sábado, abril 15, 2006
Amigos - alguns há
Numa quadra como esta que atravessamos com maior ou menor – ou nenhum – fervor, permanecem no local do pensamento, a que chamam cérebro, alguns elementos no mínimo, imprescindíveis. E ainda que corra o risco de entediar aqueles, creio que poucos, que ainda têm a subida paciência de ler estes gatafunhos informatizados, eis que, de novo, o tema da Amizade emerge num mar de águas paradas.
Já não preciso de explicar as minudências que ligam os amigos. De resto, as explicações são cada vez mais indesejadas, rarefazem-se, são uma espécie de lince da Malcata. E não se antevê nenhum programa, sequer intenção, de salvá-las desse cemitério dos elefantes onde o marfim abundava. Hoje, é o que se sabe. Daqui a pouco nem os proboscídeos.
Tenho, como já repeti até à exaustão, amigos de todas as qualidades, cores e feitios, espalhados por este orbe de que vamos dando cabo tranquila e paulatinamente. Desde benfiquistas até portistas, é um leque tão amplo como o que percorre o traçado do CDS ao BE. Por que bulas não havia de ter, outrossim, alguns saudosistas?
Sem adiantar muito, um exemplo apenas desta filosofia. Acabo de fazer compras pascais num hipermercado. Até aqui, o corriqueiro. Uma vontade aconchegada de verter águas contra a parede levou-me aos sanitários. Se calhar por mimetismo, se calhar pelos vasos comunicantes, aconteceu que entrei num dos privados. Fechei a porta, naturalmente, e eis-me perante as típicas amostras da veia grafítica lusitana.
O clássico «neste logar solitário…», assim mesmo com o; o refinado «o Joãozinho leva no…» e por aí fora. No meio do labiríntico fraseado, dois mimos: «SEXO SALVAJEM. Olá, eu sou a Jara. Fasso tudo. Telem…»; e, ao lado, em maiúsculas garrafais – VOLTA SALAZAR. Exactamente. Sic. Sem qualquer ponto de exclamação. Afirmação ou desejo? Venha quem vier – e escolha. Para porta de cagadeira, não está, de todo, mal, convenhamos.
Esta conjugação de alguma forma feliz do sexo salvagem com o frade de Santa Comba tem que se lhe diga. Diz-se que a salazarenta personagem teria morrido virgem não fossem duas fêmeas. Muitos, alegadamente bem informados, referem como a primeira a Senhora Maria, sisuda governanta do Esteves, embiocada a negro, aparentemente assexuada, mas…
Outros, porém – nada disso. Quem o levou ao castigo foi a francesa, jornalista, a Cristine Garnier. Que o entrevistou nos anos 50 e, depois… As fotos do entrecruzar de olhares entre o ditador de pacotilha e a redactora estão espalhadas por aí. E, se não houve nada, então o mosntro era mesmo capado. Das pupilas, duas, nem falar.
De qualquer forma, o amigo Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca todo-poderoso, talvez o mais íntimo do Oliveira Baltazar, perdão, Sal-azar, e muito provavelmente seu pseudo confidente (o Botas, ao que consta, não os tinha) nem que fora seu confessor confessaria algo assim. O segredo é a alma do negócio, dizem os tratantes do comércio. E a grandeza do confessionário, dizem os tratantes da alma.
Tem o escriba um Amigo que não classifica, nem quer fazê-lo, politicamente. A não ser pela negativa. É o que eu chamo um gajo porreiríssimo. Até pertence ao grupo dos leões de Alvalade. Sem o Miguel Galvão Teles que é mais um do gang sucio. Tradicionalista, homem de palavra, conceitos rígidos, enformados no passado. Mas, um Homem de Bem, que não deixa um amigo só, nomeadamente em momentos mais críticos.
Escrevi mal, atrás. Mea culpa. Assim, tento aqui traçar-lhe o perfil, que para retrato a óleo não tenho aptidão. Nem pachorra No que concerne à política (a que ele chama politiquice), comunas, nem vê-los. A terminologia que aqui se usa é dele. Bloquistas, al paredón. Socialistas, os maus da fita. Maus? Péssimos. Escapa um que outro para se aplicar o teorema da excepção. Para ele, sou um xuxa, com cartão e tudo. E dos primeiros, o que, não fosse eu seu amigo, seria circunstância inapelavelmente agravante.
Acertámos, vão uns tempos, um trato: nada de política nas nossas conversas. Mesmo assim, ele descai-se, ao que se segue um sorriso meio malandro, meio de cumplicidade. Eu, que antes ripostava com muitas pedras na mão, hoje – nem pio. Tudo bem.
*****
Vejam-se alguns exemplos, aleatórios: José Sócrates, além de falso engenheiro (nem sequer se chegou à alameda Afonso Henriques, quanto mais o Técnico) é o paneleirote. Perdoar-me-ão o escrito, mas é a reprodução ipsis verbis. O parceiro, que é o actor X, até foi nomeado director do Teatro… do Porto.
O Vitorino não é do Governo, mas é um gatuno. De alto coturno. Não acreditam? Para já não falar no que anteriormente se passou, veja-se agora o caso Bragaparques. Não subsistem quaisquer dúvidas. Se não fossem as influências do poder socialista, tão corrupto como o citado António, já o pardal de perna curta estaria em…, sei lá, Caxias, Peniche ou Tarrafal, aqui com o necessário beneplácito do Presidente de Cabo Verde.
O gajo da Economia – o Manuel Pires – é uma besta chapada. Tudo aquilo em que se mete dá buraco. O homem é tão mau que já lhe foram tiradas todas (ou quase todas, vá lá) as competências que teria. Querem mais? O famigerado Plano Tecnológico, que é, igualmente, um atoleiro e não avança nem recua: faz que anda mas não anda, como dizem os brasileiros. O homem que se cuide. Um destes dias nem no Porto o deixam entrar.
O das Finanças, um Zé do Telhado a la socialista: tira aos ricos, para… não dar aos pobres. Teixeira dos Santos é duplamente culpado. Por ser o Ministro das Finanças e o manda-chuva da Administração Pública. Reforma do Estado? Qual? Cento e muitas medidas? No papel, que é o que só faz este governo governado. O professor da Faculdade de Economia da Cidade Invicta já deu o que tinha a dar: porrada nos contribuintes, aumentos de impostos e, até, persegue os que fogem ao Fisco. Coisas...
Segurança Social? Qual? Quem é que mais se abotoa com massas que são de todos nós? Como? O titular da pasta é um pateta que quando abre a boca entra um regimento de moscas. Enquanto isso, mete a mão nos bolsos dos reformados, com a cobertura do Fernando portuense do Terreiro do Paço. De resto, um destes dias, tal como esta dupla sinistra já avisou, acabam-se os euros e os cêntimos e fina-se a dita Segurança. E anda um pobre-de-cristo a descontar uma porrada de anos para isto…
O Costa da Justiça? Então não viram maior cavalgadura? Por causa dele, a citada Justiça é só in. Tinha alguma coisa que se meter com os juízes? Com os Magistrados do Ministério Público? Com a Polícia Judiciária? Com os advogados? Com os funcionários judiciais? Até mesmo com os coitadinhos dos réus? A propósito. Grassa por aí o mais desenfreado banditismo e o crime aumenta todos os dias exponencialmente. E o poder assobia.
Donde, o outro Costa, da Administração Interna. Em vez de atacar a gatunagem, os falcatrueiros, os assassinos, os escroques, os chulos, os traficantes, os colarinhos brancos – o gajo ataca as forças de segurança. Nunca tal se viu, manifes de polícias e correlativos (a não ser num Governo laranja, mas foi caso espúrio, ainda que tenha sido o primeiro). Não há agente da PSP, não há soldado da GNR que o não abomine. Nem a Polícia de Fronteiras escapa, meninos.
Poderia ir por adiante. Focar o caso do louco Campos da saúde… Mas encerro com o traidor. O execrável Freitas das Necessidades – e das necessidades. Não contente de ser um trânsfuga, um vira-casacas, um safardana, ainda se dá ao luxo de defender os árabes e vituperar os cartonistas dinamarqueses. Ora essa! Onde está a liberdade de criação? Temos de nos pôr quotidianamente de cócoras – e voltados para Meca?
Ora aqui está. Não temos um governo – temos um boião de propaganda. E a ser governo, é tão só virtual. Não existe uma acção verdadeira. Há só promessas e projectos. Já nem se passa do papel; não se sai, sequer, do teclado. Este País assim não se safa. Enterra-se cada vez mais. Enterra-se? Já está enterrado, nem os pés prá cova já tem direito a ter. É um refrão. RIP.
E o que, apesar de tudo isto, o Executivo já fez? Sem comparação com qualquer outro anterior? E a coragem que exibe e usa? E o que já deu publicamente conhecimento do que começou a fazer e continuará? E a realidade? E o MIT? E o Bill Gates? E a energia eólica? E a informatização do País? E a aposta na Ciência e na Investigação? E a moralização na Segurança Social? E a justiça tributária? E a redução do malfadado défice? (Que, anote-se, e ainda segundo o senhor em causa, é de inteira culpa do Guterres). Olhem lá: lembram-se do lobo e do cordeiro?
Exaro aqui, de vontade própria e sem que ninguém mo tenha solicitado: subscrevo 92,5 % daquilo que o Executivo tem feito. Estou seguro que ninguém tentaria sequer encomendar-me o sermão. E não se trata de apoio por solidariedade partidária. Que fique claro: José Sócrates e a sua equipa já fizeram mais neste período de governação do que outros ao longo de décadas. Com coragem, determinação e objectividade. Até com teimosia. Talvez disparando simultaneamente em demasiadas direcções. Aqui, nem o Lucky Luke.
Pois é assim, gente. Este cidadão que vos pintei é anti-socialista primário, binário, terciário e quase septuagenário. É absolutamente real. Vive. Creio que amargurado, mas vive. Os amigos ficam contentes com isso; entre eles, eu.
quarta-feira, abril 12, 2006
Esta é uma história inqualificável. Ponto final. O travessadoferreira.blogspot com tem de a registar. Por todos os motivos – e mais um. Os Bórgias passaram; o cardeal Richelieu passou; o Mussolini passou; o Franco passou; o Estaline passou; o Hitler passou; o Ku Klux Klan passou; até o Salazar passou.
Estes novos ditardorzitos rastejantes que por aí proliferam já passaram. Por vezes ainda vêm ao de cima da merda em que se auto-enterraram, com a veleidade de saírem do lúmpen que são. Para arrotarem postas de pescada. Com bocas escancaradas onde nem sequer as moscas varejeiras se arriscam a entrar por mor do fedor inquinado.
Aqui fica a transcrição dessa pulhice, tal como o meu caríssimo Oscar Mascarenhas ma transmitiu. Porra, Amigos! Há quem não saiba que o 25 de Abril aconteceu real e verdadeiramente. Mais precisamente em 1974.
CT da Lusa questiona trabalho de Oscar Mascarenhas
Maria José Oliveira
Jornalista apresenta "propostas" para livro de estilo e até hoje não assinou qualquer trabalho jornalístico
A situação laboral de Oscar Mascarenhas na agência Lusa foi questionada pela comissão de trabalhadores (CT), num comunicado do dia 16 de Março, por aquele jornalista ter sido contratado em 2003 para, entre outras tarefas, prestar apoio na elaboração de um livro de estilo que "tem tido anúncios sucessivos, sem resultados correspondentes ou explicações para esta ausência".
