sábado, março 18, 2006



Mao e maus


O maoismo é Mao ou é mau? Vem-me aos lóbulos (incompletos) cerebrais esta pergunta, depois de ter visto na Telebisom do Norte, carago, o Garcia Pereira, líder do MRPP, que, para todos os efeitos, continua a ser o partido – partido? Unido – maoista cá do burgo. E ainda que vão longe os tempos heroico-revolucionários do camarada Arnaldo Matos, aliás o Grande Educador da Classe Operária, o Movimento Recuperador das Pa$ta$ Perdidas (leia-se MRPP, sil us plau), outro causídico empunha o facho (salvo seja) olímpico, a caminho de Beijing, RPC.

Ora pronto. Cá temos. Mão; China; China; Beijing; Beijing; Jogos Olímpicos; JO; medalhas; medalhas; condecorações; conde; nobre; corações; enfarto; enfarto; estou farto; estou farto de me perguntar se o maoismo é Mao ou é mau? Garcia Pereira, o grande inducador dos tribunais de trabalho, é um gajo porreiro. Um dia, só para verem como ele é, a uma pergunta de um aluno, por acaso o meu filho Luís Carlos, decidiu dar-lhe uma explicação e sentaram-se nos degraus da escadaria de entrada (e de saída) da Faculdade de Direito da Universidade Clássica.

Além da elucidação ter sido perfeita, o meu descendente caçula ficou encantado com o Prof., com a simpatia, a afabilidade, a simplicidade e a disponibilidade dele. O Garcia Pereira (que eu conheço das lides informativas) será Mao, mas não é mau. Bem pelo contrário. Querem outro exemplo sem cariz familiar?

Um Amigo/irmão que tenho, anda a ser sacaneado por uns pseudo-gestores que tomaram conta (democraticamente) duma instituição da nossa praça. O Senhor que os novos patrões da lancha tentam amarrotar, pelo menos, e que durante 16 longos anos envergou a camisola do tal organismo, viu-se, vítima dessa miserável perseguição, na necessidade de consultar um especialista em Direito do Trabalho. Tiro e queda: o Garcia Pereira eleito por unanimidade dos tipos a quem pôs a questão – quem?

No decurso da primeira consulta, já o dirigente da dita organização dita laboral e desdita por mor da inconsequente e incompetente (in)gestão que por aquelas bandas se instalou, que não tem mesmo nada, nadíssima, a ver com Esquerdas, abrenúncio, deu-se conta de que o jurista era porreiro.

Mas, não ficaria por aqui a constatação. Situações posteriores vieram corroborar a opinião do meu Amigo e lixado irmão. Actuação impecável, opiniões lineares, conhecimento de causa, tudo junto já faziam do Garcia Pereira um quase herói para um conservador porreiríssimo. Mas o cuidado também conta. E se os clientes têm sempre razão, como dizem os teóricos e os práticos do Comércio, no caso vertente ela brilha, pura, transparente, cristalina.

Um pedido de esclarecimento telefónico e, meia hora, se tanto, depois, a resposta pereiriana no telemóvel do honesto cidadão. A quem poderia acrescentar outras, muitas, qualidades, de entre as quais aquelas que se cultivam na tropa, a que ele pertenceu – e pertence, mesmo na reserva e na reforma.

Parece-me que cheguei a uma conclusão, equacionadas as hipóteses, elaboradas as premissas. Também mal faria e péssimo seria se não alcançasse este nirvana de trazer por casa. Com gente como o Garcia Pereira, o maoismo é Mao, mas matizado. De mau – não tem nada. Ora toma. Maus, maus, péssimos são os infra-gestores (???) de pacotilha: Mas isso são outros quinhentos mil réis…

Antunes Ferreira

domingo, março 12, 2006

Lisboa está perigosa


A Lisboa de hoje está cada vez mais perigosa. Não, não me refiro às drogas, aos tiros, aos assaltos, aos roubos, aos esticões, aos contos do vigário, a todas as manifestações de um lúmpen que saiu das sarjetas e anda por aí causando medo ou, pelo menos, assustando os cidadãos mais desprevenidos ou desatentos.

Dou de barato que estas coisas se tenham desenvolvido em Portugal. É claro que sim. Se se desenvolveram por todo o Mundo, não o teriam feito entre nós? Por que bulas? Olho em redor e de imediato vejo uma chusma de gentes que se entretém na crítica permanente e destrutiva. A maioria vem do antigamente ou está ainda ligada à Outra Senhora. Não haja dúvidas.

São, por exemplo, aqueles para quem tudo está mal. Demos-lhes voz, de seguida.

Porquê? Porque aconteceu no dia 25 de Abril de 1974 o que consideram uma desgraça desgraçada. Greves? Manifestações de rua? Centrais Sindicais? Tolerância sexual? Aceitação de práticas de vida diferentes? Onde é que já se viu? Para quê tais acções e procedimentos aviltantes? Onde está o cumprimento puro e duro das obrigações. Por isso, só com direitos e nenhuns deveres, chegámos ao que chegámos.

Se o Governo é vermelho – é porque é vermelho; se é verde, idem, se é castanho, idem, idem; se é azul, aspas; se é cor de burro quando foge, aspas, aspas. No entanto, e face à circunstância bendita dos comunas e dos bloquistas não estarem no Poder – graças sejam dadas à Senhora de Fátima – há que dar porrada nos socialistas.

O Sócrates é pane……,maricote – e se não é, devia ser. Assim, com ou sem difamação, é mais facilmente atacável. Pelo sim, pelo não, é de espalhar. Também é ditador, o que é péssimo para a democracia deles. Ataca alguns dos que mais têm: reformados com três mil euros, quatro, cinco, coisa e picos. Malandro, tal como ele próprio, inverteu os termos de um quebrado que estava inteiro durante anos a fio no Estado dito «Novo».

Mas também, à pala de acabar com privilégios, arremeteu contra funcionários públicos de todas as cores, qualidades e feitios; contra médicos, enfermeiros & afins; contra polícias fardados, à paisana e outros; contra os que cumprem com os seus deveres os mais diversos; contra os que se dedicam ao trabalho, premiando os madraços. Veja-se o destrambelho do chamado subsídio para os mais desfavorecidos. Veja-se o subsídio de enquadramento social. Veja-se o abono para os muito idosos e muito pobres. Assim, não andamos para a direita, digo, frente.

É um mentiroso completo: não cumpriu, pelo menos até à data, as promessas que havia feito na campanha eleitoral. Chefia um Executivo à deriva, no qual cada ministro é muito pior do que o colega/camarada que se senta a seu lado. Desde que caiu a seriedade, a verticalidade e a honorabilidade, esta é a pior cambada que temos em São Bento e arredores. O Pinho é uma cavalgadura. O Teixeira dos Santos, um vendido. O Gago, um atrasado mental. O Freitas, um traidor. O Vieira, um mentecapto. Enfim, uma carrada de bestas.

Mas, aventam os que não comungam a mesma hóstia, não diziam os outros, os bons, os óptimos, que eram necessárias reformas profundas e corajosas? Que, de resto, eles próprios não fizeram, alegadamente por não terem tido tempo, por se terem esquecido, porque tinham coisas muito mais importantes para fazer. Claro que reformas, sim; mas com conta, peso e medida. E, sobretudo, nunca à bruta, como o gajo está a fazer. Ditatorialmente, é o que é, repetem e repisam.

