sábado, setembro 13, 2008




INICIATIVAS SORUMBÁTICO/TRAVESSADOFERREIRA
www.sorumbatico.blogspot.com/ www.travessadoferreira.blogspot.com/


Mais livros

Mais uma vez o Sorumbático e a Travessa do Ferreira se juntam para um passatempo conjunto. Desta feita, trata-se de adivinhar, até às 24:00 horas de quarta-feira dia 17, qual a altura (em milímetros e do lado das lombadas) da pilha de livros que aqui se vê.

Cada leitor poderá dar duas respostas (no mesmo comentário ou não), e o que mais se aproximar do valor certo terá direito a escolher dois dos livros da pilha.

Atenção: Se a afluência de concorrentes for muito grande, haverá um segundo prémio (outro livro) para o segundo classificado.

Boa sorte!

sexta-feira, setembro 12, 2008




POVÃO: OLHA LÁ!!!!!!!!!!!!!!!

Amanhã, Sábado, volta o tempo de concurso. A tal iniciativa dos Sorumbático & Travessa, como sempre. A correr – antes que se faça tarde!!!


MESMO A SÉRIO

…ao fundo do túnel


Antunes Ferreira
É sabido,
consabido e, até, multissabido (deixem-me pleonasmear ou neologismar…) que é universal a asserção «uma luz ao fundo do túnel». Em Portugal, Mário Soares ficou ligado a ela quando tentou alimentar as esperanças dos Portugueses num futuro melhor, aquando dos momentos realmente muito difíceis que se viviam nos domínios financeiro e económico, quando o FMI era um examinador impiedoso face ao aluno cábula, desleixado e mal comportado que o nosso País era. Ficou gravado nas memórias de quase todos nós um nome: Tereza Ter-Minasian. E por aqui me fico.

Políticos, dirigentes, empresários, religiosos (são apenas uns parcos exemplos da panóplia universalizada) todos eles usam a expressão e, frequentemente, dela abusam. Serve para tudo, mas principalmente para anunciar caminhos perfeitos ou quase que contentem os cidadãos quanto ao futuro.



É utilizada, tão repetidamente e por tanta gente, que hoje é uma prostituta vulgar. Podia ser uma call-girl eufemísticamente rotulada. Mas, não. É uma… mulher de vida fácil, a que normalmente chamamos uma meretriz, sem receios puritano-linguísticos, uma puta. Pobre afirmação. Na sua raiz uma intenção esplêndida; no dia-a-dia, uma acusação cáustica: rameira.

A que vem este arrazoado? O destemperado propósito (?) do incêndio ocorrido na quinta-feira no Túnel sob a Mancha. Desde a sua inauguração em 1994, aconteceram nele apenas dois desastres complicados, qualquer deles incêndios, As pessoas que o utilizam podem, naturalmente, comentar, olá, que boa trampa nos saiu esta prenda. Dois acidentes graves em 14 anos, para além de outros, menores, é obra, é preocupante, é o diabo.




Para os proprietários do segundo maior túnel do Mundo – registe-se, a título informativo e rememorativo que o primeiro é japonês – o comentário é bem outro. Em 14 anos de existência, só se verificaram dois eventos de proporções grandes e, felizmente, sem vítimas mortais em qualquer deles. Não é o caso do copo quase vazio para uns e quase cheio para outros: nele a água está a metade do recipiente. Quem não o está são os que emitem as opiniões.

O incêndio, de acordo com fontes oficiais, foi extinto umas quantas horas depois de ter deflagrado. Ele deveu-se a um camião cisterna que transportava materiais inflamáveis e que terá tombado. O fogo que aconteceu espalhou-se a outras cerca de 30 viaturas. Seis camionistas receberam cuidados hospitalares devido à inalação de fumo.

A Lusa e a RTP conseguiram contactar um condutor de um camião português, Eric Costa que informou que outros portugueses tinham sido também «encurralados» no Eurotúnel por via do acidente. As diligências para que se tivessem obtido tais resultados ficam com os seus autores, demonstrando, uma vez mais, que quando nos metemos de cabeça nas coisas mais complexas, conseguimos atingir os nossos objectivos. Somos, regra geral e como o tenho escrito, mauzinhos. Mas, por vezes…



Neste novo caso da passagem subterrânea do canal da Mancha bem se pode dizer que, para os que ficaram apanhados na ratoeira, foi muito difícil encontrar a famosa luz ao fundo do túnel. As conclusões do imbróglio seguirão dentro dos momentos que sejam considerados necessários. Há, porém, uma que já se pode apontar. Nele não dever haver acusações contra José Sócrates ou contra o seu Governo. Desta – safaram-se. O que é cada vez mais raro. Já quanto a Carlos Queiroz…

(Também publicado no www.sorumbatico.blogspot.com , no http://www.anonimasalina.blogspot.com/ e em mais uns quantos. Qualquer ainda me chamam fábrica de encher chouriços...)
Eu, pecador, me confesso...
OLÁ GENTE! ASSUNTO: RESPOSTAS

Palavra, palavrinha,

que não venho com desculpas ranhosas ou com o fado da desgraçadinha que andava no gamanço pedindo pró filhinho estrabeculoso. Juro! (Alto lá: quem mais jura, mais mente) Mas o facto – incontornável, inequívoco e censurável – é que me atrazo (com s) no praso (com z) que devia respeitar no que concerne às respostas aos comentários que, generosa e compassivamente, Vossas Insolências me têm enviado. Mas, não faço mais do que o meu dever (a quem? Quanto?): Vou alinhavando umas linhas que Vs.Is. bem merecem, mas já não chego para as encomendas. Nem com a prestimosa ajuda da estagiária de ajudante de auxiliar de praticande para sicratária que podem admirar na ilustração. Ela bem se esforça, tadinha, mas não consegue nada... Um homem não é de pau (o que é muito diferente de um homem de pau feito) e a pdi* já conta – e de que maneira. Claro que estulto seria se não reconhecesse que, por vezes, poucas, (gaba-te cesto...) a preguiça, pois é, não é? Donde, tenho esperanças de lá chegar, antes de chegar ao forno crematório… Muito obrigado Antunes Ferreira
# O que vos rogo, batendo ca mão no peito, é que tenham dó de mim e que continuem a mandar os vossos comentários, muitos, o que muito agradeço, e que merecerão sempre resposta, mas... sei lá quando. Isto é que vai uma crise, uma estranha crise. Portanto, não me deixem só, keuçou muito medricas... Mas não digam a ninguém...