Os trabalhadores apontam que num rol de "movimentos de pessoal polémicos" destaca-se "a contratação de um jornalista [Mascarenhas] para assessorar a administração, função que a pessoa acumulou com a presidência do conselho deontológico do Sindicato dos Jornalistas, tendo regressado à função jornalística clássica após a mudança de administrador [substituição de Luís Delgado por José Manuel Barroso]".
Mascarenhas começou a trabalhar na Lusa em Julho de 2003, a convite de Delgado, então administrador-executivo da agência, tendo acumulado esse cargo com a presidência do CD até Dezembro de 2004.
Como nota a CT, o antigo redactor do Diário de Notícias e ex-editor do Jornal do Fundão foi contratado para assessorar Delgado num "conjunto de tarefas" que incluíam a formação deontológica dos jornalistas da agência noticiosa e "renovação permanente do livro de estilo".
No I Encontro de Quadros da Lusa (2004) foi dada a garantia de que Mascarenhas apresentaria "um livro de estilo renovado" até ao fim desse ano. O anúncio não passou disso mesmo e em Outubro do ano passado, já sob a administração de José Manuel Barroso, a direcção de informação da Lusa divulgou que o jornalista iria deixar de assessorar o administrador para redigir trabalhos "escolhidos entre os de maior responsabilidade" e que exigissem uma "preparação mais cuidada e aprofundada". Foi-lhe atribuída a "categoria de redactor principal do Grupo I, Escalão 5" e um salário mensal de 3734,74 euros. O PÚBLICO apurou que, desde a sua contratação, o profissional não assinou qualquer trabalho jornalístico.
Considerando as questões suscitadas pela CT como "infelizes", Mascarenhas disse ao PÚBLICO desconhecer a data de conclusão do livro de estilo, frisando que está a "preparar propostas". "A única entidade representativa dos trabalhadores que não tem nada a ver com o livro de estilo é a CT. A lei não lhes concede legitimidade", acrescentou. Sobre a sua situação na Lusa, escusou-se a reagir: "Não me pronuncio sobre isso."
Resposta de um Jornalista
Talvez um dia me lembre de assinar um «trabalho jornalístico aprofundado, cuidado e de grande responsabilidade» sobre o que leva o jornal Público a fazer duas notícias, no espaço de três semanas, a partir de um mesmo comunicado da Comissão de Trabalhadores da Lusa. Calhou-me agora a mim estar na berlinda por causa da revisão do livro de estilo da agência. Uma jornalista do Público questionou-me sobre o assunto, vai para dez dias, em termos bastante respeitosos, tratando-me até, como julgo merecer, por «senhor». No entanto, no prolongado parto da notícia, a jornalista não encontrou espaço para publicar sequer o essencial do que eu lhe disse, por preferir, no seu inquestionável critério, dar notícia do que eu não achei apropriado comentar – e de assuntos sobre os quais nem sequer me perguntou. Registo esta notável aplicação prática do preceito ético de «ouvir as partes com interesses atendíveis no caso».
Tenho de gastar algum espaço do Público para resumir o que disse na conversa que mantive com a jornalista. Com afabilidade e pedagogia, expliquei-lhe que a elaboração ou revisão de um livro de estilo é um processo interno de uma redacção, não pode ser imposto sequer pela Direcção, uma vez que contém matérias deontológicas, objecto de auto-regulação dos jornalistas. Tem de ser discutido e aprovado pelos jornalistas, em plenário ou através do seu Conselho de Redacção. Por isso, mesmo que uma Comissão de Trabalhadores de um órgão de informação fosse composta só por jornalistas, ela não teria competência atribuída para se pronunciar ou sequer ser informada sobre o debate do livro de estilo – seria uma intromissão numa área de competência exclusiva das estruturas dos jornalistas. Sobre o que fiz ou não fiz nessa matéria, expliquei à jornalista que não poderia revelar, sob pena de estar a tornar pública uma informação para a qual não estou habilitado. Mas há quem de direito, na Lusa, que o saiba. É quanto me basta. Custa-me deixar insatisfeita a curiosidade da jornalista do Público e da Comissão de Trabalhadores da Lusa. Mas tem de ser. Ao público do Público pesa-me tê-lo maçado com um assunto que, como diria José Saramago, não lhe faz cair as escamas dos olhos. Sirvam-se sempre desta minha excelente disposição!
Oscar Mascarenhas
*** * ***
Humildemente, eu
Oscar, irmão
Este nosso país é uma merda carregada de invejosos/medíocres/inúteis. Face ao que contas – e para além do recurso ao tradicional pqp – fico assarapantado; não devia ficar, nos dias que vão correndo – mas ainda fico.
Um Jornalista (escrevo, convictamente, com caixa alta) como tu, não tem que provar nada a ninguém. Um Homem como tu, não tem que se submeter a qualquer CT, que, ainda por cima, não tem que se meter, como muito bem acentuas, em casos destes. Não vá o sapateiro além da chinela.
Um Livro da Redacção é… um livro que a Redacção utiliza, ou deve, ou tem de utilizar para uma redacção escorreita do que lhe competir produzir. Leva muito tempo a elaborar? Obras destas não se fazem num fim-de-semana, muito menos sob pressão de quem quer que seja. E ainda que prazos sejam prazos – quem os impõe? Ou o autor a si próprio, ou alguém que tenha contratado esse trabalho intelectual com o escriba.
E ainda que estes, no Egipto faraónico, escrevessem agachados, nos dias de hoje quem se puser de cócoras não o é. Será, tão só, um estagiário de ajudante de auxiliar de praticante de apara-lápis. Note-se que, por estes dias, lápis é objecto em vias de extinção e sem um Spielberg que os tente reabilitar e ressuscitar.
Um dia (que nunca esqueci, esqueço e esquecerei) quando fui eu próprio vítima de uma canalhice – mais uma… - tu foste, dentre os nossos camaradas (?) jornalistas (?), o quase único Amigo e Profissional que se levantou para, sem receio, muito menos tibieza, sair em meu auxílio, dizendo publicamente que não autorizavas ninguém a duvidar da minha honestidade. A partir daí, cimentei o que já interiorizava a teu respeito. Ainda que um Amigo seja melhor do que um irmão, tu passaste a ser para mim as duas coisas.
Foi quase a história do leão moribundo. Felizmente sem o fim no forno crematório. Bem tentaram muitos – muitos camaradas (?) de profissão – passar-me a certidão de óbito antecipada, o que, pelos vistos, lhes dava muito gozo. Só que não me acobardei. Por vezes isso acontece-me. E com um Homem ao meu lado como tu, Oscar Mascarenhas, foi-me muitíssimo mais facilíssimo sair do bueiro.
Sabes bem que os Árabes tiveram carradas de razão quando enunciaram o rifão «Os cães ladram, mas a caravana passa». Ao longo de uma vida profissional impoluta e magnífica, nos meios de comunicação, no nosso sindicato, nas comissões em que, por direito próprio, participaste, como Cidadão interveniente a diversos níveis, foste motivo de admiração e encómios. Justa e justos.
E agora pretendem uns quantos meter-te na lama de um atoleiro falsificado. Tenho de dizer que nem um só salpico te atinge. Não o merecerias se tal acontecesse. Não o mereces. E não acontecerá.
É a minha vez de te dizer – e a uns tantos – que estou ao teu lado, para o que der e vier. Não invoco uma qualquer solidariedade espúria. É assim – porque é assim. E porque me dá prazer. E porque sei de certeza feita que tenho as minhas razões, mas tenho, sobretudo, a minha razão. Em nome de quem te admira não falo, pois não me foi passada procuração. No meu – estou aqui. Contigo.
Obviamente, considera-te abraçado, se fazes favor.
Henrique, o Antunes Ferreira
NR – Vou meter este fdp de imbróglio no meu travessadoferreira.blogspot.com, mesmo que não estejas de acordo…
sábado, abril 08, 2006
Trocas e baldrocas
Trocas de galhardetes a sério são as dos futebois. Já foram mais. Mas, agora, são o que são e valem o que valem. Mas há, ainda e também, as outras. Quando dois fulanos começam a escrever bem um do outro – cuidado. E embora se saiba que cão que ladra não morde, dois a fazê-lo (salvo seja) alternadamente são, no mínimo, preocupantes. E há, ainda, a velha questão de se saber se os canídeos sabem do rifão…
Já o escrevi – e o joliva¬_santos@netcabo.pt também assim procedeu. O Muito cá por Casa que o sôr gajo acarinha e publica é um primor. Cuidado com amor, produzido com competência, paginado com arte, o blog é motivo de satisfação para quem o visita e a isso se habitua, como é o meu caso. E ainda que a Margarida (que eu não conheço pessoalmente, mas que deve ser senhora para se pôr num altar, pela paciência e persistência…) se queixe de que o Muito cá por Casa anda muito lá por casa, e o malandro do caro metado se faça de novas, as coisas são o que são - e o que tem de ser tem muita força.
Mas o camaradão-joão, não contente do enorme trabalho que o encanta, pois corre por gosto, donde não se cansa, grafou nas colunas do seu mais que tudo, que pensava que me podia tratar por Antunes Ferreira, só. Pode, homem, claro que pode. E deve, ainda que eu não tenha nada que ver com a vida contabilístico-financeira do citado Santos. Deve, deve.
Eu, mesmo fora deste habitat bloguista, já me permiti - com a sem-vergonha que uso quotidianamente e de que não abuso por mor do IVA a 21%, e a perigosíssima Praça do Comércio é igualzinha ao Terreiro do Paço – tal liberdade. E, note-se, noutros lugares bem menos simpáticos do que os blogs. Melhor: que já foram simpáticos, mas, agora…
Esta é uma troca de galhardetes a que eu corro os taipais já. Por este andar, ainda se transformava numa troca bélica. Numa nova guerra do alecrim e da manjerona? Quem sabe? Nunca fiando, meninas e meninos. Vejam o que acontece com o Saramago e o Lobo Antunes. Sublinho, entretanto, que a comparação, aliás espúria, não aquece nem arrefece. É apenas; está tudo dito.
Por isso aqui fica a minha posição. Sentado, tal como o compadre sulista das anedotas, pois cavar deitado é muito difícil, senão mesmo impossível. Quanto à que o João assuma, estou-me, declarada e realmente nas tintas. Mas, pelo sim pelo não, vou enviar-lhe, através do blog, pstá claro como vinho tinto, uma fechadura de segurança, daquelas que recentemente foram instaladas num organismo que nós conhecemos. Nós – os dois. E outros mais.
Já não se pode confiar em ninguém éoké. No vaso nocturno, digo, no caso soturno que estamos a viver, tranquem-se minhas Senhoras e meus Senhores. Não esperem pela casa roubada. Trancas e portas de aço revestido a cimento armado. Isto se a palavra é uma arma, como o companheiro Santos acentua.
O (Ó, o sacrista do Black Chancelery não tem acentos) Santos, segue aqui um abração e muito huiscacho (quem não saiba o que é, pergunte). Só não segue um queijo por via dos apêndices capilares. Mas, ainda que não tenha o prazer de a conhecer – dadas as inúmeras citações e os repetidos queixumes do ex-pouso parece-me que somos amigos desde o bibe aos códradinhos – o queijo respeitoso e sentido vai para a Margarida. Sentido! À vontade.
quinta-feira, abril 06, 2006

O País está de Tango
Apareceram por Lisboa, principalmente nos murpis, novos anúncios de uma cerveja muito conhecida e muito consumida entre nós. Por certo que eles também proliferam pelo País, só que aqui à mão é mais fácil vê-los e apreciá-los. Trata-se de um cruzamento entre cerveja e... groselha. E, pelos vistos, a genética não tem nada a ver com esta bebida hermafrodita. Muito menos o falecido senhor Darwin, por mais que o copo pudesse ser considerado e integrado na teoria da evolução – bebedola...