Perdão, mas quando os senhores ou os vossos amigos, ou os vossos patrões estavam no Poder, com partido único, censura e polícia política vivia-se em democracia? Fruía-se da Liberdade? E a resposta na ponta da língua: Saudosistas nós? Estas respostas a questões com outra questão são um óptimo sintoma e um excelente caminho para quem diz cortar a direito e afirma recusar as sinuosidades.

E por aí fora. Já houve rusgas a jornais – que não sabem usar da dita liberdade de informação. Parece tudo encaminhado – e bem – para que a ordem, o respeito e o sossego voltem a reinar. Isto porque agora quem anda a reinar connosco, pessoas de bem e portugueses impolutos, é essa corja. Bem dizia quem já lá está à Direita… de Deus Pai, Todo-Poderoso, que os políticos deviam ser proibidos, ou, até, eliminados da face da terra. Como se afirmava na Moscovo soviética, fuzilados provisoriamente.

Corruptos, daninhos, irresponsáveis, impreparados, alguns mesmo miúdos que acabaram de largar os cueiros, são uma cáfila. Piores do que os dirigentes dos clubes. Aliás, o futebol também está pelas ruas da amargura. O nosso Eusébio esteve sempre cá, orgulhosamente (só?). E quem não era do Benfica não era bom chefe de família. Parece agora que os encarnados querem voltar aos êxitos dos anos 60. O bom filho à casa volta.

Adiante. Voltando acima ao começo deste escrito. Lisboa está cada vez mais perigosa. Refiro-me ao trânsito. Pois é, estou a ouvi-los, tudo aquilo que funcionava direitinho, até sinaleiros pretos tivemos na altura da Exposição do Mundo Português, foi-se. Acabaram com o Natal do Sinaleiro, vejam lá. Antes, nos bons tempos, quando se via uma placa encarnada – acentua-se, encarnada – com um traço branco sabia-se que era proibido… circular.

Hoje, ninguém se rala com isso. Os condutores são abusadores impiedosos, homicidas ao volante, sempre na mira de terem os peões no ponto de mira. Os peões são uns saloios, chegam a atravessar nas passadeiras. Assim, não há rigor, não há decência, não há compostura, nada se faz a bem da Nação. Esta, tal como o trânsito, abastarda-se. Que saudades.

Mas, você que redige este papelucho tem de explicar o porquê de um tal perigo. São os autocarros da Carris, sempre atrasados? São os taxistas sempre desleixados? São os carteiristas do Metro sempre atarefados? São estes, aqueles e aqueloutros?

Se me permitem, excelentíssimos senhores, é por causa dos anúncios que têm vindo a proliferar na via pública. Nas paragens, nas paredes, nos placares, uma vergonha. Só mulheres despidas – ou quase. Desavergonhadas! Anúncios de peças de roupa intimas. Cada vez mais reduzidas, para não dizer inexistentes. Anúncios de filmes verdadeira e infelizmente pornográficos. Anúncios de pastilhas elásticas, cuja conotação pecaminosa e sensual é evidente. E, pasme-se, até de filmes com cowboys larilas, e concorrentes aos Óscares.

É o desbragamento total. Já não há valores, já não há moral, já não há, sequer, tino. Lisboa é realmente uma cidade perigosíssima. E o resto do País, também. Bardinos!

Antunes Ferreira

sexta-feira, março 10, 2006


Um país feijão-frade



O jornal «A Bola» publicou na sua última edição um curioso estudo de que me permito aqui transcrever uns excertos. Trata-se de uma comparação bem interessante, assinada por Hugo Vasconcelos entre os índices desgraçadamente negativos deste Portugalzito de trazer por casa com os resultados internacionais dos clubes lusos.

O antigo Condado Portucalense é o país da Europa a 15 – pois os dez novos membros não foram contabilizados estatisticamente pelo Eurostat – com menor rendimento interno bruto per capita; com a maior diferença entre os 20 por cento mais ricos da população e os 20 por cento mais pobres; com mais gente no limiar da pobreza; com menor taxa de produtividade e com mais jovens a deixar o ensino antes de terminada a escolaridade obrigatória.
Quer isto dizer: somos, realmente, o cu da União Europeia. E, pelo andar da carruagem, parece que isso não nos faz grande mossa...

Bem ao contrário, no concernente às futeboladas regista o jornalista que nas últimas quatro épocas, houve quatro países que conseguiram ter pelo menos uma equipa nos quartos-de-final de uma das competições europeias. Juntamente com a Espanha, a Inglaterra e a Itália – foi Portugal. Por incrível que pareça nem a França nem a Alemanha conseguiram isso.

Mas, pasme-se. Só um país esteve representado em finais europeias nas três últimas épocas. Portugal. 2003. Porto ganhou a Taça UEFA. 2004. O mesmo Porto ganhou a Liga dos Campeões. 2005. O Sporting perdeu a final da Taça EUFA. Mas, como diria o Senhor de La Palice... esteve lá. No Alvalade Séc. XXI.

Teremos, assim, um país feijão-frade? Ou, de tão estranho, nem leguminoso nem religioso? Ou, ainda, antes assim do que pelo contrário? Ou, assim, das duas, três? Ou, acentuando, um país Jeckill/Hyde?

Os mais bem intencionados podem refugiar-se nos calinos duas faces da mesma moeda, no antes de o ser já o era, nos brandos costumes que tudo aceitam, tudo admitem. Somos assim, conformados e esperamos talvez demasiado da Senhora de Fátima. Temos um clima excelente – alto lá, tínhamos – e feriados em número apreciável. E pontes.

Apetece-me dizer que somos um povo de caca. Gestas? Quais? Onde? Quando? Como? Aljubarrota? O Nuno Álvares Pereira ou a padeira? Os Descobrimentos? Vasco da Gama ou os escravos negros? 1640? Defenestrado o João Pinto Ribeiro ou o Miguel de Vasconcelos? O António Damásio ou o Herman? O Mourinho ou o Paulinho Santos? Que raio de terra, de gente, de país somos nós!...

O Povo afirma, zombeteiro, que os lusos são pobretes, mas alegretes. Às abissais desigualdades, às crónicas incapacidades, às desgraçadas auto-demissões, a tudo isso e mais ainda, contrapomos o nosso desenrascanço. E vamos vivendo, minúsculos, as nossas frustrações e, sobretudo, as nossas invejas micrométricas. Do Egas Moniz, dos Madre-Deus, da Amália, do Eusébio, do Manuel José. Do Saramago, não, que o gajo é comunista.

Chamem-me o que bem entenderem. A Liberdade também é isso, a Democracia também passa por aí. Ou deviam – mas isso são já outros quinhentos mil euros e 18 cêntimos. Pessimista. Derrotista. Traidor. Renegado. E mais. Desonesto, ladrão, videirinho, intriguista, mentiroso – isso não. Façam-me esse favor.