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*Puta da idade, ca vossa licença

quinta-feira, setembro 11, 2008



Não há nada

como ir às fontes

O Carlitos entra na igreja chega ao confessionário, ajoelha-se e diz: «Sr. Padre, venho confessar-me; eu cometi o pecado da carne. Fui seduzido por uma mulher que se oferece, que se dá».Padre Francisco: «És tu, Carlitos?» «Sim, Sr. Padre, sou eu…» «E com quem estiveste tu?» «Ai Padre, isso não! Eu já disse o meu pecado... ela que venha cá também e confesse o dela».


«Repara, Carlitos, mais tarde ou mais cedo eu vou saber. Assim é melhor que mo digas agora. Foi a Isabel Fonseca?»«Padre, os meus lábios estão selados». «A Ritinha Sousa?» «Por mim, jamais o saberá...» «Ah! A Maria Manuela?» «Não direi nunca!!!» «A Rosa do talho?» «Padre, não insista!!!» «Então só pode ter sido a Catarina da pastelaria. Foi ela, não foi?» «Padre, isto não faz sentido...Estou mudo e sairei calado.»

O Padre rói as unhas desesperado e diz-lhe então: «És uma cabeça dura, Carlitos; mas no fundo do coração admito o teu silêncio e admiro a tua hombridade. Olha, rapaz, vais rezar vinte Pais-Nossos e dez Ave-Marias... E vai com Deus, meu filho...»

Carlitos sai do confessionário e vai sentar-se num banco da igreja. O seu amigo Pedrito desliza para junto dele e sussurra-lhe: «E então? Resultou?» «Se resultou! Tenho cinco nomes de gajas que dão umas marteladas!!!»

NE - O Maia Figueiredo continua em forma. Fosse eu o Comandante V. Moura e o tipo tinha ido aos Jogos Olímpicos de Beijing. Ganhava, sem espinhas, os 56,7 quilómetros das anedotas. Seria tiro e queda! A não ser que também eu fosse seleccionado. Aí, já a coisa fiava mais fino… (com algumas, ligeiras adaptações cá do je… A.F.

quarta-feira, setembro 10, 2008


Dois anões resolvem se divertir e vão para a zona. Depois de uns drinks, eles pegam umas meninas e sobem para os quartos. Mesmo estando animadinho, o primeiro dos anões não consegue ter uma boa ereção e por mais que se esforçasse nada conseguia fazer. Fica ainda mais desapontado quando ouve o seu amigo no quarto ao lado: «Um, dois, três e... jaaaaaá»!

Novamente o anão tenta se entusiasmar, mas ... nada. Passado mais alguns minutos ele ouve novamente seu amigo gritar: «Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaá»! O anão tenta se animar, encorajado pelos gritos do companheiro no quarto ao lado, mas ... nada. Nem sinal de vida!!!
Passado mais um tempo, ele volta a ouvir: «Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaaaaaá»!

Aí ele pensa: «meu amigo está se divertindo pacas... e eu aqui nesse sufoco sem conseguir nada« . E ouve outra vez: «Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá»!
Passada a hora do programa, os anões se encontram para irem embora, vê o amigo todo suado, descabelado, ofegante, e o que broxou comenta: «Pô! Foi uma droga! Por mais que eu me esforçasse, não consegui ter nenhuma ereção»!


- Ereção!? - O outro anão responde, perplexo . E eu, que nem consegui subir na cama ?




NE - Esta estorinha curta e gargalhástica foi-me enviada pela Amiginha {íSiS} de Sir Stephen que, deste modo, vem aumentar o número de colaboradores da Travessa, o que muito me apraz registar. Como é norma no Travessa, a grafia e as expressões vão no português do Brasil. Que adoro. Estão a ser dados os primeiros passos, tenho a certeza, do projecto que idealizei no domínio do relacionamento e da troca de saberes, experiências, valores, culturas, cores, sabores e sensações as mais diversas entre os que integram a lusofonia. Mas, não só. Da América Latina e de Espanha já há bastantes comparticipações. Espero que, com o ritmo possível, se juntem a nós bloguistas dos outros PALOP, bem como de outras nacionalidades de características latinas.

Todos os que vierem, com boa intenção, coração aberto, espírito sem teias de aranha, boa disposição q.b., fruindo da LIBERDADE e da DEMOCRACIA têm aqui um lugar onde podem exercer sem peias o que pretendem alcançar. Todos, ouviram, todos os que não se autoexcluirem por não quererem comportar-se normalmente - sem insultos nem agravos.

As polémicas sobre os mais diversos temas são muito bem vindas e as portas estão desde já abertas. Abertas? Escancaradas!!! A.F.

terça-feira, setembro 09, 2008





PoiZé

O Zé
Oliveira é um caricaturista e cartunista (ele prefere cartoonista…) excepcional. Chega a Queima das Fitas e os finalistas não o largam para que lhes apanhe as feições e os hábitos, com destino marcado, como o fado: o respectivo Livro de Curso. Nessas alturas, nem vale a pena tentar, sequer, encontrá-lo: já o encontrou a estudantada e ponto final. Directas são um passatempo danado para o Zé. Para o que lhe havia de dar. Dar, não, vender - e bem.