Chama-se o produto Tango. E os publicitários, aproveitando-se de uma afirmação do senhor Durão B., hoje em Bruxelas e que então era primeiro-ministro em Portugal (acontece-nos cada uma) desarrincaram um slogan apelativo: O País está de Tango. Foi só mudarem o a por um o e o pobre Portugal lá volta à (má) ribalta. Não se sabe, porém, se, na EU, o antigo dirigente do MRPP tentará cobrar direitos de autor. E aos preços que se praticam na propaganda, mesmo entre nós, a bolada não seria de desprezar. Muito menos se conhece a opinião que poderia ter o também finado Mao Zedong.
Já havia botelhas de cervejola + gasosa. O chamado panaché engarrafado entrara no universo consumista dos portugas. Agora, o limão e a lima dão lugar à groselha. Não me admira se, mais dia, menos dia, sairá a público um enxerto cervejo-mazagrinesco. Para quem franza o cenho perante tal denominação, há que acrescentar que a só juventude dos admirados inquiridores poderá servir de justificação a tal atitude.
Isto porque, nos tempos em que o autor se dava ao luxo de ser puto, a malta dessedentava-se, para além dos pirolitos de berlinde, com a groselha, a limonada ou o mazagrin. Este era uma mistura de café (chicória?) com água, acurada q.b. e com umas gotas simbólicas de sumo de limão. Estava-se pelas décadas de 40/50. Quando apareceram pelo Jardim Zoológico os primeiros vendedores de esquimó fresquinho, foi uma festa – e um espanto.
Era um tempo muito especial, em que os benfiquistas eram encarnados porque não podiam ser vermelhos. Em que não havia suicídios, apenas cidadãos que se debruçavam exageradamente das janelas e varandas de um quarto andar qualquer. Em que os namorados, melhor, os conversados, tinham mesmo de conversar do passeio para a fenestra. Em que as jovens não podiam usar biquíni nas praias.
Contava-se, então, à boca pequena, a anedota daquela mademuázele francesa que, em Santo Amaro de Oeiras toma sol em tais preparos. Felizmente que um zeloso cabo-de-mar, zeloso guardião da moral e dos bons costumes, por ali passava. «A mademuázele não pode usar isso». «Isso, quê?». «Esse fato de banho». «E porrrquê»? «É um de duas peças, o que é proibido». «Entao senhorrr guarrda: qual delas querrr que eu tirrre»?
Era bem o tempo do quem não está connosco está contra nosco.
A mistura da cevada com a água, o malte e o lúpulo, convenientemente fermentada e para consumo humano, já tem mais de seis milénios. O pão líquido, como lhe chamavam os sumérios foi durante muito tempo utilizada como medicamento. Ou produto de oferta aos deuses. Os romanos que, de princípio, a desprezavam em detrimento do vinho, foram quem a levou para o Norte europeu, pois ali não se dava a vinha.
No caso vertente, a erudição sobre esta bebida alcoólica não é de encomiar. O Google traz tudo e ponto. Já a reflexão sobre a sua publicidade é outra coisa. Face à tão propalada crise que atravessamos estes milhentos anúncios pareceriam despropositados. Então – e o emagrecimento? Das pessoas, mas principalmente das empresas. A obesidade – de que o escriba é militante – reveste muitas formas. Combatê-la também.
No entanto, parece que até existe apenas uma. O que é estranho, dada a imensidade de produtos para perder peso que por aí pululam. Isto é que vai uma crise...
Antunes Ferreira
Antunes Ferreira
O Andorinha tinha um bom vinho. Há quem o tenha mau, alguns mesmo péssimo. Mas o Andorinha, não. Quando avançava no copo não era sujeito para cantar o hino nacional a três vozes, nada disso. Esvaziava conscienciosamente a garrafa, gole a gole, saboreando o néctar, e ficava-se por aí. Por vezes, raras, diga-se, encetava uma segunda botelha. Mas persistia no seu modo de procedimento: pouco tinto no copo, de cada vez, alumiando-o parcimoniosamente em seguida.
Nunca ninguém o vira amarrotado num passeio, nada disso. Nunca ninguém o ouvira em alta gritaria por mor da bebida. Nunca ninguém pudera afirmar que ele fora apanhado pelo balão da GNR. Nunca ninguém, por conseguinte, lhe pudera apontar um dedo que fosse, vituperendo-o por mau comportamento alcoólico, honra lhe seja feita.
O próprio Noé, depois de abandonar a barca do longo cruzeiro, comportara-se pessimamente, emborrachando-se dia sim, dia sim, com a vinhaça que produzia de videiras dele mesmo. Há, até, quem diga que o dilúvio vinícola era pior e mais vasto do que o universal, de 40 dias. Mal intencionados os que tal defendem. Não se tratava de mais do que uma etilização permanente, que o levou, uma vez, a ser descoberto por um dos seus filhos, Cã, prostrado e nu até ao pescoço, na tenda patriarcal.
Ora, de acordo com o Livro do Géneses, esse amante do sumo de uva (fermentado) terá alcançado a bonita idade de 950 anos, mais coisa, menos coisa. Encarregado por Jeová de repovoar a terra totalmente inundada, tinha levado na famosa arca um casal de cada um dos animais existentes ao cimo da terra. De homens, nada mais do que ele e a sua família. O descendente em linha recta de Adão estaria, assim, conservado em álcool. O que só abona as virtudes da cepa.
Recordo aqui que, na sequência da cena triste na tenda, durante a qual Cã e seu filho Canaã o tiveram de pudicamente o cobrir, o profeta Nuh, como é chamado no Alcorão, ficou pior que estragado e amaldiçoou para sempre esses descendentes. O avô do Noé, de seu nome Matusalém, tão conhecido como o neto, ainda que sem arca, mas também longevo, tinha sido quem prepara as coisas para a ocorrência da inundação total. Em comparação com ela, qualquer tsunami, por mais violente que seja, não era mais do que entretenimento pueril.
Não se persista, entretanto, nos caminhos bíblicos. Tudo se passou há uma porrada de anos e nada se ganha, nada ganha o escriba com tais surtidas nas páginas a que chamam sagradas. O Andorinha, que é ele a quem vimos nestas mal alinhavadas linhas, era, por consequência, muito mais comportado do que o Diluviano. Nada de confusões, Amigos. Tal como o Povo diz – dos enganos vivem os escrivães. Não se cometa aqui um tal pecadilho, ainda que infringindo as tábuas da lei que o Moisés trouxe do alto do Monte Sinai, para cumprir o recado divino.
O Andorinha era amolador de facas, navalhas e tisoiras, com gaita e tudo. Dizia-se dele que quando embeiçava o instrumento era certo e seguro que lá vinha água celestial. Daí que também se dissesse, em jeito de graçola, que ele se vingava no vinho. Aliás, também corria que fora ele o protagonista de estória que não resisto a contar aqui.
Um belo dia o amante dos copos comentava assisadamente para alguns amigos que o corpo humano era uma máquina perfeitíssima concebida por Deus à sua imagem e semelhança. Só que, como tudo o que é próprio deste bicho raro, erecto, alegadamente pensante e frequentemente falante, não se podia proporcionar-lhe sempre a satisfação dos seus desejos. Havia que, tal como se devia proceder para com as crianças, pelo menos em tal tempo.
O corpo, por vezes, tem de ser contrariado, aditava o Andorinha. Por exemplo: quando ele, o dito corpo, pede vinho – faz-se-lhe a vontade e dá-se-lhe vinho. Quando, noutras alturas, pede água, é o momento de o contrariar – dá-se-lhe... vinho.
Pois, a dado momento, o Andorinha deixou de se enfrascar. Os amigos e conhecidos não queriam acreditar. Porém, a Alzira apanhadeira que dele se divorciara por mor da bóbida e com ele fabricara cinco filhos, garantia a quem a ouvia que sim, que era absolutamente sim.
Situação incrível, quiçá mesmo impossível. E era então que a senhora, retorcendo as mãos, complementava: «O pobre, coitado, lá se foi através do forno crematório. É a única coisa certa que nós temos. Ninguém cá fica para semente». Perante isso, terminavam as dúvidas. O Andorinha, ainda que tal parecesse impossível, deixara mesmo de beber.
quarta-feira, abril 05, 2006
Nos tempos da Velha Senhora, havia umas quantas asserções que os marcaram, para além de caracterizarem as fontes de onde provinham. Desde a minha política é o trabalho até ao boato é crime e fere como uma lâmina, eram uma caterva delas. Porém, para o autor, a melhor de todas era quem não é do Benfica, não é bom chefe de família. Politicamente correcta para a época, ela simbolizava bem o que o criminoso salazarismo pensava para os lusos: democracia – não, que eles não estavam preparados para ela; futebol – sim, pois enquanto entretinha os cidadãos, estes não pensavam (muito) na Liberdade que não tinham.
Nesse sentido, as duas vitórias dos encarnados na Taça dos Campeões Europeus foram cerejas gigantes no cimo de bolos enfezados de miséria. E o Eusébio, vindo do portuguesíssimo Moçambique, foi transformado no novo herói nacional, a par da Amália e da Senhora de Fátima. Era, recorda-se, o tempo da trilogia dos FFF: Fátima, Futebol e Fado. Então, «a felicidade garantida pelo Santuário» era suficiente, os filmes do António Lopes Ribeiro eram peras doces, o vinho dava de comer a um milhão de portugueses.
A casa portuguesa tinha como cortinas o luar mais o sol que batia nela; bastava um pouco, poucochinho pr’alegrar uma existência singela; não faltavam duas rosas no jardim e o caldo verde verdinho era a melhor vitamina para o povo. E se havia dois braços à espera dum honrado trabalhador, findas as nove horas de um dia de trabalho sem semana-inglesa, ainda se conseguia consumir o fiel amigo de quando em vez. Bendita bem-aventurança.
Hoje, as diferenças são abissais. Exceptuado no futebol. De ópio do povo, passou a realização portuga. São os êxitos internacionais do FCP, o quase sucesso da selecção nacional do senhor Scolari, com as bandeiras por tudo o que era sítio, a tangente do Sporting à Taça das Taças, no Alvalade Século XXI e assim.
Pasme-se: a Federação Portuguesa do Chuto na Canela veio, agora, a público verberar um anúncio televisivo da Galp porque ele é demasiado optimista quanto ao Mundial na Alemanha, que se aproxima a largos passos. Nada de euforias dizem os senhores capitaneados por Madaíl. O seleccionado lusitano vai bater-se que nem um leão – para o meio da tabela. Isto porque, na hipótese quase impossível (para eles) de chegar à final, lá estará o fantasma grego, com correntes e tudo.
Enquanto mais este episódio caricato se verifica, há razões para se especular. São os vermelhos no Nou Camp, na quarta-feira; é o clássico entre leões e dragões no sábado; é a luta cerradíssima – quer pelo título, quer pela sobrevivência - numa Liga que já foi Super e hoje nem se sabe o que é. Que os senhores das apostas na internet me perdoem. Sobre a firma deles é dificílimo de saber o que é; ainda não há decisão definitiva dos juristas a propósito do famigerado patrocínio; e a sua denominação cheira mais a pomada para as entorses do que a apostas desportivas.