Pois então fiquemo-nos por aqui. Nem a sorte madrasta que traz o Barcelona à Luz, nem os treinadores holandeses, nem o Apito Dourado, nem a Associação dos Dirigentes Honestos (que ainda não existe no papel, mas já vive perfeitamente) podem fazer com que abdiquemos da nossa realização futeboleira. Nunca. Valha-nos isso.

Antunes Ferreira



sexta-feira, março 03, 2006

ESTÓRIAS

Que dia de anos


Esta estorinha é absoluta e totalmente verdadeira. Os seus personagens, aqui com denominações obviamente fictícias, são reais, palpáveis, tácteis e cheiinhas de saúde e vida. Não se trata, portanto, de aqui se alertar, como em ficção acontece, para o facto do enredo ser inventado, que os nomes também e que a criação (que não de capoeira) não tem nadinha a ver com acontecimentos reais. Estamos, assim, entendidos? Creio que sim.

Na vida dos casais há momentos de aflição os mais diversos e em situações elas também mais obnóxias. Entre marido e mulher não metas a colher, diz a sabedoria milenar/popular e com carradas de razão. Isto é, para ser mais preciso: os arrufos matrimoniais são como os desentendimentos nos balneários futebolísticos. É lá dentro que eles se resolvem. Se transpirar alguma coisa para o exterior, está o caldo entornado.

Claro que os cônjuges antecederam e em muito os futebolistas. Uns e outros podem fazer espectáculos. No que toca aos segundos, é para isso que eles agora são pagos. Não só, como é evidente, mas em grandíssima percentagem. A anos-luz vai o tempo do amor à camisola. Vejamos agora o que se passa com os primeiros. Darem espectáculos, nem pó. Apesar da libertinagem, a que alguns chamam incorrectamente liberdade, do vale tudo e do não puritanismo, ainda há que ter maneiras...

Já vejo, não tão ao longe como isso tudo, muita gente a comentar: «O gajo é um kota. Bué de antiquado, quase paleolítico. Vem agora com esta conversa para encher pneu. Melhor fazia se dedicasse o tempo que levou a botar este excremento (usa-se merda) a dar umas corridinhas à beira Tejo. Gordo como está, o alifante devia ter vergonha nas fuças e deixar-se de calinadas».

Muito bem. Apesar das rusgas que por aí se verificam, apesar das discussões estranhas a propósito dos tais cartoons, apesar das sessões lamentáveis/parlamentares, ainda não me encolhi o suficiente para, desta sorte, nem sequer pôr os pauzinhos ao sol. Mas há limites para a estupidez, a tacanhez e bestuntos encardidos. Delito de opinião – nunca. Já bastou o que se passou e passou. Se calhar não, mas...

Posto isto, voltemos à estorinha. Um casal modelo, como manda a santa madre Igreja, cumpridor, amantíssimo, temente a Deus como lhe competia, com fornicações apontadas à legítima procriação (fora disso era pecado e justificadamente) e controladas para que um eventual excesso não viesse à luz do quotidiano, era seu hábito e prática. De dia, porque à noite, só com uma iluminação pública à maneira.

Ora um fatídico dia em que a esposa completava umas quantas mas não muitas primaveras, o caro metade chegou já com alguma tardança a casa e, ao mesmo tempo que depositava um ósculo casto na fronte da senhora, foi adiantado - «... e o que é que hoje temos para jantar»? A outra metade, cara, igualmente, resmoneou que só se fosse ele a comer, que ela não tinha vontade.

Tragédia à vista. Os fados estavam de viés, se não mesmo de costas voltadas para o senhor em causa. Por incrível que pareça e apesar da juventude matrimonial, ele estava completamente esquecido que, nesse dia, exactamente, era o aniversário dela. Shakespeare nunca traçaria um tal quadro, Betovhen jamais escreveria uma só clave de sol de uma tal sinfonia absolutamente incompleta.

Incauto, o marido, face à cara de pau da digníssima, onde nem uma leve aragem de alegria muito menos uma sombra de sorriso se desenhavam, avançou com o clássico e calino - Ó filha, parece-me que estás mal disposta. Não gosto nada de ter ver assim de cenho franzido e carrancudo. O que é que tu tens, minha querida»?

E ela, numa voz mais gelado do que o iceberg fatal do Titanic: - O que é que tenho? Um dia mais do que ontem!...

Caiu o céu na cabeça do nosso senhor. Quem disso se receava eram o Axterix, o Obelix e os outros irredutíveis gauleses. Porém, ainda que muito tardiamente, fez-se luz no cerebelo dele. Não fez mais qualquer comentário. E, no dia seguinte, foi a correr comprar a primeira coisa que se assemelhasse a uma prenda de anos significativa e à tarde, entregou-lha, dizendo que, no dia anterior, do que ele se esqueça fora do dito presente na sua secretária de trabalho. Quanto ao resto – nada.

Ela sorriu. E ele nunca se decidiu a confessar a si próprio se tinha sido de condescendência – ou de pena. Lá bem no fundo do seu fundo, ainda hoje vegeta a interrogação: de desprezo? Vá lá entender as mulheres.
Antunes Ferreira



segunda-feira, fevereiro 27, 2006




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Carnaval - o que é isso?


Ainda salpicado de fim de semana, com o sacrista fechado, eis que desponta o Carnaval. Isto porque s’alevanta o sol, ainda que num esconde-esconde com nuvens ameaçadoras. Umas mais do que outras, diga-se em abono da verdade. Por conseguinte os donos dos desfiles da época esfregam as mãos de contentes e do frio. De Norte a Sul desta língua de terra ouviu-se um suspiro de alívio. Temos Entrudo. Temos euros – temos entradas de malta e de ma$$a$.

A vida é assim mesmo. O Carnaval, ainda que roce as ruas da amargura – onde vai ele em muitos lugares? – ainda tem, não sete vidas como os gatos, mas fôlego suficiente para ir tentando sobreviver. É óbvio que não se conta nestas modestas linhas com a loucura colectiva da Barão de Sapucaí, no Sambódromo. Este ano, pelo sim, pelo não, as autoridades distribuem 35 milhões de preservativos nesse local de perdição das cabeças. A bon entendeur…

Mais o Brásiu é o Brásiu, meu chapa. Não tem nada qui vê com os outros onde dizem havê Carnavais. Puxa, não! Si você não leva camisinha prà festança, aí você vai tê problema. Mi diga: será que o cara não enxerga o pirigo da AIDS? Você é desses do deixa pra lá? Então não podi entrá no cordão. Sambá tem qui si lhi diga. Ótimo. As mulatas são um espanto! Mais, cuidado. As mininas podem tê as bucetinhas infetadas. Não pensa, não, e tá numa frita. Em casa sua sinhora vai lhi côbrá. Tem juízo, negão.

Voltemos, assim, a Torres Vedras, a Loures, a Portimão, à Mealhada, a Sesimbra, à Povoa do Varzim, ao Estoril. A aberta nos cúmulos negros permitiu às portuguesinhas avançar para a via pública em trajes (?) mais do que reduzidos. A imitação do que se passa pela outra margem do Atlântico é perfeitamente estúpida. Lá é Verão, faz um calor tropical, tem fio dental e peitos ao léu. Aqui também, ainda que mais modestos. Mas tem frio, chuva e neve nas zonas acima dos 800 metros. E as mocinhas engripadas, sem aves. Uma ova! Ou melhor: um ovo!