Conhecia-o de nome, apenas. Mas, por singular coincidência, a internet deu-nos o pontapé… de saída. Volta não volta, não é que descobrimos que tínhamos muitos amigos comuns, que assim e que assado, o malandro até sabia que eu tinha debutado nos bonecos (aliás fraquitos, para não dizer mauzitos) assinando como Rico. Isto, em Angola, onde o rapaz também tinha estado, fardado.

Daí em diante, olhem lá, fomos descobrindo uma quantidade de coisas que também partilhávamos e de gentes que igualmente. Ainda por cima, o fulano também era jornalista, de carteira e tudo, ainda que caducada. Mas, na verdade, não se pode ter tudo. Por mor do me(a)u «Morte na Picada» viemos a conhecer-nos de caras, sem qualquer intenção malévola - tauromáquica. De chipalas, como se diz pelas bandas angolanas. Foi em Alcobaça, onde fui fazer uma apresentação e promoção do livreco. Com a cumplicidade do Zé Lopes Fialho e da respectiva, a Elisabete artesã no vidro. Tudo isto depois contarei noutras linhas. Fica prometido.

O Zé começa hoje a colaborar aqui no nosso Travessa. Tenho, teremos todos, o maior prazer, o maior contentamento e a maior honra em acolhê-lo nesta casa que já é, também, dele. A secção – que será tão regular quanto lhe seja possível – é esta, o PoiZé. PoiZé mesmo.
Antunes Ferreira


MESMO A SÉRIO

A justiça portuguesa

não é apenas cega, é surda,

muda, coxa e marreca


Clara Ferreira Alves - No semanário «Expresso»
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.


Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.


E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos.

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida? Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?


Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.


Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa




NR - Mesmo sem pedir autorização à autora, mesmo sem o fazer também ao Expresso, mas mencionando e sublinhando ambos, aqui publico um texto, no mínimo, demolidor. E, cheio de razão. Não conheço pessoalmente a minha colega de profissão Clara Ferreira Alves. Mas conheço e reconheço os seus méritos que me levam a caracterizá-la uma GRANDE JORNALISTA. Assim mesmo, em caixa alta. Porque entendi que este artigo é oportuno, claro, desassombrado, honesto e vertical, aqui o deixo à vossa consideração. Digam-me o que pensam desta situação estranhíssima – e gravíssima. Obrigado. A.F.

sábado, setembro 06, 2008



VIRA O DISCO E… TOCA O MESMO

Hipocondríaco

Antunes Ferreira
bois que se exportam, há bois que se importam e há bois que… não se importam. A afirmação é calina de repetida, mas serve perfeitamente para mais este Vira o disco… e toca o mesmo. Porque esta é a estória dum exemplo destes últimos. Mais precisamente o Serafim Malaquias, porteiro, reformado da Função Pública, mas em muito bom estado. Na sua, dele, opinião.

Malaquias tinha casado pela quarta vez, era viúvo praticante, enterrara a Manela, a Julinha e a Lena, tadinhas. Especialista em gravata preta e fumo no braço, já se podia considerar um expert em velórios maritais. Mais correctamente, viuvais. De repente, descobrira a Micas, empregada na Fruta Fácil, FF, frutaria de qualidade, países de origem afixados, como mandava a ASAE.

Ver-te e amar-te foi-obra-de-um-momento. No Registo Civil, de que era frequentador frequente, tão bem o conheciam que já nem lhe pediram o BI. A Micas resplandecia, empunhando, qual Duarte d’Almeida, mas com mãos e calçadas de luvas brancas, o ramo a que alguns chamavam buquê. Vá lá saber-se puquê…

Tinha vinte e quatro risonhas Primaveras, enquanto que o Serafim já ia nos sessenta e muitos. Mas, o Amor não escolhe idades. O apartamento de porteiro, que já albergara a última donzela, a Lena, passou, assim a ter uma nova inquilina – a nova bis Miquelina da Purificação do Ó, para os amigos, Micas.

Especialmente para um amigo, o Necas, motorista afrutado e afortunado, que, na sequência de antigos mimos e carinhos e face à notória diferença etária dos esposos, vai daí continuou a atira-se à fruta micanita que era um vê-se-te-avias. Logo duas semanas depois do casório. Ainda por cima – ou por baixo, à vontade dos leitores. O Malaquias, alertado por alguém, deu-se conta disso.

Raio de sorte. Se três enterros já bastavam, agora vinha este – e dele. Nem pó. Fez-se por desencontrado, ainda que as más-línguas lhe chamassem já, não o porteiro do prédio, mas o corneteiro. Infâmias. Mas, como dizia o outro, vozes de burro não chegam ao… décimo segundo andar do imóvel. Ao décimo ainda vá que não vá.

Um belo dia, depois de a marcar com a antecedência devida na Caixa, foi à consulta do médico de família. Entrou, pediu desculpa do incómodo ao Senhor Dótor, mas queria préguntar-le se ele, médico, achava que ele, Serafim era hipocondríaco. O clínico retorquiu-lhe que, nos doze anos que levava de o ver, nunca lhe notara a mania de ter doenças.

E ele – mas ó sôr Dótor, isto aqui pra nós, a minha mulher anda a enganar-me com outro mânfio. Todos os dias de manhã apalpo a testa e vejo-me ao espelho. Não tenho dores e os cornos nem sequer estão a sair. Será por falta de cálcio?

sexta-feira, setembro 05, 2008



Peso a bordo

As companhias aéreas, com a crise do petróleo, estão a fazer economias tirando peso dos aviões.