Não haja dúvidas. O velho football é quase exactamente o que é o futebol hodierno. Com umas quantas alterações, mas no essencial sem grandes revoluções. As equipas continuam a ter onze jogadores em campo, sendo que um deles é o guarda-redes. Os árbitros ainda vivem em grupos de três elementos. Antes eram os fiscais-de-linha ou bandeirinhas. No tempo actual são juízes auxiliares. Os clássicos massagistas transmudaram-se em fisioterapeutas. Mas, bem vistas as coisas, são todos os mesmos.
Este mundo futeboleiro parece menos turbulento do que o político? Nada disso, Senhoras e Senhores, nada disso. Um está para o outro como a hipotenusa está para os catetos. E nem é preciso que estes últimos sejam ao quadrado, pois quadrados andamos todos nós. Com o estranho e caracoliticamente lento Apito Dourado. Com as arbitragens correctas e imparciais que por aí abundam. Com os excelentíssimos dirigentes que enganam quotidianamente quem os elegeu. Com os parasitas que volteiam em redor do esterco futebolístico.
Os negreiros, ora chamados agentes FIFA, UEFA ou quejandos, já nem precisam de chicote para levar os seus «representados» para as galés. Há tanta gente a esmifrar umas massas à pala do desporto-rei (sem coroa???...) que aquilo que hoje é uma das indústrias mais rentáveis do Mundo precisaria, para se endireitar, da tal alavanca que pudesse mudar a posição do orbe terráqueo.
Já nos finais do Império Romano, o maior poeta satírico de então, Juvenal, foi o autor daquilo de que o povo precisava para viver tranquilo: Panem et Circenses, ou seja, pão e circo. O futebol dá pão a bastante gente; quanto a circo – estamos conversados.
Antunes Ferreira
domingo, abril 02, 2006
Deambulando pelos Himalaias, dizem as lendas, nomeadamente as budistas, o yeti é uma personagem simultaneamente arrepiante e deslumbrante. Os picos eternamente nevados são o habitat de tal criatura monstruosa que, no dizer de tibetanos, nomeadamente monges seguidores fieis do Dalai Lama, é homem, macaco e deus. Uma trilogia assim, deixem-me que vos diga, não tendo nada a ver com a Trindade dos cristãos, muito menos o terá com outra, desta feita mais de cerveja, bifes, batatas fritas e mariscos q.b....
O nome deriva da palavra ela também tibetana yeh-teh, ente resultante da relação entre um macaco e uma ogra, quiçá parente (afastado?) do terrível Bigfoot, o Pé Grande dos indígenas da América do Norte, nomeadamente daqueles que habitavam as montanhas cobertas pela neve. Faça-se aqui uma advertência: não percebendo o autor de árvores genealógicas e afins, não se pronuncia o mesmo sobre colateralidades deste tipo.
Para os homens brancos, designação muito abrangente mas, à partida, imprecisa, deslavada e falsamente ariana, o «coiso» é denominado o Abominável Homem das Neves. Da sua real existência não existem provas, apenas rumores. Os tibetanos defendem-no como um ser benfazejo que os pode, até, proteger. Mas, livrem-se os que pretendem incomodá-lo, da sua cólera. O yeti não é para brincadeiras.
Georges Remi, aliás Hergé, o pai do Tintin colocou-o como figura central de um álbum em que o repórter aventureiro que encantou gerações, se deslocava ao Tibete para tentar salvar o seu amigo Chang. Mais peripécia para aqui, menos para ali, resulta que o verdadeiro salvador do jovem chinês foi, na verdade, um yeti. E, como tudo o que acaba em bem, Chang retornou à dita civilização pela mão de Tintin. O yeti, esse, ficou-se na prancheta do Hergé e nos milhões de álbuns editados a soluçar baixinho.
Abomináveis ou não, Homens ou não das Neves ou do Augusto Gil, os yetis aparecem e desaparecem na boca de cena mais rapidamente do que os etíopes a correr a maratona. Pode-se – e deve-se? – duvidar militantemente da existência deles. No entanto, há muito boa gente que a seu respeito usa citar o castellano: «Pues mira, Chico, yo no creo en brujas. Pero que las hay... las hay»
Aqui muito à puridade há que dizer que, em verdade, o que não falta são homens muito abomináveis, com neves ou sem. Que não têm nada a ver com o yeti. Como disse o dr. Lopes, eles andam por aí. Fazendo enormidades, essas sim abomináveis. E não são poucos. São autores de façanhas pejorativamente péssimas e quase ninguém lhes vai às mãos. São, assim, abomináveis e inimputáveis...
Tenho, agora, uns quantos de lida diária. Que se comprazem na execução de enormidades – mas também de indivíduos. Este é suspeito de... Abate-se (ao efectivo, claro) e já está. Menos um a aborrecê-los. Mas o homem até era... Não era. E, não se queixe, nem ele nem os seus amigos. Pior seria se estivera na Moscovo estalinista. Não ia para o olho da rua; era fuzilado... provisoriamente.
Anda um cidadão a servir uma instituição durante uma caterva de anos e, de repente e inopinadamente – zás! Ninguém o mandou ser cumpridor, honesto, vertical, decente. Isso são «coisas» que não promovem, antes pelo contrário. Fora ele outro e com comportamento diferente e as palmadas nas costas, os louros e aumentos salariais seriam o melhor pagamento para quem fora praticante do sim, senhores.
Abominável Homem das Neves? No Tibete? Só?
Antunes Ferreira
sábado, março 18, 2006

Mao e maus
O maoismo é Mao ou é mau? Vem-me aos lóbulos (incompletos) cerebrais esta pergunta, depois de ter visto na Telebisom do Norte, carago, o Garcia Pereira, líder do MRPP, que, para todos os efeitos, continua a ser o partido – partido? Unido – maoista cá do burgo. E ainda que vão longe os tempos heroico-revolucionários do camarada Arnaldo Matos, aliás o Grande Educador da Classe Operária, o Movimento Recuperador das Pa$ta$ Perdidas (leia-se MRPP, sil us plau), outro causídico empunha o facho (salvo seja) olímpico, a caminho de Beijing, RPC.
Ora pronto. Cá temos. Mão; China; China; Beijing; Beijing; Jogos Olímpicos; JO; medalhas; medalhas; condecorações; conde; nobre; corações; enfarto; enfarto; estou farto; estou farto de me perguntar se o maoismo é Mao ou é mau? Garcia Pereira, o grande inducador dos tribunais de trabalho, é um gajo porreiro. Um dia, só para verem como ele é, a uma pergunta de um aluno, por acaso o meu filho Luís Carlos, decidiu dar-lhe uma explicação e sentaram-se nos degraus da escadaria de entrada (e de saída) da Faculdade de Direito da Universidade Clássica.
Além da elucidação ter sido perfeita, o meu descendente caçula ficou encantado com o Prof., com a simpatia, a afabilidade, a simplicidade e a disponibilidade dele. O Garcia Pereira (que eu conheço das lides informativas) será Mao, mas não é mau. Bem pelo contrário. Querem outro exemplo sem cariz familiar?
Um Amigo/irmão que tenho, anda a ser sacaneado por uns pseudo-gestores que tomaram conta (democraticamente) duma instituição da nossa praça. O Senhor que os novos patrões da lancha tentam amarrotar, pelo menos, e que durante 16 longos anos envergou a camisola do tal organismo, viu-se, vítima dessa miserável perseguição, na necessidade de consultar um especialista em Direito do Trabalho. Tiro e queda: o Garcia Pereira eleito por unanimidade dos tipos a quem pôs a questão – quem?
No decurso da primeira consulta, já o dirigente da dita organização dita laboral e desdita por mor da inconsequente e incompetente (in)gestão que por aquelas bandas se instalou, que não tem mesmo nada, nadíssima, a ver com Esquerdas, abrenúncio, deu-se conta de que o jurista era porreiro.
Mas, não ficaria por aqui a constatação. Situações posteriores vieram corroborar a opinião do meu Amigo e lixado irmão. Actuação impecável, opiniões lineares, conhecimento de causa, tudo junto já faziam do Garcia Pereira um quase herói para um conservador porreiríssimo. Mas o cuidado também conta. E se os clientes têm sempre razão, como dizem os teóricos e os práticos do Comércio, no caso vertente ela brilha, pura, transparente, cristalina.
Um pedido de esclarecimento telefónico e, meia hora, se tanto, depois, a resposta pereiriana no telemóvel do honesto cidadão. A quem poderia acrescentar outras, muitas, qualidades, de entre as quais aquelas que se cultivam na tropa, a que ele pertenceu – e pertence, mesmo na reserva e na reforma.
