes, sonoros ou abafados, de misericórdia ou não para os ouvidos de todos nós, parolos de uma santa terrinha que tanto maldizemos. Mas... tanto maldizemos como amamos e, em dia de feira, mesmo cheirando mal dos sovacos, cansados e cobertos de pó, brindamos esfuziantes com mais um copo, corpo abandonado a uma dança estranha e ondulante, da bebedeira ou da música que rodopia no ar e toma conta dos nossos sentidos – Ruth, Quim, Rancho ou outro qualquer.

É tudo isto que nos alegra o espírito e nos faz sentir que ali, naquele momento, nada mais interessa a não ser receber de braços abertos o que a Feira tem para nos oferecer. E nós queremos. Queremos até mais não. Queremos sentir o cheiro das farturas, ouvir as engrenagens dos carrosséis, rir da música parola que as bancas teimam em passar, regatear o pechisbeque, gozar do bêbedo que mal se segura nas canetas e vai discursando para o poste de iluminação, andar a coscuvilhar pelas barracas enquanto se faz tempo para ir às enguias, apreciar a arte de quem trabalha à mão e pensar que cada luz (vermelha, azul, amarela…) que ilumina o nosso rosto está ali, tão somente, para nós mesmos brilharmos com a Feira!

Mas, certo, certo, é que não falhamos com a nossa presença!... Esperamos o ano inteiro pela Feira de S. Mateus!... enchemos o recinto para ouvir a tal pimbalhada, de que afirmamos não gostar (é de bom-tom criticar esta cambada e a outra!), andamos de água na boca o ano inteiro para afinfarmos o serrote numa fartura, e nem nos lembramos dos fumos e dos cheiros.
Erguemos os olhos para o céu e em silêncio contemplamos o fogo de artifício, e somos surdos a todo o barulho!…

Nós somos assim, somos os parolos da Beira!... tecemos críticas à organização, nunca nos agradamos do programa, dizemos que é sempre a mesma coisa, que estamos fartos de Feira…
E depois…bem, depois instala-se a melancolia quando disparam os últimos foguetes e segue o adeus àquela que nos acarinhou durante 42 dias!... e num desabafo triste dizemos "agora só para o ano!".

Se tudo isto não é gostar da Feira, meus amigos, porque raio teimamos em lá ir?!

7 comentários:

explusiva disse...

Porque me mimais tanto senhor?!...
Esta insurrecta de nascença, que arroja palavras de dentro, merecerá vossa 'credentia'?

"Gutta cavat lapidem non vi, sed saepe cadendo; sic homo fit sapiens non vi, sed saepe legendo"

Bijux
Explusiva

Candidato a candidato a correspondente disse...

Posso ser correspondente na Lua? Em Saturo que esteve quase a ser despromovido? No Burundi? Na Aldeia dos Macacos, Zoo de Lisboa? Ó sr. Antunes Ferreira: então não querem lá ver?... Isto não é o Diário de Notícias onde você punha e dispunha até vir embora.
Correspondentes? Dexe-se de tretas... Nem mais um, tenho a certeza! Passe muito bem e sem desvarios

Anónimo disse...

Cláudia... e diz o Ferreira que sabes escrever? Arrotos é como classifico a tua escrita e as tuas ideias sobre a Feira... Arrotos podres, mais nada. Olha, bebe um chá.

ZÓRPIA - VITELAS disse...

Eu quero ser o correspondente da Travessadoferreira na "Cidade dos Anjos", a capital, do "País dos Sorrisos!

Antunes Ferreira disse...

Excelentíssimo Senhor Professor Doutor & + Fernão Zorpa Martins-Vitelas Minto

Fica imediatamente Vocência nomeado ad vitam aeternam correspondente plenipotenciário do travessadoferreira na angélica capital do País dos Sorrisos, ou seja Bangkok.

Esta nomeação tem efeitos imediatos, não carecendo, por conseguinte, de qualquer vacatio legis completamente irrelevante no caso vertente.

Fica, outrossim, Vocelência convocado a iniciar sem tardança alguma a sua culaboração, com o, em textos, fotos, gifs, o que bem entender em seu abalizado critério.

Amigão Zé Pinto: seja muito bem vindo! Contentíssimo fico com a sua disponibilidade e a sua oferta. Já está. A brincadeira inicial corresponde inteiramente à verdade.

Mande por imeile, tudo. De sua autoria ou de outrem que também queira participar nesta escalada aos Himalaias bloguísticos. E vamos chegar ao Everest!

Também tenho msn com o endereço haferreira@netcabo.pt. Tal como neste momento acontece - avante, que é uma festa! Até com o Marcelo e o Luis Filipe Vieira. Quem diria?

Carlos Manuel Silveira, Lisboa disse...

A Claudia Sofia escreve muito bem. Vê-se que tem escola; as citações latinas que usa - e de que, por vezes, abusa... - são disso exwmplo.

Sou professor de Português do 10.º ano, não interessa onde, muito menos quem sou. Se o Ensino está o que está - culpas repartidas entre políticos e, principalmente, sindicatos - ainda fico admirada com a forma escorreita que a Cristina (licenciada em?...)utiliza.

O «patrão» deste blog, já eu sabia da qualidade dele. Leio o Antunes Ferreira há anps, quase desde as calendas gregas. É um virtuoso da escrita porque domina a nossa língua como lhe apraz. Há, no seu caso, muita leitura, muita cultura - mas muita categoria. Jogo igualmente no ou nos livro/livros! Para quando?

Parabens ao blog. Bem os merece!

Ex disse...

Grata pelas suas palavras, professor Carlos Manuel Silveira. Desculpe o meu atraso no agradecimento, não por falta de educação, mas por falta de tempo.
Aproveito para salientar o merecido mérito dos Professores, felicitando-vos pelo vosso trabalho que, contra ventos e marés, naufragam num mar turbulento e lutam para que nós, pupilos buliçosos, jamais esqueçamos "Os Lusíadas"!
A todos Vós o meu obrigada.
Meu amigo, aqui lhe deixo mais uma expressão latina (para não quebrar o abuso!...): "A bonis bona disce"
Bijux
cláudia Sofia
(claudia.php@gmail.com)