A Emirates, a Singapore, a Dubai vão retirar os talheres de metal, a Air France, a Lufthansa e outras vão acabar com as revistas e jornais distribuídos a bordo, a TAP, a Iberia, a Qantas e mais umas quantas vão abolir as vendas a bordo. A Air Zimbabwe decidiu (democraticamente) eliminar os pilotos... por serem da oposição ao Mugabe BF

(Esta, com ligeiríssimas alterações, é da autoria do meu irmão Braz, que continua… gozão. É de famelga…)


Somos todos ciganos

Antunes Ferreira
Em tempo salazarento Portugal era o País dos três efes: Fátima, Futebol e Fado. Hoje, Portugal é o País dos três efes: Fundos, Finanças e Futebol. A História, por mais que queiram que ela mude constante e permanentemente, bem ao contrário vai avançando com bastas repetições, mas, sobretudo, com muitas adaptações.



Somos, aliás, uma raça de adaptados – e de adoptados. Costumo dizer que somos ciganos. Não os dos tiros, das desordens, das feiras, dos roubos, da droga – que os há, como é sabido. Se calhar, também possuímos um qb destes nos cromossomas a que temos direito. Porem, aqui, é outro o conceito. Para constatar que somos uma mistura aciganada, basta que miremos a nossa genealogia.

Os residentes sem cartão mas residentes, começaram, segundo dizem, por ser os protoibéricos. Na fila (antigamente eu usava bicha, mas hoje…) encontramos de seguida os ibéricos, os lusitanos, os romanos, os vândalos, os suevos, os alanos, os visigodos, os mouros, e diversos outros que não menciono para não esgotar as listas de registo e as respectivas certidões. Mesmo assim, convém não esquecer os fenícios e os gregos. Muitos.



nos primórdios da nacionalidade, conta-se com um bolonhês e cruzados das mais diversas origens, tonalidades e defeitos, sem certificados de qualidade e de proveniência. Isto tudo misturado – miscigenado para usar palavra erudita que fica sempre bem em escrito – foi originando o Português. E vieram os Descobrimentos. Mais achas para a fogueira. Pretos, indianos, malaios, chineses, coreanos, tailandeses, chinês, japoneses, timorenses. É obra.

Bom, já o tenho escrito, nós colonizámos sobretudo na cama. É esta comezinha constatação, no meu mais do que modesto entender, que pôde justificar a afirmação de que a nossa colonização foi diferente de outras, ou, mesmo, das outras. Não terá sido completamente assim. Mas quem é o escriba para assim perorar, se a mulher com quem casou de igreja e tabelião, é… Goesa?

Acrescento só mais uma pequena «ocorrência». O nosso terceiro e último filho nasceu em Luanda. Quando já nos reinstaláramos em Portugal, findos os anos de Angola, fomos registá-lo na Conservatória dos Registos Centrais. O zeloso funcionário encarregado de fazer o assento, perguntou o nome do rapazito: Luís Carlos etc. Natural de? Luanda. Filho de? Henrique torna e deixa, natural de Lisboa, freguesia de São Sebastião da Pedreira (há uma caterva deles). E de Raquel tal e modos, natural de Raia, concelho de Salcete, antigo Estado Português da Índia. Abreviando: as duas testemunhas arregimentadas à porta conservatorial, eram, um moçambicano, e o outro, damanense. Palavra de honra.


O agente administrativo apontou tudo cuidadosa e conscientemente, à mão, naturalmente, no livro de registos monumental, leu o escrito e deu para assinar. Finalmente, fê-lo ele próprio. Só por pura curiosidade e face ao fácies, perguntei-lhe de onde era. Do Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde.

Saímos, agradeci às testemunhas e paguei-lhes o combinado, já que nunca nos tinham visto, sendo que um era amigo de um primo da Raquel, da Beira e outro conhecido do meu sogro que fora director da Alfândega de Damão. E foram à vida deles. E nós, à nossa. Um slogan então muito na moda referindo a banca, saltou de imediato do Paulo o meu do meio: «Olha, agora és nacionalizado, nosso»…

E logo o Miguel, o primogénito, plantou uma alcunha no pimpolho com os seus quatro anos: «a partir de hoje, és o tuti-fruti».E depois, digam-me lá se somos ou não somos ciganos?

(Também publicada no www.sorumbatico e noutros, vários...)

quinta-feira, setembro 04, 2008

ULTÍSSIMA HORA (TMG)!!!!

HONRA E GLÓRIA AOS VENCEDORES

Concurso O crime na internet: FERNANDO ROZANO. Aplausoooooos!!!!!!

Consurso do Caminha: JOÃO RODRIGUES. Palmaaaaaaaaaas!!!!!!!

PARA EFEITO DE PRÉMIOS: Carlos Medina Ribeiro sorumbatico@iol.pt

Aqui ficam os agradecimentos aos concorrentes/comentadores - e o desejo que continuem a sê-lo. Queijinhos e abrações, convenientemente repartidos
UMA INICIATIVA DO SORUMBATICO A QUE O TRAVESSA SE JUNTOU

terça-feira, setembro 02, 2008

ÚLTIMA HORA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Concurso «O crime na internet»
Termina hoje, às 24:00 de Portugal, o prazo para a entrega
dos comentários. Ainda podem concorrer até a essa hora. Boa sorte!