Parece-me que cheguei a uma conclusão, equacionadas as hipóteses, elaboradas as premissas. Também mal faria e péssimo seria se não alcançasse este nirvana de trazer por casa. Com gente como o Garcia Pereira, o maoismo é Mao, mas matizado. De mau – não tem nada. Ora toma. Maus, maus, péssimos são os infra-gestores (???) de pacotilha: Mas isso são outros quinhentos mil réis…
Antunes Ferreira
domingo, março 12, 2006
| Lisboa está perigosa A Lisboa de hoje está cada vez mais perigosa. Não, não me refiro às drogas, aos tiros, aos assaltos, aos roubos, aos esticões, aos contos do vigário, a todas as manifestações de um lúmpen que saiu das sarjetas e anda por aí causando medo ou, pelo menos, assustando os cidadãos mais desprevenidos ou desatentos. Dou de barato que estas coisas se tenham desenvolvido em Portugal. É claro que sim. Se se desenvolveram por todo o Mundo, não o teriam feito entre nós? Por que bulas? Olho em redor e de imediato vejo uma chusma de gentes que se entretém na crítica permanente e destrutiva. A maioria vem do antigamente ou está ainda ligada à Outra Senhora. Não haja dúvidas. São, por exemplo, aqueles para quem tudo está mal. Demos-lhes voz, de seguida. Porquê? Porque aconteceu no dia 25 de Abril de 1974 o que consideram uma desgraça desgraçada. Greves? Manifestações de rua? Centrais Sindicais? Tolerância sexual? Aceitação de práticas de vida diferentes? Onde é que já se viu? Para quê tais acções e procedimentos aviltantes? Onde está o cumprimento puro e duro das obrigações. Por isso, só com direitos e nenhuns deveres, chegámos ao que chegámos. Se o Governo é vermelho – é porque é vermelho; se é verde, idem, se é castanho, idem, idem; se é azul, aspas; se é cor de burro quando foge, aspas, aspas. No entanto, e face à circunstância bendita dos comunas e dos bloquistas não estarem no Poder – graças sejam dadas à Senhora de Fátima – há que dar porrada nos socialistas. O Sócrates é pane……,maricote – e se não é, devia ser. Assim, com ou sem difamação, é mais facilmente atacável. Pelo sim, pelo não, é de espalhar. Também é ditador, o que é péssimo para a democracia deles. Ataca alguns dos que mais têm: reformados com três mil euros, quatro, cinco, coisa e picos. Malandro, tal como ele próprio, inverteu os termos de um quebrado que estava inteiro durante anos a fio no Estado dito «Novo». Mas também, à pala de acabar com privilégios, arremeteu contra funcionários públicos de todas as cores, qualidades e feitios; contra médicos, enfermeiros & afins; contra polícias fardados, à paisana e outros; contra os que cumprem com os seus deveres os mais diversos; contra os que se dedicam ao trabalho, premiando os madraços. Veja-se o destrambelho do chamado subsídio para os mais desfavorecidos. Veja-se o subsídio de enquadramento social. Veja-se o abono para os muito idosos e muito pobres. Assim, não andamos para a direita, digo, frente. É um mentiroso completo: não cumpriu, pelo menos até à data, as promessas que havia feito na campanha eleitoral. Chefia um Executivo à deriva, no qual cada ministro é muito pior do que o colega/camarada que se senta a seu lado. Desde que caiu a seriedade, a verticalidade e a honorabilidade, esta é a pior cambada que temos em São Bento e arredores. O Pinho é uma cavalgadura. O Teixeira dos Santos, um vendido. O Gago, um atrasado mental. O Freitas, um traidor. O Vieira, um mentecapto. Enfim, uma carrada de bestas. Mas, aventam os que não comungam a mesma hóstia, não diziam os outros, os bons, os óptimos, que eram necessárias reformas profundas e corajosas? Que, de resto, eles próprios não fizeram, alegadamente por não terem tido tempo, por se terem esquecido, porque tinham coisas muito mais importantes para fazer. Claro que reformas, sim; mas com conta, peso e medida. E, sobretudo, nunca à bruta, como o gajo está a fazer. Ditatorialmente, é o que é, repetem e repisam. Perdão, mas quando os senhores ou os vossos amigos, ou os vossos patrões estavam no Poder, com partido único, censura e polícia política vivia-se em democracia? Fruía-se da Liberdade? E a resposta na ponta da língua: Saudosistas nós? Estas respostas a questões com outra questão são um óptimo sintoma e um excelente caminho para quem diz cortar a direito e afirma recusar as sinuosidades. E por aí fora. Já houve rusgas a jornais – que não sabem usar da dita liberdade de informação. Parece tudo encaminhado – e bem – para que a ordem, o respeito e o sossego voltem a reinar. Isto porque agora quem anda a reinar connosco, pessoas de bem e portugueses impolutos, é essa corja. Bem dizia quem já lá está à Direita… de Deus Pai, Todo-Poderoso, que os políticos deviam ser proibidos, ou, até, eliminados da face da terra. Como se afirmava na Moscovo soviética, fuzilados provisoriamente. Corruptos, daninhos, irresponsáveis, impreparados, alguns mesmo miúdos que acabaram de largar os cueiros, são uma cáfila. Piores do que os dirigentes dos clubes. Aliás, o futebol também está pelas ruas da amargura. O nosso Eusébio esteve sempre cá, orgulhosamente (só?). E quem não era do Benfica não era bom chefe de família. Parece agora que os encarnados querem voltar aos êxitos dos anos 60. O bom filho à casa volta. Adiante. Voltando acima ao começo deste escrito. Lisboa está cada vez mais perigosa. Refiro-me ao trânsito. Pois é, estou a ouvi-los, tudo aquilo que funcionava direitinho, até sinaleiros pretos tivemos na altura da Exposição do Mundo Português, foi-se. Acabaram com o Natal do Sinaleiro, vejam lá. Antes, nos bons tempos, quando se via uma placa encarnada – acentua-se, encarnada – com um traço branco sabia-se que era proibido… circular. Hoje, ninguém se rala com isso. Os condutores são abusadores impiedosos, homicidas ao volante, sempre na mira de terem os peões no ponto de mira. Os peões são uns saloios, chegam a atravessar nas passadeiras. Assim, não há rigor, não há decência, não há compostura, nada se faz a bem da Nação. Esta, tal como o trânsito, abastarda-se. Que saudades. Mas, você que redige este papelucho tem de explicar o porquê de um tal perigo. São os autocarros da Carris, sempre atrasados? São os taxistas sempre desleixados? São os carteiristas do Metro sempre atarefados? São estes, aqueles e aqueloutros? Se me permitem, excelentíssimos senhores, é por causa dos anúncios que têm vindo a proliferar na via pública. Nas paragens, nas paredes, nos placares, uma vergonha. Só mulheres despidas – ou quase. Desavergonhadas! Anúncios de peças de roupa intimas. Cada vez mais reduzidas, para não dizer inexistentes. Anúncios de filmes verdadeira e infelizmente pornográficos. Anúncios de pastilhas elásticas, cuja conotação pecaminosa e sensual é evidente. E, pasme-se, até de filmes com cowboys larilas, e concorrentes aos Óscares. É o desbragamento total. Já não há valores, já não há moral, já não há, sequer, tino. Lisboa é realmente uma cidade perigosíssima. E o resto do País, também. Bardinos! Antunes Ferreira |
sexta-feira, março 10, 2006
Um país feijão-frade Antunes Ferreira |
sexta-feira, março 03, 2006
| ESTÓRIAS Que dia de anos Esta estorinha é absoluta e totalmente verdadeira. Os seus personagens, aqui com denominações obviamente fictícias, são reais, palpáveis, tácteis e cheiinhas de saúde e vida. Não se trata, portanto, de aqui se alertar, como em ficção acontece, para o facto do enredo ser inventado, que os nomes também e que a criação (que não de capoeira) não tem nadinha a ver com acontecimentos reais. Estamos, assim, entendidos? Creio que sim. Na vida dos casais há momentos de aflição os mais diversos e em situações elas também mais obnóxias. Entre marido e mulher não metas a colher, diz a sabedoria milenar/popular e com carradas de razão. Isto é, para ser mais preciso: os arrufos matrimoniais são como os desentendimentos nos balneários futebolísticos. É lá dentro que eles se resolvem. Se transpirar alguma coisa para o exterior, está o caldo entornado. Claro que os cônjuges antecederam e em muito os futebolistas. Uns e outros podem fazer espectáculos. No que toca aos segundos, é para isso que eles agora são pagos. Não só, como é evidente, mas em grandíssima percentagem. A anos-luz vai o tempo do amor à camisola. Vejamos agora o que se passa com os primeiros. Darem espectáculos, nem pó. Apesar da libertinagem, a que alguns chamam incorrectamente liberdade, do vale tudo e do não puritanismo, ainda há que ter maneiras... Já vejo, não tão ao longe como isso tudo, muita gente a comentar: «O gajo é um kota. Bué de antiquado, quase paleolítico. Vem agora com esta conversa para encher pneu. Melhor fazia se dedicasse o tempo que levou a botar este excremento (usa-se merda) a dar umas corridinhas à beira Tejo. Gordo como está, o alifante devia ter vergonha nas fuças e deixar-se de calinadas». Muito bem. Apesar das rusgas que por aí se verificam, apesar das discussões estranhas a propósito dos tais cartoons, apesar das sessões lamentáveis/parlamentares, ainda não me encolhi o suficiente para, desta sorte, nem sequer pôr os pauzinhos ao sol. Mas há limites para a estupidez, a tacanhez e bestuntos encardidos. Delito de opinião – nunca. Já bastou o que se passou e passou. Se calhar não, mas... Posto isto, voltemos à estorinha. Um casal modelo, como manda a santa madre Igreja, cumpridor, amantíssimo, temente a Deus como lhe competia, com fornicações apontadas à legítima procriação (fora disso era pecado e justificadamente) e controladas para que um eventual excesso não viesse à luz do quotidiano, era seu hábito e prática. De dia, porque à noite, só com uma iluminação pública à maneira. Ora um fatídico dia em que a esposa completava umas quantas mas não muitas primaveras, o caro metade chegou já com alguma tardança a casa e, ao mesmo tempo que depositava um ósculo casto na fronte da senhora, foi adiantado - «... e o que é que hoje temos para jantar»? A outra metade, cara, igualmente, resmoneou que só se fosse ele a comer, que ela não tinha vontade. Tragédia à vista. Os fados estavam de viés, se não mesmo de costas voltadas para o senhor em causa. Por incrível que pareça e apesar da juventude matrimonial, ele estava completamente esquecido que, nesse dia, exactamente, era o aniversário dela. Shakespeare nunca traçaria um tal quadro, Betovhen jamais escreveria uma só clave de sol de uma tal sinfonia absolutamente incompleta. Incauto, o marido, face à cara de pau da digníssima, onde nem uma leve aragem de alegria muito menos uma sombra de sorriso se desenhavam, avançou com o clássico e calino - Ó filha, parece-me que estás mal disposta. Não gosto nada de ter ver assim de cenho franzido e carrancudo. O que é que tu tens, minha querida»? E ela, numa voz mais gelado do que o iceberg fatal do Titanic: - O que é que tenho? Um dia mais do que ontem!... Caiu o céu na cabeça do nosso senhor. Quem disso se receava eram o Axterix, o Obelix e os outros irredutíveis gauleses. Porém, ainda que muito tardiamente, fez-se luz no cerebelo dele. Não fez mais qualquer comentário. E, no dia seguinte, foi a correr comprar a primeira coisa que se assemelhasse a uma prenda de anos significativa e à tarde, entregou-lha, dizendo que, no dia anterior, do que ele se esqueça fora do dito presente na sua secretária de trabalho. Quanto ao resto – nada. Ela sorriu. E ele nunca se decidiu a confessar a si próprio se tinha sido de condescendência – ou de pena. Lá bem no fundo do seu fundo, ainda hoje vegeta a interrogação: de desprezo? Vá lá entender as mulheres. Antunes Ferreira |
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
domingo, fevereiro 12, 2006
Passados 84 anos sobre TutankamonDescoberto um novo túmulo no Vale dos Reis
Leio – e quase caio da cadeira, de espanto. Num Mundo em que, aparentemente, quase tudo está descoberto, eis que, do Egipto, me (nos) chega uma notícia que me (nos) deixa estupefacto(s).
Pensava eu que, ao cimo da Terra, esperava a Humanidade que se encontrassem soluções para a cura do cancro, da sida, das doenças de Alzheimer, Parkinson, dos pezinhos, entre algumas outras, vacinas específicas para maleitas irresolúveis, etc. E ainda, que se conhecesse em pormenor, finalmente, o aparelho linfático, se avançasse nas esperanças levantadas pela biogenética e se dessem outros passos no domínio da saúde. Esqueçam. E façam, por isso, o favor de olhar para o que nos surge.
Andaram os homens tanto tempo à procura da mítica Atlântida. Até nos Açores. Debalde. Buscaram, desesperada e afincadamente, o Shangrylah. Em vão. Tentaram plagiar o bom do Jules Verne, descendo ao centro da Terra. Utopia, maior do que a de Morus. E, perante a incapacidade de resolverem tais mistérios aparentemente indecifráveis – voltaram-se para o espaço, onde ainda continuam a tentear e tentar.
Da cadela Layka até Neil Amstrong vai uma distância enorme. E aos vaivéns espaciais outra. E às estações orbitais mais uma. E às sondas? Se tomarmos em conta a Mars Science Laboratory que a NASA pretende fazer poisar no Planeta Vermelho em 2009, logo esse decurso temporal se encaixa no da primeira, a Mars Pathfinder que ali chegou em Julho de 1997. Que distância…
Nisto, quando me dava a reler a «Morte no Nilo» da enorme Agatha Christie, cai-me no monitor a notícia do achamento de uma tumba egípcia, precisamente no Vale dos Reis, a uns escassos cinco quilómetros do mais famoso do Mundo, o do faraó Tutankamon. Que eu já tive o privilégio de visitar, aquando de uma deslocação ao País das Pirâmides para me encontrar com o então Ministro de Estado dos Negócio Estrangeiros do Cairo.