Adiante. Entre os chamados carros alegóricos, os (as) travestis e as criancinhas de Harry Potter ou de Homem Aranha, esvai-se o tempo e a boa disposição. Os saquinhos de areia e de grão-de-bico que se atiravam com mais ou menos pontaria, as bichas-de-rabear, os penicos despejando-se, as enfarinhadelas e as bisnagas, onde vão? Conseguiram sobreviver os confetis e as serpentinas… Até quando?

Sem grande entusiasmo, diga-se. Vão umas décadas em que os pulhas do «Estado Novo» tentavam denodadamente fazer do corso no Estoril um émulo daquele que então se realizava na Avenida Rio Branco, com a Mangueira, a Vila Isabel, a Rocinha e muitas mais. Escola de samba é lá. Aqui é ersatz, como dizem os alemões. Daí a estranhíssima ideia ter dado com os burrinhos na áuga. Nice, Biarritz, Veneza suspiraram de alívio. Daqueles malucos lá de baixo não podia sair coisa boa… E não saiu.

Estamos nisto. Usando máscara todo o ano, os portugas chegavam ao Carnaval e tiravam-na. Os embustes quotidianos eram substituídos pelas partidas que, a partir de certa altura, tinham mais piada e mais efeitos se telefónicas fossem. «É de casa do Senhor Carneiro? É o próprio?... Então, dê duas marradas no telefone!... hahahahahahahahah».

Hoje é o vira o disco e toca o mesmo, só que com outros disfarces. Ainda que com os CD seja só uma face. Coisa raríssima entre nós. Em vias de extinção, até... E o vira-casacas calino. Outros tempos, outros enganos. Hoje, ao contrário do antigamente, anda 69,3% da malta a enganar uns 12,7%. Os restantes – abstêm-se. Ou votam branco. O Entrudo de todo o ano é triste, sombrio, negro, deprimente. As falsas gargalhadas, ocas, são apenas bocejos de tédio. Os parolos – todos nós – caímos tranquilamente nas peças que nos pregam. Pudera, não. E a crise? Já nem se disfarça...

Viva o Carnaval? Abaixo o Carnaval? Se o gajo está nos últimos estertores já nem vale a pena esperar a noite inteira pra tudo se acabar na quarta-feira. Acaba-se já. Acabou.

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domingo, fevereiro 12, 2006

Passados 84 anos sobre Tutankamon

Descoberto um novo túmulo no Vale dos Reis

Leio – e quase caio da cadeira, de espanto. Num Mundo em que, aparentemente, quase tudo está descoberto, eis que, do Egipto, me (nos) chega uma notícia que me (nos) deixa estupefacto(s).

Pensava eu que, ao cimo da Terra, esperava a Humanidade que se encontrassem soluções para a cura do cancro, da sida, das doenças de Alzheimer, Parkinson, dos pezinhos, entre algumas outras, vacinas específicas para maleitas irresolúveis, etc. E ainda, que se conhecesse em pormenor, finalmente, o aparelho linfático, se avançasse nas esperanças levantadas pela biogenética e se dessem outros passos no domínio da saúde. Esqueçam. E façam, por isso, o favor de olhar para o que nos surge.

Andaram os homens tanto tempo à procura da mítica Atlântida. Até nos Açores. Debalde. Buscaram, desesperada e afincadamente, o Shangrylah. Em vão. Tentaram plagiar o bom do Jules Verne, descendo ao centro da Terra. Utopia, maior do que a de Morus. E, perante a incapacidade de resolverem tais mistérios aparentemente indecifráveis – voltaram-se para o espaço, onde ainda continuam a tentear e tentar.

Da cadela Layka até Neil Amstrong vai uma distância enorme. E aos vaivéns espaciais outra. E às estações orbitais mais uma. E às sondas? Se tomarmos em conta a Mars Science Laboratory que a NASA pretende fazer poisar no Planeta Vermelho em 2009, logo esse decurso temporal se encaixa no da primeira, a Mars Pathfinder que ali chegou em Julho de 1997. Que distância…

Nisto, quando me dava a reler a «Morte no Nilo» da enorme Agatha Christie, cai-me no monitor a notícia do achamento de uma tumba egípcia, precisamente no Vale dos Reis, a uns escassos cinco quilómetros do mais famoso do Mundo, o do faraó Tutankamon. Que eu já tive o privilégio de visitar, aquando de uma deslocação ao País das Pirâmides para me encontrar com o então Ministro de Estado dos Negócio Estrangeiros do Cairo.

Fui ao serviço do «Diário de Notícias», o meu jornal de sempre. E do encontro resultou uma conversa informal com Boutros Boutros Ghali que, mais tarde, chegaria a Secretário-Geral das Nações Unidas. Muito agradável, sobretudo devido à simpatia do cristão copta, não poderia resultar em entrevista, dado o pedido que ele me fez e que, obviamente, não reproduzo. Ficou comigo. A vida dá muitas voltas – mas, sobretudo, empanturra-nos de experiências. E de experiência.
Leio, entre o deslumbrado e o perplexo: «Uma equipa de arqueólogos da Universidade de Memphis, nos EUA, anunciou a descoberta de um túmulo, que parece estar ainda intacto, no Vale dos Reis, no Egipto. Algo semelhante não acontecia desde que foi encontrado o túmulo do faraó Tutankamon, em 1922.
No local estão cinco múmias, que parecem pertencer à XVIII dinastia, nos respectivos sarcófagos, todos ainda intactos, adiantaram os especialistas. Esta dinastia, a mesma do chamado faraó menino, reinou entre 1567 e 1320 antes de Cristo, altura em que o domínio do país sobre a área em volta era muito forte.
Apesar de no Vale dos Reis dever o seu nome ao facto de ser local de enterro da maioria dos faraós da época áurea, os arqueólogos afirmam que as múmias agora encontradas não parecem pertencer a famílias reais».
Porém, a posteriori, já se aventou que as múmias poderão ser da raínha Nefrertiti e das suas quatro filhas. A ser assim - e a hipótese parece ter pés para andar - a sensacional descoberta poderá, ainda, ter repercussões muito maiores. Um especialista egípcio utilizou o adjectivo "ciclópicas". Eu, modestamente, permito-me acrescentar que se trata de um verdadeiro tsunami arqueológico. Desculpem-me a ousadia ou o exagero...