VIRA O DISCO… E TOCA O MESMO
Uma nova posição


Antunes Ferreira
Algum tempo – mas pouco – depois do dia da Revolução, os trabalhadores da fábrica Meu Querido Patrão, já organizados em Comissão de, reuniram-se para decidir da gestão futura da unidade. O qu’rido bósse Serapião Sarzedas, mais conhecido pelo SS, basara apenas soubera do golpe. Gato escaldado…


Pessoal. Isto é para ir prá frentex! O orador, o Pinto, ganda pintarola, era já o Sicratário- giral. Vamos entrar por novos caminhos! Um dos presentes, a medo e à sorrelfa, perguntou – a pé, ou de vuátura? Ninguém lhe ligou pevide. Reaccionários sempre houve, carago.

Antes do mais. Quem é o camarada com piores condições aqui na empresa? Temos de ser todos iguais. O mesmo sussurro: mas uns mais do que os outros… Mau, Maria. Se descobrimos o sacana, é saneado e só não é fuzilado provisoriamente porque esta merda é uma revolução sem sangue, só cravos. Passaram à frente.

Era, indiscutivelmente, o Silva porteiro. Mil paus por mês, uma cagada em três actos. Pior: treze filhos, mulher ocupadíssima, ainda com tempo para fazer umas empadas para fora. Sempre ajudava. Pois’tá visto, o Silva. Chamou-se o homem. Camarada Silva, temos novidades para ti. O pobre do cidadão logo pensou para com os seus, dele, botões, estou frito, vou pró olho da rua, só m’acontecem desgraças, é tudo prejuízo, porra! Mas, nem piou. Falazar podia agravar…

Passas a ganhar dois mil e quinhentos escudos por mês e abono de família para os filhos. E, garanto-te em nome da CT, vamos arranjar-te uma nova posição! Estás contente? Se estava. Não lhe dera uma apopelacacia, ou algo assim, porque não calhara, nem tinha dinheiro para vícios. Amigos… (e o tal filho da puta sotto voce: camaradas, é o que agora se usa… ‘Da-se o gajo!)



Amigos, posso ir comunicar este monumento à minha Mariquinhas? Podes e deves. É pra já. E o Silva, ei-lo a correr desenfreado prá Graça, Rua sei lá de quem, quinto andar sem elevador. E sem GPS. Não sentia a quilometragem, muito menos as escadas galgadas a dois e dois. Nem se lembrou da chave. E boxeou valentemente a porta. Abriu-se. Ó homem-de-deus – o que aconteceu? Morreu alguém? Foste despedido? Nada, Mariquinhas, nada! Lá na fábrica vão arranjar-me uma nova posiçãooooooooo!!!!!

Um sorriso maroto na face dela:
-Ó homem!... Tu, também, só pensas nisso…



Esta é uma estória antiga, com barbas maiores do que as do Matusalem. Com ela, adaptada, que o mesmo é dizer embrulhada em papel novo, por este desgraçado escriba sentado nas pernas cruzadas à maneira hieroglífica, se inaugura a nova secção VIRA O DISCO… E TOCA O MESMO. Sem grande originalidade, diga-se. Mas bem melhor do que se fosse VIRAR A CASACA

segunda-feira, setembro 01, 2008

INICIATIVAS DO SORUMBÁTICO E DO TRAVESSA

Caminha (sem Fortes)

O facto de ter sido referida aqui a Carta de Pêro Vaz de Caminha, levou a que se decidisse promover um passatempo que, tal como o anterior, será feito em colaboração com o Sorumbático, e cujo prémio será um exemplar do livro que na imagem se vê.

Quanto ao critério para a sua atribuição:

Devido a uma perversa associação-de-ideias (com a peripécia do Marco Fortes, o já famoso atleta de lançamento do PESO), o livro de CAMINHA será enviado ao leitor que, até às 24h de quarta-feira, dê a resposta que mais se aproxime da correcta à seguinte pergunta:


Qual o PESO do livro?

NOTAS: o valor a considerar será o indicado (em gramas, sem décimas) pela balança que se vê na imagem.
No caso de haver mais do que uma resposta certa, o prémio será atribuído ao primeiro leitor que a der.

Boa sorte!

domingo, agosto 31, 2008



Artigo publicado no “Estado de S. Paulo” (31.8.08)

O nepotismo, o emprego

e o «Estadão»

Francisco Seixas da Costa*

Ao ler no editorial do “Estado de S. Paulo”, de sábado, 23 de Agosto, que o nepotismo era o produto residual “arraigado” da herança colonial portuguesa, senti reproduzida, pela multi-enésima vez, a referência à expressão em que Pêro Vaz de Caminha pede ao rei, na sua famosa Carta, emprego para um seu parente.

Talvez “porque hoje é sábado”, como diria Vinícius, dia em que os jornais se lêem com maior vagar, detive-me a reflectir um pouco no verdadeiro conteúdo do que foi escrito pelo cronista do “Achamento”. Ao formular a sua reverente petição ao rei, Caminha não estava a nomear ninguém para um cargo público, a colocar filho ou primo num gabinete ou numa sinecura paga pelo erário, na rentável administração de uma estatal, estava longe de pretender falsear um concurso público. Limitava-se a solicitar ao soberano, num tempo em que só a este cabia prover discricionariamente todos os lugares, no seu livre e indisputado arbítrio, um emprego para pessoa ligada à sua família. Assim acontecia em todo o mundo, de que Portugal não era excepção.