Fui ao serviço do «Diário de Notícias», o meu jornal de sempre. E do encontro resultou uma conversa informal com Boutros Boutros Ghali que, mais tarde, chegaria a Secretário-Geral das Nações Unidas. Muito agradável, sobretudo devido à simpatia do cristão copta, não poderia resultar em entrevista, dado o pedido que ele me fez e que, obviamente, não reproduzo. Ficou comigo. A vida dá muitas voltas – mas, sobretudo, empanturra-nos de experiências. E de experiência.
Leio, entre o deslumbrado e o perplexo: «Uma equipa de arqueólogos da Universidade de Memphis, nos EUA, anunciou a descoberta de um túmulo, que parece estar ainda intacto, no Vale dos Reis, no Egipto. Algo semelhante não acontecia desde que foi encontrado o túmulo do faraó Tutankamon, em 1922.
No local estão cinco múmias, que parecem pertencer à XVIII dinastia, nos respectivos sarcófagos, todos ainda intactos, adiantaram os especialistas. Esta dinastia, a mesma do chamado faraó menino, reinou entre 1567 e 1320 antes de Cristo, altura em que o domínio do país sobre a área em volta era muito forte.
Apesar de no Vale dos Reis dever o seu nome ao facto de ser local de enterro da maioria dos faraós da época áurea, os arqueólogos afirmam que as múmias agora encontradas não parecem pertencer a famílias reais».
Porém, a posteriori, já se aventou que as múmias poderão ser da raínha Nefrertiti e das suas quatro filhas. A ser assim - e a hipótese parece ter pés para andar - a sensacional descoberta poderá, ainda, ter repercussões muito maiores. Um especialista egípcio utilizou o adjectivo "ciclópicas". Eu, modestamente, permito-me acrescentar que se trata de um verdadeiro tsunami arqueológico. Desculpem-me a ousadia ou o exagero...
Os cinco sarcófagos têm forma humana e têm máscaras funerárias com cores. «Por alguma razão foram todos enterrados de forma rápida num túmulo pequeno», adiantaram os arqueólogos.
O túmulo estava coberto pelos escombros de casas de trabalhadores de construção da XIX dinastia, datada de um século depois».
Sarcófagos que descansáveis em paz: as coisas mudaram radicalmente. Os pesquisadores oriundos da terra do tio Sam deram-vos cabo do descanso que julgáveis eterno. Nada. Eterno, dizem os católicos, só o Presidente do Conselho de Administração do Paraíso, a quem, no nosso globo, chamam o Pai, ou Padre, da Santíssima Trindade. E, mesmo assim…
Volto ao Nilo e ao Hercule Poirot. Um tanto preocupado com a questão da eternidade e do sossego. Mas encantado com a genialidade da tia Aghata.
Antunes Ferreira
terça-feira, janeiro 24, 2006
As coisas são o que são. Se assim não fosse, era o grande bocejo. Mesmo sendo assim, a vontade de escancarar a boca com a corresponde emissão sonora e sem se colocar a mão à frente, sem nenhuma pudícia, bastas vezes é tão desvairada que se pode dizer que bocejar alivia o intumescimento. Qual? Não vem ao caso, nem acrescenta o que quer que seja a este escrito. Como ultrapassar este niilismo de pacotilha? Como conviver com a crise? Como aceitar os resultados eleitorais? Descobri a receita.Tenho andado a ler o Andrea Camilleri. Não fora a proverbial oferta do meu filho Luís Carlos, pelo meu aniversário, de «O ladrão de merendas» e creio que nunca chegaria a este fantástico italiano, agora com 81 anos, que a partir dos anos oitenta passou a dedicar-se à escrita – e de que maneira. Os seus romances policiais com o comissário Montalbano como protagonista são um primor. Tem em seu poder diversos prémios literários. Merece-os.
A Difel 82, editora da nossa praça, na sua colecção Literatura Estrangeira, é a responsável máxima por estas prodigiosas aventuras dum siciliano na Sicília, paridas por um… siciliano. Camilleri planta os seus personagens com Savo Montalbano à cabeça em Vigàta, inventadíssima localidade, a par com as estórias que elabora.No entanto, acabo agora uma obra que considero mais do que prima: é tia, é mãe, é pai, é a família toda e adjacentes. Chama-se «A Concessão do Telefone», que, desta feita é dada à estampa pela Presença. Ambas as editoras são as culpadas da presença do siciliano escriba no nosso País. Este último livro não é de enigmas, muito menos de mistério a detectivar. É um exemplar magnífico, um encadear de situações, escritos, acontecimentos, ligações suspeitas e por aí adiante.Fez-me rir a gargalhadas. Mas, por igual, obrigou-me a pensar sobre questões tramadas, com a necessária e óbvia seriedade, A ironia venenosa que enforma as suas páginas é um verdadeiro milagre literário. Um tsunami de crítica impiedosa, sem nunca ela ser, sequer, enunciada. Mas que está em todas as linhas de todos os períodos de todos os parágrafos de todos os capítulos. Li-o em duas noites – mas podia ter sido apenas uma. Não aconteceu. Ainda bem. Frui dele mais umas boas horas nocturnas.Camilleri usa como cenário sempre a Sicília – que, assim, se torna omnipresente nas suas linhas preciosas. E com isso, naturalmente, temos a Máfia. Também omnipresente. E os criminosos. E os políticos. E os jornalistas. E os intriguistas. E os outros. E Montalbano gerindo, deglutindo, salivando as personagens para que elas o alimentem e nos alimentem.Se quiserem passar umas horas, tantas quantas acharem necessárias, façam o obséquio de ler este «jovem autor» com lugar cativo no Parnaso sem necessitar de passe para a terceira idade, muito menos de bilhetes pré comprados. É o caso, tal como a pescada ou o vestido que antes de o serem já o eram. Quanto mais tarde Andrea Camilleri se apear na última paragem – melhor. Mas nem precisa de chegar: já lá está.
Antunes Ferreira
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NB – Para contactos com as editoras podem usar-se os seus mails:
Difel 82 – difel@difel.pt
Presença – info@editpresenca.pt
domingo, janeiro 22, 2006
| REGISTO PR – Cavaco em Belém Portugal tem um novo Presidente da República – Aníbal Cavaco Silva. Eleito sem margem para grandes dúvidas à primeira volta das eleições de hoje, domingo, 22 de Janeiro de 2006. Pela primeira vez, depois de 25 de Abril de 1974 (recordam-se da data? Dos acontecimentos? Há muitas dúvidas? Parece…) a Direita tem um representante em Belém. C’est fini. Para a Esquerda – na qual me incluo desde que me conheço politicamente – o desaire é lamentável. Não é um desaire: é um desastre. Não foi capaz de ultrapassar guerras do alecrim e da manjerona. Perdeu. Porém, não vale chorar sobre o leite derramado. Não se pescam trutas com bragas enxutas, diz o Povo. E nem vale a pena vir com a alegação calina: perdeu-se uma batalha mas… Meus Amigos. Perdeu-se a guerra. Cavaquistão se chamou durante dez anos a este País. Agora, teremos a reedição, quem sabe se corrigida e aumentada. O recém-eleito Chefe do Estado irá «ajudar» (não se sabe a quem…) a salvar a Pátria. Donde, já temos mais um «salvador da dita». Já houve tantos… Da bruma saiu-nos um professor a quem o dr. Jardim chamou o sr. Silva. Dom Sebastião morreu em Alcácer Quibir. Cavaco voltou. Quem foi que ganhou???... Antunes Ferreira |
quarta-feira, janeiro 18, 2006

| TU CÁ, TU LÁ O meu cunhado Armando, de apelido Fernandes, dá-me, as mais das vezes, alegrias e das grandes. É um sujeito bem apanhado, o dito cujo. Sediado no Québec, mais precisamente em Chateauguay, e já há uns bons anos, continua intrinsecamente português. Dêem-lhe as voltas que pretendam dar-lhe – e que ele permita, pois é homem de convicções e força – e lá volta ele ao leit motif que lhe é o mais caro: as cores verde-rubras, com tudo o que daí advém. Um jovem com 66 anos (ou…, diz tu ó mano), verdadeiro sábio informático, é companheiro de largas lides e de longo tempo. Tenhamos as diferenças que tivermos, sempre nos entendemos – e perfeitamente. Aliás, como diz o Chico Fininho, é muito mais aquilo que nos une do que o que nos separa. Isto, apesar dos quilómetros atlânticos que se resolvem num fósforo, a jacto. Se eu quisesse dar exemplos disso mesmo, não me chegariam os dedos das mãos, dos pés, os do macaco ascendente, inclusive os do nosso primeiro quase matricida de Guimarães. Deixem-me que abra aqui uma parentética que creio oportuna. Não fora essa ideia peregrina de bater na mãe, a Dona Tareja, e provavelmente ainda prestaríamos os nossos respeitos a Don Manuel Fraga Iribarne. Donde, há que reconhecê-lo, este rectângulo à beira-mar plantado teve uma inauguração bem pouco edificante. Diria até: pior só um espectáculo de wrestling televisado. Opinião sujeita a contestação. Pois, desta feita, o moço Fernandes (que é um exemplo exemplar de colaboração neste travessadoferreira.blogspot.com) comentou e bem o artigo do «Almirante» Marcelino, o González, galego dos sete costados, meio irmão - que deveria sê-lo em full time. Outra opinião sujeita a contestação. Interpolo uma nova ideia: cada vez me convenço mais de que quem deveria ter sido defenestrado era o João Pinto Ribeiro. E aplaudido o pobre do Miguel de Vasconcelos. Endeusado, mesmo. Entre Fernandes e González ou vice-versa há um traço de união: o mar. Além disso, ambos se dão ao luxo de saber o que é a Barra da Figueira, naturalmente da Foz. Faróis, pescadores, camisas aos códradinhos, coisas dessas que fazem os homens conviver, comungando. E não se trata aqui de hóstias ou paramentos eclesiásticos. Refiro-me à comunhão fraterna, feita de cumplicidades e afectos, de trocas de ideias e de pensamentos, de livre alvedrio e, mesmo, de felicidade. Por isso que me desculpem do choradinho: ó Armando primeiro, recebe mais um abração do Armando segundo. «Só nós dois é que sabemos»? Se calhar, não. Mas, «quanto nos queremos bem» é, alem de profundamente verdadeiro, o reconhecimento do que tens dado ao travessadoferreira.blogspot.com. Antunes Ferreira |
sábado, janeiro 14, 2006
Uma vez mais – um êxito
Fui, uma vez mais, ao Politeama. Em cena «A canção de Lisboa». Uma vez mais, o La Feria. Uma vez mais, um êxito. Desde o «Passa por mim no Rossio» só falhei uma (vez mais?): «A Rainha do Ferro Velho». Nunca saberei o porquê desta ausência. Por me recordar a Laura Alves? Mas, desta feita, as lembranças ainda eram maiores – e acumuladas: a Beatriz Costa, o Vasco Santana, o António Silva, até mesmo o Santos Carvalho & companhia ilimitada… Ná, não foi por mor das meninges inflamadas. Uma vez mais, tenho de confessar – não faço a mínima ideia.