Os cinco sarcófagos têm forma humana e têm máscaras funerárias com cores. «Por alguma razão foram todos enterrados de forma rápida num túmulo pequeno», adiantaram os arqueólogos.
O túmulo estava coberto pelos escombros de casas de trabalhadores de construção da XIX dinastia, datada de um século depois».
Sarcófagos que descansáveis em paz: as coisas mudaram radicalmente. Os pesquisadores oriundos da terra do tio Sam deram-vos cabo do descanso que julgáveis eterno. Nada. Eterno, dizem os católicos, só o Presidente do Conselho de Administração do Paraíso, a quem, no nosso globo, chamam o Pai, ou Padre, da Santíssima Trindade. E, mesmo assim…
Volto ao Nilo e ao Hercule Poirot. Um tanto preocupado com a questão da eternidade e do sossego. Mas encantado com a genialidade da tia Aghata.
Antunes Ferreira

terça-feira, janeiro 24, 2006

Camilleri: a descoberta

As coisas são o que são. Se assim não fosse, era o grande bocejo. Mesmo sendo assim, a vontade de escancarar a boca com a corresponde emissão sonora e sem se colocar a mão à frente, sem nenhuma pudícia, bastas vezes é tão desvairada que se pode dizer que bocejar alivia o intumescimento. Qual? Não vem ao caso, nem acrescenta o que quer que seja a este escrito. Como ultrapassar este niilismo de pacotilha? Como conviver com a crise? Como aceitar os resultados eleitorais? Descobri a receita.Tenho andado a ler o Andrea Camilleri. Não fora a proverbial oferta do meu filho Luís Carlos, pelo meu aniversário, de «O ladrão de merendas» e creio que nunca chegaria a este fantástico italiano, agora com 81 anos, que a partir dos anos oitenta passou a dedicar-se à escrita – e de que maneira. Os seus romances policiais com o comissário Montalbano como protagonista são um primor. Tem em seu poder diversos prémios literários. Merece-os.
A Difel 82, editora da nossa praça, na sua colecção Literatura Estrangeira, é a responsável máxima por estas prodigiosas aventuras dum siciliano na Sicília, paridas por um… siciliano. Camilleri planta os seus personagens com Savo Montalbano à cabeça em Vigàta, inventadíssima localidade, a par com as estórias que elabora.No entanto, acabo agora uma obra que considero mais do que prima: é tia, é mãe, é pai, é a família toda e adjacentes. Chama-se «A Concessão do Telefone», que, desta feita é dada à estampa pela Presença. Ambas as editoras são as culpadas da presença do siciliano escriba no nosso País. Este último livro não é de enigmas, muito menos de mistério a detectivar. É um exemplar magnífico, um encadear de situações, escritos, acontecimentos, ligações suspeitas e por aí adiante.Fez-me rir a gargalhadas. Mas, por igual, obrigou-me a pensar sobre questões tramadas, com a necessária e óbvia seriedade, A ironia venenosa que enforma as suas páginas é um verdadeiro milagre literário. Um tsunami de crítica impiedosa, sem nunca ela ser, sequer, enunciada. Mas que está em todas as linhas de todos os períodos de todos os parágrafos de todos os capítulos. Li-o em duas noites – mas podia ter sido apenas uma. Não aconteceu. Ainda bem. Frui dele mais umas boas horas nocturnas.Camilleri usa como cenário sempre a Sicília – que, assim, se torna omnipresente nas suas linhas preciosas. E com isso, naturalmente, temos a Máfia. Também omnipresente. E os criminosos. E os políticos. E os jornalistas. E os intriguistas. E os outros. E Montalbano gerindo, deglutindo, salivando as personagens para que elas o alimentem e nos alimentem.Se quiserem passar umas horas, tantas quantas acharem necessárias, façam o obséquio de ler este «jovem autor» com lugar cativo no Parnaso sem necessitar de passe para a terceira idade, muito menos de bilhetes pré comprados. É o caso, tal como a pescada ou o vestido que antes de o serem já o eram. Quanto mais tarde Andrea Camilleri se apear na última paragem – melhor. Mas nem precisa de chegar: já lá está.
Antunes Ferreira
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NB – Para contactos com as editoras podem usar-se os seus mails:

Difel 82 – difel@difel.pt

Presença – info@editpresenca.pt

domingo, janeiro 22, 2006

REGISTO

PR – Cavaco em Belém


Portugal tem um novo Presidente da República – Aníbal Cavaco Silva. Eleito sem margem para grandes dúvidas à primeira volta das eleições de hoje, domingo, 22 de Janeiro de 2006. Pela primeira vez, depois de 25 de Abril de 1974 (recordam-se da data? Dos acontecimentos? Há muitas dúvidas? Parece…) a Direita tem um representante em Belém. C’est fini.

Para a Esquerda – na qual me incluo desde que me conheço politicamente – o desaire é lamentável. Não é um desaire: é um desastre. Não foi capaz de ultrapassar guerras do alecrim e da manjerona. Perdeu. Porém, não vale chorar sobre o leite derramado. Não se pescam trutas com bragas enxutas, diz o Povo. E nem vale a pena vir com a alegação calina: perdeu-se uma batalha mas… Meus Amigos. Perdeu-se a guerra.

Cavaquistão se chamou durante dez anos a este País. Agora, teremos a reedição, quem sabe se corrigida e aumentada. O recém-eleito Chefe do Estado irá «ajudar» (não se sabe a quem…) a salvar a Pátria. Donde, já temos mais um «salvador da dita». Já houve tantos… Da bruma saiu-nos um professor a quem o dr. Jardim chamou o sr. Silva. Dom Sebastião morreu em Alcácer Quibir. Cavaco voltou. Quem foi que ganhou???...

Antunes Ferreira

quarta-feira, janeiro 18, 2006


TU CÁ, TU LÁ

O meu cunhado Armando, de apelido Fernandes, dá-me, as mais das vezes, alegrias e das grandes. É um sujeito bem apanhado, o dito cujo. Sediado no Québec, mais precisamente em Chateauguay, e já há uns bons anos, continua intrinsecamente português. Dêem-lhe as voltas que pretendam dar-lhe – e que ele permita, pois é homem de convicções e força – e lá volta ele ao leit motif que lhe é o mais caro: as cores verde-rubras, com tudo o que daí advém.
Um jovem com 66 anos (ou…, diz tu ó mano), verdadeiro sábio informático, é companheiro de largas lides e de longo tempo. Tenhamos as diferenças que tivermos, sempre nos entendemos – e perfeitamente. Aliás, como diz o Chico Fininho, é muito mais aquilo que nos une do que o que nos separa. Isto, apesar dos quilómetros atlânticos que se resolvem num fósforo, a jacto.
Se eu quisesse dar exemplos disso mesmo, não me chegariam os dedos das mãos, dos pés, os do macaco ascendente, inclusive os do nosso primeiro quase matricida de Guimarães.
Deixem-me que abra aqui uma parentética que creio oportuna. Não fora essa ideia peregrina de bater na mãe, a Dona Tareja, e provavelmente ainda prestaríamos os nossos respeitos a Don Manuel Fraga Iribarne. Donde, há que reconhecê-lo, este rectângulo à beira-mar plantado teve uma inauguração bem pouco edificante. Diria até: pior só um espectáculo de wrestling televisado. Opinião sujeita a contestação.
Pois, desta feita, o moço Fernandes (que é um exemplo exemplar de colaboração neste travessadoferreira.blogspot.com) comentou e bem o artigo do «Almirante» Marcelino, o González, galego dos sete costados, meio irmão - que deveria sê-lo em full time. Outra opinião sujeita a contestação. Interpolo uma nova ideia: cada vez me convenço mais de que quem deveria ter sido defenestrado era o João Pinto Ribeiro. E aplaudido o pobre do Miguel de Vasconcelos. Endeusado, mesmo.
Entre Fernandes e González ou vice-versa há um traço de união: o mar. Além disso, ambos se dão ao luxo de saber o que é a Barra da Figueira, naturalmente da Foz. Faróis, pescadores, camisas aos códradinhos, coisas dessas que fazem os homens conviver, comungando. E não se trata aqui de hóstias ou paramentos eclesiásticos. Refiro-me à comunhão fraterna, feita de cumplicidades e afectos, de trocas de ideias e de pensamentos, de livre alvedrio e, mesmo, de felicidade.
Por isso que me desculpem do choradinho: ó Armando primeiro, recebe mais um abração do Armando segundo. «Só nós dois é que sabemos»? Se calhar, não. Mas, «quanto nos queremos bem» é, alem de profundamente verdadeiro, o reconhecimento do que tens dado ao travessadoferreira.blogspot.com.