O pedido de Caminha, que se tornou num bordão referencial da ética pública brasileira, mesmo de quantos se não deram ao trabalho de ler o texto da Carta, passou a representar o exemplo tipificado de nepotismo, não obstante incontáveis contribuições posteriores terem ajudado a recortar, com bem maior sofisticação, essa histórica prática – e não apenas no Brasil, é claro. Para alguns, porém, a frase de Caminha permaneceu como um ferrete que terá marcado, por uma misteriosa eternidade, o DNA brasileiro, transformando-se numa herança ético-administrativa de raiz pecaminosa. Ela reemerge sempre como pernicioso ranço luso, nas horas em que a retórica de alguns oradores já esgotou os clássicos bebidos no “Reader’s Digest”. Não é este, como é óbvio, o caso do “Estado de S. Paulo”.

Neste reiterado uso do exemplo de Caminha subsiste, porém, um pequeno, embora quiçá despiciendo, pormenor: “nepotismo” não é nada isso. Trata-se de aproveitar a titularidade de lugares da administração pública para oferecer livre colocação a parentes (etimologicamente, a sobrinhos), passando a alimentá-los à mesa do orçamento. Nem mais, nem menos. E disso, convenhamos, Pêro Vaz de Caminha está inocente, sem necessidade de liminares ou recursos.

Longe de mim, como actual embaixador de Portugal, arvorar-me numa espécie de advogado-geral do tempo colonial. Bem me tem bastado, ao longo desde ano, ajudar à gestão póstuma das obras e graças do senhor dom João VI… Mas enquanto usufrutuário comum da bela língua que nos une, sinto-me no dever de colocar os pontos nos is, enquanto um novo Acordo Ortográfico os não abolir.

E relembrar que, no século 16, ser solicitado um emprego para alguém – familiar, amigo ou correligionário –, pedido formulado a quem tinha então o legítimo poder para o conceder, não configurava nada que se pudesse identificar com o conceito de nepotismo, nem sequer com a ideia de fisiologismo – impressiva expressão brasileira que passo os dias a tentar traduzir aos meus perplexos compatriotas, a quem a prática não é alheia, mas para a qual não dispunham de tão interessante instrumento qualificativo. Por isso, entendamo-nos de vez: Caminha não praticou nepotismo. Para confirmar isso, basta ler o vosso excelente Aurélio ou o nosso magnífico Moraes.

Mas por que razão, estarão a perguntar-se os leitores, terá o embaixador de Portugal tomado o “Estadão” como alvo deste seu preciosismo terminológico, quando o tema é recorrente em tanta outra imprensa? Por um motivo de oportunidade, que nada tem a ver com o nepotismo, mas que se prende com o emprego.

Sem que tal represente menor consideração pela restante imprensa brasileira, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente, talvez neste país se desconheça que muitos de nós, portugueses, sempre olhámos para o “Estado de S. Paulo” de forma muito particular. Nos longos anos em que, em Portugal, a liberdade não passava de uma miragem que se mantinha no horizonte longínquo, o Brasil acolheu, com imensa generosidade, muitas figuras que a ditadura salazarista alienava da vida cívica portuguesa. Nesse tempo, o “Estado de S. Paulo” destacou-se como porto de abrigo para algumas dessas personalidades, as quais, frequentemente, eram menos bem acolhidas por alguns compatriotas, aqui residentes, que não partilhavam ou rejeitavam mesmo o progressismo das suas ideias, porque haviam optado por se manterem próximos do regime que vigorava em Portugal.


Foi o “Estado de S. Paulo”, foi a figura honrada de Júlio de Mesquita Filho quem deu então uma mão solidária a vários profissionais exilados da imprensa portuguesa, bem como a outras figuras da Oposição ao salazarismo, oferecendo-lhes emprego, ajudando-os a reconstituir a sua vida e a sustentar o seu quotidiano. Nada disso era feito por adesão ideológica ou doutrinária, por qualquer interesse ou favoritismo, mas simplesmente por um sentimento de simpatia e pela partilha de uma magnífica e rara ética de solidariedade. Nomes como Vítor Cunha Rego, Miguel Urbano Rodrigues, João Alves das Neves, Carlos Maria de Araújo, João Santana Mota ou mesmo Henrique Galvão, puderam encontrar no “Estadão” um apoio essencial, nesse tempo de turbulência de suas vidas.

Por essa razão, por essa memória grata e afectiva que os democratas portugueses devotam ao “Estado de S. Paulo”, sentimo-nos livres para pedir que, quando um capítulo da nossa História em comum vem a lume, num dos seus editoriais, aliás sempre redigidos num excelente “português de lei”, o máximo rigor seja mantido. Achamo-nos, assim, no direito de exigir ao “Estadão”, com toda a cordialidade e imensa simpatia, a absolvição póstuma de Pêro Vaz de Caminha, que nunca pisou os terrenos pantanosos do nepotismo e se limitou a exercer o direito à solicitação um singelo emprego.

* Embaixador de Portugal no Brasil

Não são necessários mais quaisquer comentários. O texto foi-me enviado de Brasília pelo Jornalista José Fonseca Filho, proprietário e editor do www.nossabahia.net - que aproveito para aqui recomendar. Dois Amigos, o Francisco Seixas da Costa (já publicado aqui no Travessa) e o Zé Fonseca Filho, ficam uma outra vez registados neste blogue. Muito obrigado a ambos.



sábado, agosto 30, 2008

ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO!!!!!!!!!!!!!!