Este Filipe não dá tréguas, mas dá cartas. Uma vez mais. Pode-se não gramar o tipo. E então? Não será por isso que se lhe tira o mérito, uma vez mais. Ir ao teatro das Portas de Santo Antão é tiro e queda. Uma vez mais a apoteose de um génio criador no domínio do musical, uma vez mais a reminiscência do teatro de boulevard, num primor de aggiornamento do director artístico, encenador, autor, domador de actores, incontornavelmente o mais brilhante desta geração.
Não gosto de génios. Das pessoas, friso. Da Callas ao Einstein, do Rembrandt ao Charlot, do Da Vinci ao Beckenbauer, do Rodin ao Beethoven ao Gates. Se algum dia – hipótese mais do que remota, absolutamente impossível – me convidassem para integrar a Associação Internacional deles, recusaria terminantemente, mesmo que me dispensassem do pagamento da jóia…
Neste última comparência no Politeama, estreei-me logo ao marcar do ponto: La Feria estava à porta, autografando os cinco euros do programa. Foi a boa altura para o rever. Ele, do alto da sua genialidade; eu do ínfimo da minha mediocridade. Para se completar o quadro só faltava o Chico Orta, irmão dele, desenhador e amigo, desde a infância comum no Restelo. Aproveito: um abração, Chico.
O génio condescendeu e lá me rabiscou a capa a vermelho. Uma dedicatória à D. Raquel e ao Ferreira. Mas, instantaneamente, a correcção – intercalou um Sr. garatujado. Deixa lá, génio. Que eu me lembre dos anos mais próximos só não comete erros o dr. Cavaco, que nunca se engana, disse ele. Filipe não me reconheceu. Não tinha, aliás, obrigação de. Nem do tempo mais chegado do Diário de Notícias. A memória, tal como a carne, é fraca. Acontece.
Adiante. No final vinha, uma vez mais, satisfeito, contente, feliz. Há génios, quase sempre com mau génio, a quem se perdoam algumas, poucas, coisas. Ao La Féria, perdoa-se o mau hálito pelo que produz. «A Canção de Lisboa» de agora, herdeira da inspiradora homónima, do José Galhardo, dos Rauis Ferrão e Portela, é mais um êxito laferiano. Uma vez mais.
Antunes Ferreira
terça-feira, janeiro 10, 2006
O meu Amigo Comandante Marcelino González, oficial prestigiado da Armada de Espanha, galego como os que são - e, para mim, que já o promovi na amizade, na estima, na consideração e na minha iconoclastia, o Grande Almirante das Rias Baixas - companheiro de deserto tunisino et aliud, pois o Marcelino mandou-me este pedaço de prosa sobre farois e sêlos postais. Não me «ordenou» que o publicasse aqui. Ai dele, se o fizesse. Mas, digam-mo depois em comentário que espero, não seria homem de uma só face se o não fizesse. Portanto, ele aqui vai. A. F.
Filatelia y mar
Volver al Canal
Faros con historia
Hay muchos lugares que ofrecen excelentes oportunidades para dar un buen paseo, como son los entrañables y solitarios parajes de la costa coronados por faros, desde donde se puede contemplar la inmensidad del mar con su siempre cambiante aspecto. Son lugares que invitan al disfrute del entorno, al descanso y a la meditación. Y son puntos de anclaje de torres de muy variadas formas pero con la misma finalidad: ayudar al navegante. Los faros ayudan a los barcos, y los guían con sus luces por la noche y con sus formas por el día. El faro es un amigo que saluda al marino cuando recala en la costa y le despide cuando se aleja. Y es también amigo de la gente de tierra firme, que por una parte confía en él para que guíe a sus parientes y amigos que trabajan en la mar, y por la otra ve en él el fin de lo conocido - la tierra -, y el comienzo de lo desconocido y misterioso - la mar -.
Posiblemente fueron las mujeres las primeras que encendieron fuegos en los acantilados para orientar a sus hombres que trabajaban en la mar. Ya en el siglo VIII antes de Cristo, había construcciones primitivas por las costas del Mediterráneo, con fuegos que además de luz para la noche, producían un humo muy denso, visible de día a largas distancias. Los fenicios y romanos construyeron los primeros faros fijos por el Mar Negro, Mediterráneo, y Atlántico hasta Bretaña. Pero las invasiones de los bárbaros, la caída del imperio romano en el siglo V, y el azote vikingo, redujeron considerablemente la navegación y el comercio por mar, y se dejaron de construir faros. Para ver nuevas construcciones hubo que esperar hasta el siglo XII, en que la reactivación del comercio resucitó la navegación, sobre todo en Italia, Francia, países escandinavos y Alemania. Aparecieron monjes que mantenían encendidos faros, construidos de forma altruista por ellos mismos Otros en cambio, eran construidos y regentados por particulares, que cobraban por sus servicios a los barcos que los utilizaban como guías para entrar en puerto.
También aparecieron falsos faros; luces puestas por ladrones y piratas en lugares peligrosos para la navegación, que ocasionaban el naufragio de los barcos que se habían fiado de ellas, y representaban una fuente de ingresos para los desalmados "fareros". Con el aumento de la navegación se incrementó la construcción de faros, que tuvo un gran empuje en el siglo XVIII y continuó en los siglos siguientes, para llegar a la gran cantidad de torres que hoy aparecen repartidas por todas las costas. España sin ir más lejos, cuenta con unos 190 faros de cierta entidad. La procedencia de su luz varió con los años: madera, velas, aceite, carbón, petróleo, electricidad, energía solar, e incluso energía nuclear. Con el tiempo recibieron cristales, espejos, lentes, etc., para aumentar su rendimiento y alcance, y la atención diaria que en principio requerían ha ido desapareciendo en aras de la automatización, con lo que la solitaria y romántica figura del farero tiende a la extinción.
Por otra parte, los faros aumentan continuamente sus capacidades con otros artilugios, para hacerlos mas completos en aras de una navegación mas segura (sirenas, bocinas de niebla, repetidores radar, sistemas de navegación, indicadores de dirección y velocidad del viento, estaciones meteorológicas, sistemas de comunicaciones, etc.). Hubo y hay faros con una gran historia, carismáticos y con personalidad propia por su origen, pasado, tamaño, situación, vida, leyenda,... que han sido motivos de sellos de correos, como los que cito a continuación. El Faro de Alejandría fue una esbelta torre de unos l00 metros de alto, construida sobre una base de piedra, con una plataforma en la parte superior en la que por las noches ardía resina y leña. Fue construido por orden del rey Ptolomeo II en la pequeña isla de Pharos - de donde procede el nombre de "faro" -, a la salida del puerto de Alejandría. Obra del arquitecto griego Sostratos de Cnido, se terminó de construir hacia el año 283 antes de Cristo. Fue el primer faro real del que hay constancia histórica, y estuvo considerado como una de las siete maravillas del mundo antiguo. Se mantuvo en pie durante casi mil años, hasta que en el 700 de nuestra era lo destruyó parcialmente un terremoto. Otros terremotos ocurridos entre 1302 y 1394 lo redujeron a ruinas. Muchos de sus restos desaparecieron bajo el agua, y en el año 1480 se construyó en su lugar una fortificación. A finales del siglo pasado, los arqueólogos localizaron sus restos sumergidos. Apareció en sellos de Egipto y de otros países.
El Coloso de Rodas fue una enorme estatua de bronce, que al parecer tenía un pie asentado a cada lado de la bocana del puerto de Rodas, y con la luz de la antorcha que sostenía en una de sus manos guiaba los barcos. Dedicado a Helios, dios del Sol, fue diseñado por el escultor Chares. Se terminó de construir sobre el año 271 antes de Cristo, y fue considerado otra de las siete maravillas de mundo antiguo. Se calcula que podía medir unos 30 o 40 metros de altura y pesar unas 70 toneladas. Lo destruyó un terremoto en el año 224 antes de Cristo. Se dice que los restos que permanecieron a la vista, fueron vendidos como chatarra a un comerciante judío a mediados del siglo VII de nuestra era, con lo que desapareció todo vestigio de aquel coloso. Ha sido reproducido en sellos de muchos países, entre ellos Grecia.
La Torre de Hércules, situada a la entrada del puerto de A Coruña, es el faro en funcionamiento más antiguo del mundo. Es uno de los más importantes de España, y es también una magnífica atracción turística. Lo levantó Caius Sevius Lupus en el siglo II de nuestra era, y desde entonces ha permanecido en su sitio como guía de la navegación. Hecho de piedra, ha sufrido diversas remodelaciones, la última en el 1847. Tiene una altura de 48,5 m. Cuenta la leyenda que Hércules vino a la Península Ibérica a robar los bueyes del monstruo Gerión, y cuando consiguió su propósito se fue a descansar a la esquina noroeste de la península, donde parece que la vida le fue tan bien, que como recuerdo levantó la gran torre que lleva su nombre. Apareció en un sello de España como parte integrante del escudo de A Coruña, con una calavera a sus pies, que es la de Gerión.
El Faro de Eddystone es el más antiguo de Gran Bretaña, y continúa en servicio tras varias reconstrucciones. El primer faro, de madera y piedra, levantado sobre una pequeña roca que quedaba cubierta con la marea alta, empezó a funcionar en 1698, se reforzó con metal en 1699, y fue barrido por un huracán en 1703. En su lugar se inauguró en 1709 otro de granito y madera, que ardió en 1755. Entonces se encargó el tercer faro al ingeniero John Smeaton, que lo construyó como una prolongación hacia el cielo de la roca de la base. Fue inaugurado en 1759, y esta vez fue un éxito que se copió en otros lugares. Pasados 125 años estaba como nuevo, pero la roca de su base se desintegraba y no podía soportar su peso, por lo que se construyó un cuarto faro en sus inmediaciones, y el tercero se desmontó piedra a piedra para ser reconstruido en Plymouth, donde continúa en servicio. Apareció en una serie de Gran Bretaña, conmemorativa del 300 aniversario de su inauguración.
El Faro de Utö es el más antiguo de Finlandia. Fue construido en 1753 en la isla de Utö, en la parte norte del Báltico. Originalmente era una torre redonda troncocónica de piedra, con dos luces independientes, como aparece en un sello finlandés, conmemorativo del 250 aniversario de la fundación de la institución finlandesa de prácticos y faros. La luz de la linterna, en la parte superior, era a base de velas y aceite. La otra, era una luz exterior adicional de carbón, suspendida de una cesta metálica en un lateral del faro. Ha sufrido dos grandes reformas en su estructura, en 1814 y en 1859. Se adaptó a los tiempos modernos, y en 1953 celebró su bicentenario.
El Faro de Cabo Hatteras se levantó en 1870. Es el faro de ladrillo más alto de los Estados Unidos. Mide 60 m., que con la superestructura metálica para la linterna alcanza los 70 m. de altura. Sufrió diversas reparaciones por desperfectos debidos a la meteorología. Construido originalmente a unos 460 metros del agua, la mar fue comiendo la playa y amenazó su integridad, por lo que en 1999 se trasladó tierra adentro. Hoy es también una atracción turística, fácilmente reconocible por ser una torre alta, estilizada y con bandas pintadas, que desde la base a la cima la envuelven en diagonal, como se puede ver en un sello de Estados Unidos. Por esas bandas hoy es conocido como "el mayor anuncio de barbería del mundo".