Antunes Ferreira

sábado, janeiro 14, 2006

TEM DIAS

Uma vez mais – um êxito


Fui, uma vez mais, ao Politeama. Em cena «A canção de Lisboa». Uma vez mais, o La Feria. Uma vez mais, um êxito. Desde o «Passa por mim no Rossio» só falhei uma (vez mais?): «A Rainha do Ferro Velho». Nunca saberei o porquê desta ausência. Por me recordar a Laura Alves? Mas, desta feita, as lembranças ainda eram maiores – e acumuladas: a Beatriz Costa, o Vasco Santana, o António Silva, até mesmo o Santos Carvalho & companhia ilimitada… Ná, não foi por mor das meninges inflamadas. Uma vez mais, tenho de confessar – não faço a mínima ideia.

Este Filipe não dá tréguas, mas dá cartas. Uma vez mais. Pode-se não gramar o tipo. E então? Não será por isso que se lhe tira o mérito, uma vez mais. Ir ao teatro das Portas de Santo Antão é tiro e queda. Uma vez mais a apoteose de um génio criador no domínio do musical, uma vez mais a reminiscência do teatro de boulevard, num primor de aggiornamento do director artístico, encenador, autor, domador de actores, incontornavelmente o mais brilhante desta geração.

Não gosto de génios. Das pessoas, friso. Da Callas ao Einstein, do Rembrandt ao Charlot, do Da Vinci ao Beckenbauer, do Rodin ao Beethoven ao Gates. Se algum dia – hipótese mais do que remota, absolutamente impossível – me convidassem para integrar a Associação Internacional deles, recusaria terminantemente, mesmo que me dispensassem do pagamento da jóia…

Neste última comparência no Politeama, estreei-me logo ao marcar do ponto: La Feria estava à porta, autografando os cinco euros do programa. Foi a boa altura para o rever. Ele, do alto da sua genialidade; eu do ínfimo da minha mediocridade. Para se completar o quadro só faltava o Chico Orta, irmão dele, desenhador e amigo, desde a infância comum no Restelo. Aproveito: um abração, Chico.

O génio condescendeu e lá me rabiscou a capa a vermelho. Uma dedicatória à D. Raquel e ao Ferreira. Mas, instantaneamente, a correcção – intercalou um Sr. garatujado. Deixa lá, génio. Que eu me lembre dos anos mais próximos só não comete erros o dr. Cavaco, que nunca se engana, disse ele. Filipe não me reconheceu. Não tinha, aliás, obrigação de. Nem do tempo mais chegado do Diário de Notícias. A memória, tal como a carne, é fraca. Acontece.

Adiante. No final vinha, uma vez mais, satisfeito, contente, feliz. Há génios, quase sempre com mau génio, a quem se perdoam algumas, poucas, coisas. Ao La Féria, perdoa-se o mau hálito pelo que produz. «A Canção de Lisboa» de agora, herdeira da inspiradora homónima, do José Galhardo, dos Rauis Ferrão e Portela, é mais um êxito laferiano. Uma vez mais.

Antunes Ferreira

terça-feira, janeiro 10, 2006

REGISTO

O meu Amigo Comandante Marcelino González, oficial prestigiado da Armada de Espanha, galego como os que são - e, para mim, que já o promovi na amizade, na estima, na consideração e na minha iconoclastia, o Grande Almirante das Rias Baixas - companheiro de deserto tunisino et aliud, pois o Marcelino mandou-me este pedaço de prosa sobre farois e sêlos postais. Não me «ordenou» que o publicasse aqui. Ai dele, se o fizesse. Mas, digam-mo depois em comentário que espero, não seria homem de uma só face se o não fizesse. Portanto, ele aqui vai. A. F.


Filatelia y mar

Volver al Canal


Faros con historia

Hay muchos lugares que ofrecen excelentes oportunidades para dar un buen paseo, como son los entrañables y solitarios parajes de la costa coronados por faros, desde donde se puede contemplar la inmensidad del mar con su siempre cambiante aspecto. Son lugares que invitan al disfrute del entorno, al descanso y a la meditación. Y son puntos de anclaje de torres de muy variadas formas pero con la misma finalidad: ayudar al navegante. Los faros ayudan a los barcos, y los guían con sus luces por la noche y con sus formas por el día. El faro es un amigo que saluda al marino cuando recala en la costa y le despide cuando se aleja. Y es también amigo de la gente de tierra firme, que por una parte confía en él para que guíe a sus parientes y amigos que trabajan en la mar, y por la otra ve en él el fin de lo conocido - la tierra -, y el comienzo de lo desconocido y misterioso - la mar -.

Posiblemente fueron las mujeres las primeras que encendieron fuegos en los acantilados para orientar a sus hombres que trabajaban en la mar. Ya en el siglo VIII antes de Cristo, había construcciones primitivas por las costas del Mediterráneo, con fuegos que además de luz para la noche, producían un humo muy denso, visible de día a largas distancias. Los fenicios y romanos construyeron los primeros faros fijos por el Mar Negro, Mediterráneo, y Atlántico hasta Bretaña. Pero las invasiones de los bárbaros, la caída del imperio romano en el siglo V, y el azote vikingo, redujeron considerablemente la navegación y el comercio por mar, y se dejaron de construir faros. Para ver nuevas construcciones hubo que esperar hasta el siglo XII, en que la reactivación del comercio resucitó la navegación, sobre todo en Italia, Francia, países escandinavos y Alemania. Aparecieron monjes que mantenían encendidos faros, construidos de forma altruista por ellos mismos Otros en cambio, eran construidos y regentados por particulares, que cobraban por sus servicios a los barcos que los utilizaban como guías para entrar en puerto.

También aparecieron falsos faros; luces puestas por ladrones y piratas en lugares peligrosos para la navegación, que ocasionaban el naufragio de los barcos que se habían fiado de ellas, y representaban una fuente de ingresos para los desalmados "fareros". Con el aumento de la navegación se incrementó la construcción de faros, que tuvo un gran empuje en el siglo XVIII y continuó en los siglos siguientes, para llegar a la gran cantidad de torres que hoy aparecen repartidas por todas las costas. España sin ir más lejos, cuenta con unos 190 faros de cierta entidad. La procedencia de su luz varió con los años: madera, velas, aceite, carbón, petróleo, electricidad, energía solar, e incluso energía nuclear. Con el tiempo recibieron cristales, espejos, lentes, etc., para aumentar su rendimiento y alcance, y la atención diaria que en principio requerían ha ido desapareciendo en aras de la automatización, con lo que la solitaria y romántica figura del farero tiende a la extinción.