INICIATIVA DO SORUMBÁTICO E DO TRAVESSA

Passatempo e Concurso

O Travessa e o Sorumbático oferecem um livro policial (de Conan Doyle, Simenon, Chesterton, Agatha Christie, H. G. Wells ou Dick Haskings - à escolha) ao autor do melhor comentário que seja feito à crónica »O crime na internet», publicada ontem aqui no Travessa. Os comentários serão aceites até às 24h do próximo dia 2, terça-feira. Os textos a apreciar serão os que forem afixados neste nosso Travessa do Ferreira.
É com uma grande alegria e muita satisfação que anuncio este colaboração que se pretende muito frutuosa. Continuá-la-emos. Sem falsas modéstias nem arrogâncias espúrias, os nossos dois blogues são um exemplo de participação empenhada na blogosfera. E, tenho de aqui o registar, a ideia partiu do Carlos Medina Ribeiro. Eu acolhi-a, batendo palmas. Oxalá que também gostem.

sexta-feira, agosto 29, 2008




PINÇAMINTOS PROFUND…DÍÇIMOS

Pior do que uma pedra no sapato...
…só um grão de areia no preservativo…

O Maia Figueiredo voltou de férias cheio de tes…ura, humor, força e vontade de colaborar! O que nunca lhe faltou, tenho de o dizer. Continuamos, todos, a ter um gajo bué da fixe! Se dúvidas houvesse a respeito deste apreciador de irmãs da Ordem das Caramelitas Descalças até à Ponta dos Cabelos, SJ, este pinçaminto diz tudo. É só primeiro; outros virão. Não se riam muito. Mas podemos tentar bater o recorde das 122. Comparticipações, óbvio. Ou queriam que fosse o quê? A.F.



anonimasalina.blogspot.com

A Ana Anónima Salinas (att: sem s) abriu os taipais do seu blogue. A minha pupila tem olho (Chiça! Não é a pupila do olho). O título diz oké. Vão lá - imediatamente e em forca (com ç)! Comecei a também lá colaborar. Para já cos PINÇAMINTOS.

'tobrigadinho





O crime na internet

Antunes Ferreira
N
ão há duas sem três, dizia-se. Agora, sem margem para dúvidas, não há dias sem muitos. Leia-se: actos criminosos. Aqui há umas semanas rabisquei aqui uma «coisa» em que dizia, mais ou menos, «vou ali assaltar o banco e volto num instante». Agora, no mínimo, terei de utilizar muitos plurais. Demasiados, infelizmente.

Por estes conturbados tempos, há de tudo: para além dos já calinos assaltos a bancos e outros alvos, rouba-se, a dinamite em plena auto-estrada, mata-se quem quer que seja, sobretudo porque o infeliz tentou negar-se a entregar a carteira, o cartão de crédito, e muito mais. Como o nosso Povo comenta, mata-se, esfola-se, viola-se, vigariza-se e rouba-se.

Estamos feitos. Estaremos? Tudo aponta para isso. Os «brandos costumes» característicos dos Portugueses estão, como estavam os dinossauros, em vias de extinção. (Desculpe Professor Galopim, meti a foice em seara alheia, digo, sua…). E as imensas quantidades de armas que «andam por aí», como acentuava o outro, ajudam e participam. E entram, ao contrário dos testículos.

A violência, como tudo o resto, não é um exclusivo made in Portugal. Estende-se pelo Mundo inteiro, tem tentáculos aos milhões, pobre do polvo nas suas limitações. Mas, como dizia o Jacintinho de Tormes, tudo chega atrasado a Portugal, Zé Fernandes. Ou algo assim. Em «A Cidade e as Serras», o Eça botou lá tudo. Lixado, o Queiroz. Não me refiro ao seleccionador nacional, claro.



Realmente do seu Paris natal até ao seu País de origem, as coisas demoravam o seu tempo a chegar. Ainda que viessem de comboio – vinham au ralenti. Logo na Estação de Tormes, quando se voltou para trás, já a caminho da quinta, e viu o zeloso chefe inclinado no cesto do lixo, a apanhar avidamente as revistas de mulheres nuas que trouxera da Cidade-Luz, ele acentuara a ideia mater.

Até as modas. As de senhora e as do procedimento. Diabo. Entrámos, portanto, no crime violento – atrasados. Sorte malvada. E não se diga que tal acontece por sermos… um País periférico. A União (???) Europeia, ainda e só considera a (des)qualificação para a Madeira e para os Açores. Nada disso. Progredimos à nossa velocidade de cruzeiro, mas progredimos. Devagarinho? Não nos podemos cansar muito. O clima-que-temos é quem paga as culpas.


Quando escrevo estas linhas, acabei de ler, no CM, que «são jovens, moram nos subúrbios das grandes cidades e apelam ao crime de forma directa. Ostentam armas, objectos roubados e desafiam a polícia. Estão espalhados na internet, não escondem o rosto e definem-se como bandidos». Ou seja, as novíssimas tecnologias aplicadas ao crime. Estamos bem. Estamos na onda. Somos bué da fixes, actualizados. Progredimos.

O combate a e, sobretudo a prevenção destes procedimentos, vai ser duro, complexo e dificílimo. Vencê-lo-emos? Seria bom que, no mínimo, o limitássemos e o fossemos atenuando. Singular convergência: PR, Governo, Oposição e PGR estão em consonância. Ainda bem. Neste particular, não há lugar para os famigerados «brandos costumes».

(Também, e como habitualmente, publicado no http://www.sorumbatico.blogspot.com/ e, a partir de agora, também no www.cariricul.blogspot.com e no www.anonimasalina.blogspot.com. Ufff...)

Fotos (de cima para baixo):
Arquivo
CM
Arquivo
CM
Aqui agradeço a posteriori ao Correio da Manhã onde encontrei e de onde surripiei... estes «bonecos»

quinta-feira, agosto 28, 2008




NA ROTA DO CALENDÁRIO

Em Agosto há mar e mar…

Maria Lúcia Garcia Marques
A-GÔS-TO é um mês opulento, encorpado e algo autoritário. Em tom rude e baixo, seu nome rola-nos na garganta, redondo e cheio como um seixo nas ondas. Por isso cheira a mar. Qualquer que seja a nossa “história marítima” pessoal, o que é facto é que este é o tempo infalível da revisitação do mar. Tempo a que chamamos “férias” e que desta relação colhe uma especial ressonância e se alarga numa trégua plena de reverberações.