El Faro de Calella es una bella construcción, levantada sobre un promontorio rocoso de unos 50 metros de altura a la entrada de la población. Su luz alcanza 30 millas, y desde 1916 se alimenta con electricidad, habiéndolo hecho antes con aceite, parafina y petróleo. Es uno de los faros más importantes de la costa mediterránea española. Fue inaugurado el 15 de diciembre de 1859, ha estado en servicio desde entonces, y se convirtió en el símbolo de la ciudad que le da nombre. Es también un punto de visita obligada para el paseante, ya que ofrece unas vistas inmejorables de la población y su playa. Apareció en un sello español de 1986.
El Faro de San Juan de Salvamento fue inaugurado por Argentina el 25 de mayo de 1884. Levantado sobre un promontorio de 70 metros de altura en la Isla de los Estados, era una estructura de madera de forma poligonal. Fue inmortalizado por Julio Verne en "El Faro del Fin del Mundo", y estuvo en funcionamiento hasta 1902, en que las inclemencias del tiempo lo dejaron fuera de servicio. En 1994, el francés Andre Bonner, de La Rochelle, decidió reconstruirlo, y en l997 comenzó el premontaje de un faro idéntico, que en dos meses quedó listo y en funcionamiento en San Juan de Salvamento. En la Pointe des Minimes, en La Rochelle, se construyó otro igual, que fue inaugurado el 1 de enero del 2000, fecha en que Francia emitió un sello en el que aparecen ambos faros.
La Estatua de la Libertad fue un regalo de Francia a los Estados Unidos en el centenario de su independencia. Se levanta en la isla Libertad, en el río Hudson (Nueva York), y en sus comienzos también fue faro. Con una estructura de acero revestida de cobre y un peso total de 100 toneladas, representa a una diosa Libertad de 46 m. de altura, sobre una peana de piedra de 47 m. de alto. La diseñó el escultor alsaciano Fréderic-Auguste Bartholdi, y Gustave Eiffel realizó los cálculos de su estructura. Se terminó de construir y se encendió su antorcha en 1886, y en 1887, la Ilustración Española y Americana comentó que creaba graves problemas a las aves migratorias, que se estrellaban al ser atraídas y deslumbradas por su potente luz. Más adelante fue declarada monumento nacional, y es motivo de gran cantidad de sellos, sobre todo de los Estados Unidos.
Marcelino González
(Nota: Artículo publicado en la Revista “Crónica Filatélica”. Enero de 2004)
domingo, janeiro 08, 2006

travessadoferreira.blogspot.com
COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Amigos
Já podem escrever os vossos comentários directamente no meu blog. Está aberto, a partir de agora.
Basta carregar no título do texto que quiserem comentar – e adiante!
Infelizmente, não podem publicar fotos, etc. As minhas desculpas, mas a lei é a lei…
Desde este momento ya pueden publicar comentários directamente en mi blog. Lo he abierto.
Es suficiente hacer clic en el titulo del texto que quieran comentar – y ¡adelante!
Desgraciadamente, no se puede publicar fotos, etc. Les pido perdón, sin embargo la ley es la ley…
Après ce juste moment vous pouvez mettre vos comentaires dans mon blog. Je l'ai ouvert.
Il suffit de faire clic sur le titre du texte que vous voulez commenter – allez y, les gars!
Malheureuxement on peut pás publier des photos, etc. Je m’en excuse, mais la loit est la loi…
Since this exact moment you can publish without any problems your comments in my blog. I opened it.
It’s easy. You had, only to click the title of the text you want comment – and go strait!
That’s a petty, but you can’t publish photos, etc. Sorry, but law is law…
Antunes Ferreira
sábado, janeiro 07, 2006
Olhó passarinho
… E há, ainda a estória do motociclista que acelerava a sua Kawasaki pela estrada foram, vrooooooooommmmmmmmm, vrrrrooooooommmmmmmmm, o capacete, apesar de bem apertado quase lhe saltava da cabeça. Descia um nevoeirozinho, uma névoa, pouco mais e os óculos do acelera orlavam-se de pequenas pérolas, do frio ou do suor.
Nisto, um pobre passarinho vem voando um tanto baixo e zazzzzzzzz, é apanhado pelo motociclista. «Que se lixe o passarinho…»… Mas, 687,63 metros mais à frente, a consciência falou mais forte. O nosso homem, fez inversão de marcha, não vinha ninguém, e ei-lo que chega junto ao passarinho caído no asfalto. Apalpa o inocente e descobre que está quente – tanto quanto o ar frígido lho permite – mas, sobretudo que a pequenina máquina cardíaca bate e o peito reflecte o papel dos pulmões.
Pega no passarinho, tadinho, embrulha-o na camurça de limpar a máquina e segue para casa. No caminho, compra uma gaiola bué de fixe. Já em casa, mete o passarinho ainda desmaiado na gaiola, vai buscar um pires de água e, como de alpista, nem pó, desmiola um pouco de pão - «assim o animalito sempre come alguma coisa…»…E vai para a sala ver a TVSport.
Daí a nada, o passarinho entreabre o bico, agita a cabecinha, os olhos descerram-se e põe-se em pé nas patitas. Olha à volta – «mas onde que estou?» E, logo: «Grades? Pão e água?? Porra! Será que eu matei o motociclista???????....»??????
quinta-feira, janeiro 05, 2006
A vingança do chinês
Um chinês entra num bar em Nova Iorque onde está a beber uns copos o Steven Spieberg. Quando vê o realizador, pensa logo «Olha o Spielbelg! Gostava de o conhecel»...
No entanto, quando o conhecido cineasta passa pelo oriental, vira-se para ele e espeta-lhe um valente murro na tromba... Isto, sem aviso prévio, nem pouco mais ou menos!
«Então?!? Mas que tlampa é esta? - pergunta o chinês, levando as mãos à fronha muito amarrotada.
E o Steven com um vozeirão: «Vocês, fdp japoneses, mataram o meu avô quando bombardearam Pearl Harbour»!!!...
«Mas, ó senhol eu nem sequel sou japonês. Sou chinês...»
«Chineses, tailandeses, japoneses... Para mim é tudo a mesma merda!!!» arrota o Spielberg que já se ia embora. Nisto, o chinês chega-se ao pé dele e dá-lhe com uma cadeira no alto do cocoruto. Ganda cadeirada!!!
«Porra!?!? Que gaita é esta???» pergunta o Spielberg esfregando energicamente o alto do crâneo bastante amassado.
«Estúpido amelicano! Ganda sacana! Tu mataste a minha avó quando afundaste o Titanic»!!!!!!! O realizador, pior que um broncosaurio muito bronco: «Mas eu não afundei o Titanic. Nem pó. Foi um iceberg»...
«Icebelg, Calsbelg, Spielbelg... Pala mim é tudo a mesma melda»!!!!!!!
Antunes Ferreira
Com a prestimosa colaboração do meu akuñado Raul Palhau raulpalhau@hotmail.com fornecedor indómito de anedotas, blagues, piadas, chistes & correlativos. Verdadeira cadeia de produção. Bravo! Agradeço-te a remessa constante e a paciência de me aturares. Kyppis*
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* obrigadinho em finlandês, éokeu te desejo.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
O que será preciso para que a malta amiga, os amigos da malta amiga, os amigos dos amigos da malta amiga, os amigos dos amigos dos amigos da malta amiga escrevam neste espaço que é vosso?????
Não sei bem o que faça. Suicidar-me?... Nem pó!!!!!!!!
Bom, vou continuar à espera, com toda a paciência do Mundo & arredores. É como o Sporting - que também é o melhor do Mundo & arredores. Já está
Henriquinho, o Desesperado da Lapa
TudinhoAs coisas são o que são. Não se pode ter tudo, ainda que quiséssemos alcançar tudo. O tudo é como a última bola de snooker. Só quando entra é que acabou o jogo. O tudo é como uma redoma de cristal puro absolutamente transparente. Está lá, qual elmo protector invisível, mas só se dá conta dela quando se parte. O tudo é um absurdo inatingível. Será???
A que vem este arrazoado? Pois, meus Amigos, voltando do Hospital de Santa Maria onde está internado o meu irmão (chamam-lhe cunhado, mas eu não) Luís Gonzaga Alcântara de Melo, Lulocha prós familiares & adjacentes, após uma visita encorajadora – o rapaz, aliás da minha idade, 64, aqui e na Moita, já come manjares de gente – dei por mim a pensar nisto tudo.
Pronto. Lá vem o tal tudo. Tudo leva a que tudo me passe pelo cristalino bestunto. Se calhar sem razão, pois tudo é relativo. Mas, c’os dianhos, acima o tudo era tudo, agora tudo é relativo.
Tudo bem. O mais importante é que, apesar da traqueotomia, o nosso Lulocha já recomeçou a dizer coisas – a falar! Baixinho, mas a falar. Deu um pequeno passo em frente. Mas, como diria o Amstrong ao pisar o solo lunar, é um passo que tem uma dimensão tal que abarca tudo. Tudo, mesmo. Tudinho.
Antunes Ferreira
domingo, janeiro 01, 2006
Pronto. Já estamos em 2006. Que raio de tempo é o tempo, não se atrasa, não se adianta, não engana qualquer folha de calendário que se preze, não olha para trás, enfim, não é simpático porque nos leva a caminho do forno crematório. Mas, que se lhe há-de fazer? Os 365 dias – nos anos bissextos 364 – caem quotidianamente à meia-noite e logo se lhes seguem, sem microns a intervalá-los os outros. Não há apelo nem agravo que os mude.
E, como nasceu este estado de coisas?
Ora bem. Hoje utilizamos o Calendário Gregoriano. Ao fim de uma catrefa de outros, mais ou menos históricos mas sempre inexoráveis. O actual é o que se utiliza na maior parte dos países ocidentais Foi promulgado pelo Papa Gregório XIIIa 24 de Fevereiro de 1582 para substituir o Calendário Juliano, seu antecessor Cinco anos de estudos, discussões, acerta daqui, emenda acolá, há dias a mais – corta! – e, finalmente, o inevitável: oficialmente, o primeiro dia deste calendário foi 15 de Outubro do mesmo ano de 1582.
O povinho ficou um tanto aparvalhado. Mau, com tanta mudança e confusão, como iria saber os dias de cada mês e essas chatices todas? E, como sempre, prático até mais não, pariu não uma, mas múltiplas menmónicas. Da que o autor mais gosta é a que reza: "Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro. Fevereiro vinte e oito tem. Se for bissexto, mais um lhe prantem. E os mais que sete são, trinta e um todos terão". Versão portuguesa com copyright. O Google é uma maravilha; erudição e cultura a todo o tal desgraçado tempo.
E voltamos ao 2006 que apenas tem umas horitas. De fraldas (descartáveis?) o mafarrico ainda nem é gente: é tempo. Já permite atrocidades, catástrofes, guerras, doenças, tsunamis, crimes, tal como o que morreu de velho e todos os outros. Uma desgraça permanente. E quanto a factos, a procedimentos, a causas, a acontecimentos bons? Contem pelos dedos, Amigos, pelos dedinhos, vá lá, das duas mãos.
Existem, portanto, os positivos. Mas, quantos? Oxalá fossem muitos; forem… Porque os votos que nesse sentido se costumam fazer são eminentemente farisaicos (anote-se que se trata de expressão calina; contra os fariseus não tenho nada. Ponto). As promessas – falácias. E os apertos de mão: com a direita estendida e a esquerda escondida atrás das costas – e armada.
Antunes Ferreira, triste e desesperançado
Se quiserem fazer mais um favor, comentem esta merda!!! Obrigadinho...