Por otra parte, los faros aumentan continuamente sus capacidades con otros artilugios, para hacerlos mas completos en aras de una navegación mas segura (sirenas, bocinas de niebla, repetidores radar, sistemas de navegación, indicadores de dirección y velocidad del viento, estaciones meteorológicas, sistemas de comunicaciones, etc.). Hubo y hay faros con una gran historia, carismáticos y con personalidad propia por su origen, pasado, tamaño, situación, vida, leyenda,... que han sido motivos de sellos de correos, como los que cito a continuación. El Faro de Alejandría fue una esbelta torre de unos l00 metros de alto, construida sobre una base de piedra, con una plataforma en la parte superior en la que por las noches ardía resina y leña. Fue construido por orden del rey Ptolomeo II en la pequeña isla de Pharos - de donde procede el nombre de "faro" -, a la salida del puerto de Alejandría. Obra del arquitecto griego Sostratos de Cnido, se terminó de construir hacia el año 283 antes de Cristo. Fue el primer faro real del que hay constancia histórica, y estuvo considerado como una de las siete maravillas del mundo antiguo. Se mantuvo en pie durante casi mil años, hasta que en el 700 de nuestra era lo destruyó parcialmente un terremoto. Otros terremotos ocurridos entre 1302 y 1394 lo redujeron a ruinas. Muchos de sus restos desaparecieron bajo el agua, y en el año 1480 se construyó en su lugar una fortificación. A finales del siglo pasado, los arqueólogos localizaron sus restos sumergidos. Apareció en sellos de Egipto y de otros países.

El Coloso de Rodas fue una enorme estatua de bronce, que al parecer tenía un pie asentado a cada lado de la bocana del puerto de Rodas, y con la luz de la antorcha que sostenía en una de sus manos guiaba los barcos. Dedicado a Helios, dios del Sol, fue diseñado por el escultor Chares. Se terminó de construir sobre el año 271 antes de Cristo, y fue considerado otra de las siete maravillas de mundo antiguo. Se calcula que podía medir unos 30 o 40 metros de altura y pesar unas 70 toneladas. Lo destruyó un terremoto en el año 224 antes de Cristo. Se dice que los restos que permanecieron a la vista, fueron vendidos como chatarra a un comerciante judío a mediados del siglo VII de nuestra era, con lo que desapareció todo vestigio de aquel coloso. Ha sido reproducido en sellos de muchos países, entre ellos Grecia.

La Torre de Hércules, situada a la entrada del puerto de A Coruña, es el faro en funcionamiento más antiguo del mundo. Es uno de los más importantes de España, y es también una magnífica atracción turística. Lo levantó Caius Sevius Lupus en el siglo II de nuestra era, y desde entonces ha permanecido en su sitio como guía de la navegación. Hecho de piedra, ha sufrido diversas remodelaciones, la última en el 1847. Tiene una altura de 48,5 m. Cuenta la leyenda que Hércules vino a la Península Ibérica a robar los bueyes del monstruo Gerión, y cuando consiguió su propósito se fue a descansar a la esquina noroeste de la península, donde parece que la vida le fue tan bien, que como recuerdo levantó la gran torre que lleva su nombre. Apareció en un sello de España como parte integrante del escudo de A Coruña, con una calavera a sus pies, que es la de Gerión.

El Faro de Eddystone es el más antiguo de Gran Bretaña, y continúa en servicio tras varias reconstrucciones. El primer faro, de madera y piedra, levantado sobre una pequeña roca que quedaba cubierta con la marea alta, empezó a funcionar en 1698, se reforzó con metal en 1699, y fue barrido por un huracán en 1703. En su lugar se inauguró en 1709 otro de granito y madera, que ardió en 1755. Entonces se encargó el tercer faro al ingeniero John Smeaton, que lo construyó como una prolongación hacia el cielo de la roca de la base. Fue inaugurado en 1759, y esta vez fue un éxito que se copió en otros lugares. Pasados 125 años estaba como nuevo, pero la roca de su base se desintegraba y no podía soportar su peso, por lo que se construyó un cuarto faro en sus inmediaciones, y el tercero se desmontó piedra a piedra para ser reconstruido en Plymouth, donde continúa en servicio. Apareció en una serie de Gran Bretaña, conmemorativa del 300 aniversario de su inauguración.

El Faro de Utö es el más antiguo de Finlandia. Fue construido en 1753 en la isla de Utö, en la parte norte del Báltico. Originalmente era una torre redonda troncocónica de piedra, con dos luces independientes, como aparece en un sello finlandés, conmemorativo del 250 aniversario de la fundación de la institución finlandesa de prácticos y faros. La luz de la linterna, en la parte superior, era a base de velas y aceite. La otra, era una luz exterior adicional de carbón, suspendida de una cesta metálica en un lateral del faro. Ha sufrido dos grandes reformas en su estructura, en 1814 y en 1859. Se adaptó a los tiempos modernos, y en 1953 celebró su bicentenario.

El Faro de Cabo Hatteras se levantó en 1870. Es el faro de ladrillo más alto de los Estados Unidos. Mide 60 m., que con la superestructura metálica para la linterna alcanza los 70 m. de altura. Sufrió diversas reparaciones por desperfectos debidos a la meteorología. Construido originalmente a unos 460 metros del agua, la mar fue comiendo la playa y amenazó su integridad, por lo que en 1999 se trasladó tierra adentro. Hoy es también una atracción turística, fácilmente reconocible por ser una torre alta, estilizada y con bandas pintadas, que desde la base a la cima la envuelven en diagonal, como se puede ver en un sello de Estados Unidos. Por esas bandas hoy es conocido como "el mayor anuncio de barbería del mundo".

El Faro de Calella es una bella construcción, levantada sobre un promontorio rocoso de unos 50 metros de altura a la entrada de la población. Su luz alcanza 30 millas, y desde 1916 se alimenta con electricidad, habiéndolo hecho antes con aceite, parafina y petróleo. Es uno de los faros más importantes de la costa mediterránea española. Fue inaugurado el 15 de diciembre de 1859, ha estado en servicio desde entonces, y se convirtió en el símbolo de la ciudad que le da nombre. Es también un punto de visita obligada para el paseante, ya que ofrece unas vistas inmejorables de la población y su playa. Apareció en un sello español de 1986.

El Faro de San Juan de Salvamento fue inaugurado por Argentina el 25 de mayo de 1884. Levantado sobre un promontorio de 70 metros de altura en la Isla de los Estados, era una estructura de madera de forma poligonal. Fue inmortalizado por Julio Verne en "El Faro del Fin del Mundo", y estuvo en funcionamiento hasta 1902, en que las inclemencias del tiempo lo dejaron fuera de servicio. En 1994, el francés Andre Bonner, de La Rochelle, decidió reconstruirlo, y en l997 comenzó el premontaje de un faro idéntico, que en dos meses quedó listo y en funcionamiento en San Juan de Salvamento. En la Pointe des Minimes, en La Rochelle, se construyó otro igual, que fue inaugurado el 1 de enero del 2000, fecha en que Francia emitió un sello en el que aparecen ambos faros.