Porém, por mais voltas que dê ao meu imaginário poético ou à evocação feliz das praias da minha infância, o mar continua para mim um respeitoso temor sempre presente. Reconheço-lhe, na sua movente imensidão, no brilho e na solenidade das suas colorações, na misteriosa e incessante obediência das suas ondas rolando, até na indolência com que se espraia por paraísos tropicais, uma nobreza e uma autoridade cósmica que justificam todas as procelas ou porte irado.
Mas não esqueço nunca as diferenças radicais das nossas naturezas: nem mar chão, nem mar de leite, nem mar de rosas, nem o que quer que se lhe chame e lhe dê feição acolhedora me levam a que me entregue e me confie e nem sequer me atrevo a um fora de pé emancipado: refresco-me, baloiço-me um pouco, ondeio quanto posso nas águas de uma segura profundidade e retiro-me, algo retemperada, grata sim, mas des-confiada sempre.



Porque o mar é lindo mas é também traidor, é senhor natural de mil maravilhas mas é também cioso guardador de vidas e bens que rouba sem dó. Deixou-se povoar de lendas e medos e veste-se desse mistério para acordar sonhos loucos de aventura e histórias de amor letal. Amor tão irremediavelmente íntimo que há quem se lhe entregue em estado de prova permanente, medindo forças para colher extravagantes vitórias, cavalgando o seu dorso rebelde em viagens solitárias, só pelo prazer de o sentir domado ou, no mínimo, complacente. E deve haver aí uma doação tão forte que não permitirá jamais vencedor ou vencido mas tão somente duas vontades que, sendo de natureza diversa, se entendem no milagre de um encontro único, num diálogo sem palavras mas de gestos precisos e sábios, na frágil mas perfeita conjugação do tempo da acção e do tempo da espera, do agir concertado com a oportunidade adivinhada, desaguando, nos casos felizes, numa inominável e quase orgástica sensação de plenitude, numa comunhão sem outra igual.


Foi por certo esse o filtro que enfeitiçou Amyr Klink, o brasileiro das navegações solitárias (uma travessia do Atlântico em barco a remos da costa de África até ao Brasil, seguida de uma viagem de circum-navegação da Antárctida ...), que, para além de tudo, nos consegue deliciar com as descrições dos seus diários de bordo, reveladoras, a par de um rigor técnico absoluto, de um invulgar pendor literário verdadeiramente genuíno e não raro comovente. Vale a pena acompanhá-lo nas suas histórias evocadoras de um mar diferente, muito amado e profundamente vivido.

Aqui vos deixo duas delas. A primeira sobre as ondas, suas companheiras de toda a hora que foi classificando ao seu jeito muito próprio:

As “madames” eram ondas imensas, de crista e colares formados por espuma branca, mas que, com toda a pompa não faziam mal nenhum. As “fresquinhas” não eram grandes mas passavam chamando a atenção e se sobressaíam bem. As “cuspideiras” eram ondas sempre pequenas, porém, mal intencionadas. (...). As “comadres” pareciam amigas, mas nem sempre eram de confiança. De vez em quando acertavam no barco por trás. E havia ainda as “perdidas” que chegavam sempre com mar agitado, atacando por todas os lados, tornando difícil o controlo do leme. Mas as piores de todas, imensas e traiçoeiras eram as “madrastas”, que podiam alcançar nove metros e me deixavam desprotegido e vulnerável.

A segunda, datada precisamente do final de Agosto, a comovente história de um tubarão muito peculiar que lhe apareceu a meio do Atlântico:



Era uma madrugada escura de tempo encoberto, sem traço de estrelas ou luar. Estava remando desde cedo procurando bem à popa o clarão por onde deveria nascer o sol. (...). O tempo não andava muito católico e eu aguardava ansioso as primeiras luzes do amanhecer para ter uma noção de como seria o dia. O mar poderia, às vezes por algum tempo, parecer o mesmo, mas o céu nunca. (...). Os primeiros sinais do dia que estava para nascer revelaram sombras escuras no horizonte. Não havia céu. Nuvens grossas corriam com o vento forte, baixas, não deixando espaço para o sol sair. Sem deixar os remos, eu olhava as nuvens tentando descobrir uma saída para o sol. E entre elas surgiu um vazio alongado por onde escapou a primeira luz do dia.


Aos poucos o escuro foi-se diluindo em direcção ao nascente e os encontros desse vazio tomaram uma forma achatada e definida que acompanhou as nuvens. A luz vermelha do dia entrou por ali, deixando claramente definido o formato de um tubarão. Incrível! Não tirava os olhos da estranha formação: um tubarão vazado no céu. Um perfeito tubarão! Uma pequena nuvem invadiu o vazio formando um olho. Outra desfiou-se mais em baixo. Era a boca. Barbatanas, cauda, proporções perfeitas. Não podia acreditar!




Tudo em movimento. O vento carregando as nuvens. Não parei de remar; continuei olhando ... O tubarão permanecia inteiro. Levemente passando do vermelho para o amarelo, os seus traços pouco a pouco se tornaram indefinidos, vagos, mantendo uma figura perfeita que parecia envelhecer. A pequena nuvem que fazia o olho derreteu-se e escorreu como uma lágrima arrancada pelo vento. E, por dentro do tubarão, o dia nasceu. No diário deixei escrito: “E o tubarão amarelo envelheceu e morreu chorando”.



(Amyr Klink, “Cem dias entre céu e mar”, ed. Companhia das Letras, 1995, S. Paulo – Brasil)