quarta-feira, outubro 03, 2007



Saúde vai mal

Marta Bilro
O
sistema de saúde português ocupa o 19º lugar na tabela dos mais amigos do consumidor, entre os 29 países europeus analisados, segundo os resultados do Índice Europeu do Consumidor de Serviços de Saúde divulgado na segunda-feira.

A Áustria mereceu o primeiro lugar, com o seu serviço de saúde a arrecadar 806 dos 1000 pontos possíveis, seguido pelo sistema holandês (794 pontos) e pelo francês (786 pontos). De acordo com o ranking estabelecido pela organização Health Consumer Powerhouse, Portugal obteve 570 pontos.


As leis dos direitos dos cidadãos, o acesso directo a médicos especialistas ou o direito a uma segunda opinião foram alguns dos parâmetros considerados para estabelecer um ranking dos países cujos sistemas de saúde são mais favoráveis aos utentes. No que diz respeito ao tempo de espera, o serviço de saúde português obteve nota negativa, com apenas sete pontos num máximo de 15 pontos.

Na análise à mortalidade por ataque cardíaco, às operações às cataratas e aos cuidados dentários no sistema público os resultados relativos a Portugal são também negativos. Pela positiva destacam-se os baixos níveis de mortalidade infantil, a vacinação na infância e o sistema de informação de saúde por telefone. O direito a uma segunda opinião médica, o acesso a medicamentos inovadores e a sobrevivência ao cancro durante mais de cinco anos são indicadores que surgem em Portugal com resultado "intermédio".

O relatório sublinha os bons resultados no que diz respeito à mortalidade infantil em Portugal, porém frisa que o sistema de saúde português "não é tão avançado como o dos vizinhos espanhóis". De acordo com os dados do documento relativos ao gasto público anual por pessoa com cuidados de saúde, por cada espanhol o Governo gasta mais 15 por cento do que no caso português.

Doentes e desempregados

A notícia que transcrevo acima, do Farmácia.com.pt, não é agradável para nós, Portugueses. Primeiro porque somos os mal tratados – e os maltratados; segundo porque continuamos a coleccionar maus resultados em muitas disciplinas; finalmente, terceiro, porque a saúde é o maior bem dos homens. Que, muitas vezes, especialmente os que detêm o Poder, se esquecem disso. O que é lamentável.

Já sabíamos, quase todos, que o Serviço Nacional de Saúde estava longe de ser suficiente, quanto mais bom. A avaliação internacional põe em cheque não apenas Correia de Campos e o Governo de que é ministro da pasta, mas igualmente todos os Executivos que os antecederam. Um registo bem pouco simpático, num dia em que também veio a público a informação, igualmente negativa sobre o desemprego no nosso País.

Bem se pode tentar contrapor as estas realidades, tristes, que os primeiros três meses da nossa Presidência são considerados - igualmente a nível internacional - muito satisfatórios. Se as diligências que estão a concluir-se levarem a que seja assinado o novo tratado europeu, então outro galo cantará?

Nada disso. São dois temas e dois desempenhos muito distintos, direi até que não têm nada a ver um com o outro. É um exemplo típico dos alhos e dos bugalhos. Tem de se olhar para os indicadores em causa (e para outros) de frente, e pega-los de caras. A não ser assim, seremos louvados pelo desempenho europeu – mas, doentes e desempregados.
A.F.

(Fotos do Expresso)

4 comentários:

Octávio M., Setúbal disse...

Por este andar ainda verei este gajo a votar no CDS-PP. Um tipo que se intitula xuxa e agora vem dar porrada no governo e no «ministro da Saúde» é capaz de tudo.
Já parece a gentinha do PSD que tenta agora colar-se ao novo patrão Menezes para não ser saneada.
Pobre País, com tais safardanas!

A. Cunha Monteiro, Caldas da Rainha disse...

O Sr. Octávio de Setúbal é mal educado! Pode-se criticar sem usar os termos que usa. Também acho que a Saúde em Portugal vai mal. E que o aumento do desemprego é péssimo. Quando será que isto se endireitará? Por este andar...

Joaquim M. Amaral, Elvas disse...

É uma tristeza, que tem de ser denunciada. Os Portugueses começam a habituar-se a estar na cauda do pelotão, na esmagadora maioria das situações. Somos assim e está tudo dito. Será? Se não é, parece...

Wellington Almeida disse...

Bons textos. Descobri seu blogue pelo Google, ja adicionei aos favoritos ;) abraços