La Estatua de la Libertad fue un regalo de Francia a los Estados Unidos en el centenario de su independencia. Se levanta en la isla Libertad, en el río Hudson (Nueva York), y en sus comienzos también fue faro. Con una estructura de acero revestida de cobre y un peso total de 100 toneladas, representa a una diosa Libertad de 46 m. de altura, sobre una peana de piedra de 47 m. de alto. La diseñó el escultor alsaciano Fréderic-Auguste Bartholdi, y Gustave Eiffel realizó los cálculos de su estructura. Se terminó de construir y se encendió su antorcha en 1886, y en 1887, la Ilustración Española y Americana comentó que creaba graves problemas a las aves migratorias, que se estrellaban al ser atraídas y deslumbradas por su potente luz. Más adelante fue declarada monumento nacional, y es motivo de gran cantidad de sellos, sobre todo de los Estados Unidos.

Marcelino González

(Nota: Artículo publicado en la Revista “Crónica Filatélica”. Enero de 2004)

domingo, janeiro 08, 2006


travessadoferreira.blogspot.com

COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Amigos

Já podem escrever os vossos comentários directamente no meu blog. Está aberto, a partir de agora.
Basta carregar no título do texto que quiserem comentar – e adiante!
Infelizmente, não podem publicar fotos, etc. As minhas desculpas, mas a lei é a lei…



Desde este momento ya pueden publicar comentários directamente en mi blog. Lo he abierto.
Es suficiente hacer clic en el titulo del texto que quieran comentar – y ¡adelante!
Desgraciadamente, no se puede publicar fotos, etc. Les pido perdón, sin embargo la ley es la ley…

Après ce juste moment vous pouvez mettre vos comentaires dans mon blog. Je l'ai ouvert.
Il suffit de faire clic sur le titre du texte que vous voulez commenter – allez y, les gars!
Malheureuxement on peut pás publier des photos, etc. Je m’en excuse, mais la loit est la loi…

Since this exact moment you can publish without any problems your comments in my blog. I opened it.
It’s easy. You had, only to click the title of the text you want comment – and go strait!
That’s a petty, but you can’t publish photos, etc. Sorry, but law is law…

Antunes Ferreira

sábado, janeiro 07, 2006

RI-TE, RITA

Olhó passarinho


E há, ainda a estória do motociclista que acelerava a sua Kawasaki pela estrada foram, vrooooooooommmmmmmmm, vrrrrooooooommmmmmmmm, o capacete, apesar de bem apertado quase lhe saltava da cabeça. Descia um nevoeirozinho, uma névoa, pouco mais e os óculos do acelera orlavam-se de pequenas pérolas, do frio ou do suor.

Nisto, um pobre passarinho vem voando um tanto baixo e zazzzzzzzz, é apanhado pelo motociclista. «Que se lixe o passarinho…»… Mas, 687,63 metros mais à frente, a consciência falou mais forte. O nosso homem, fez inversão de marcha, não vinha ninguém, e ei-lo que chega junto ao passarinho caído no asfalto. Apalpa o inocente e descobre que está quente – tanto quanto o ar frígido lho permite – mas, sobretudo que a pequenina máquina cardíaca bate e o peito reflecte o papel dos pulmões.

Pega no passarinho, tadinho, embrulha-o na camurça de limpar a máquina e segue para casa. No caminho, compra uma gaiola bué de fixe. Já em casa, mete o passarinho ainda desmaiado na gaiola, vai buscar um pires de água e, como de alpista, nem pó, desmiola um pouco de pão - «assim o animalito sempre come alguma coisa…»…E vai para a sala ver a TVSport.

Daí a nada, o passarinho entreabre o bico, agita a cabecinha, os olhos descerram-se e põe-se em pé nas patitas. Olha à volta – «mas onde que estou?» E, logo: «Grades? Pão e água?? Porra! Será que eu matei o motociclista???????....»??????

quinta-feira, janeiro 05, 2006

RI-TE, RITA

A vingança do chinês



Um chinês entra num bar em Nova Iorque onde está a beber uns copos o Steven Spieberg. Quando vê o realizador, pensa logo «Olha o Spielbelg! Gostava de o conhecel»...
No entanto, quando o conhecido cineasta passa pelo oriental, vira-se para ele e espeta-lhe um valente murro na tromba... Isto, sem aviso prévio, nem pouco mais ou menos!
«Então?!? Mas que tlampa é esta? - pergunta o chinês, levando as mãos à fronha muito amarrotada.
E o Steven com um vozeirão: «Vocês, fdp japoneses, mataram o meu avô quando bombardearam Pearl Harbour»!!!...
«Mas, ó senhol eu nem sequel sou japonês. Sou chinês...»
«Chineses, tailandeses, japoneses... Para mim é tudo a mesma merda!!!» arrota o Spielberg que já se ia embora. Nisto, o chinês chega-se ao pé dele e dá-lhe com uma cadeira no alto do cocoruto. Ganda cadeirada!!!
«Porra!?!? Que gaita é esta???» pergunta o Spielberg esfregando energicamente o alto do crâneo bastante amassado.
«Estúpido amelicano! Ganda sacana! Tu mataste a minha avó quando afundaste o Titanic»!!!!!!! O realizador, pior que um broncosaurio muito bronco: «Mas eu não afundei o Titanic. Nem pó. Foi um iceberg»...
«Icebelg, Calsbelg, Spielbelg... Pala mim é tudo a mesma melda»!!!!!!!

Antunes Ferreira

Com a prestimosa colaboração do meu akuñado Raul Palhau raulpalhau@hotmail.com fornecedor indómito de anedotas, blagues, piadas, chistes & correlativos. Verdadeira cadeia de produção. Bravo! Agradeço-te a remessa constante e a paciência de me aturares. Kyppis*
________________________

* obrigadinho em finlandês, éokeu te desejo.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Que será preciso???????????


O que será preciso para que a malta amiga, os amigos da malta amiga, os amigos dos amigos da malta amiga, os amigos dos amigos dos amigos da malta amiga escrevam neste espaço que é vosso?????
Não sei bem o que faça. Suicidar-me?... Nem pó!!!!!!!!

Bom, vou continuar à espera, com toda a paciência do Mundo & arredores. É como o Sporting - que também é o melhor do Mundo & arredores. Já está

Henriquinho, o Desesperado da Lapa
Tudinho


As coisas são o que são. Não se pode ter tudo, ainda que quiséssemos alcançar tudo. O tudo é como a última bola de snooker. Só quando entra é que acabou o jogo. O tudo é como uma redoma de cristal puro absolutamente transparente. Está lá, qual elmo protector invisível, mas só se dá conta dela quando se parte. O tudo é um absurdo inatingível. Será???
A que vem este arrazoado? Pois, meus Amigos, voltando do Hospital de Santa Maria onde está internado o meu irmão (chamam-lhe cunhado, mas eu não) Luís Gonzaga Alcântara de Melo, Lulocha prós familiares & adjacentes, após uma visita encorajadora – o rapaz, aliás da minha idade, 64, aqui e na Moita, já come manjares de gente – dei por mim a pensar nisto tudo.
Pronto. Lá vem o tal tudo. Tudo leva a que tudo me passe pelo cristalino bestunto. Se calhar sem razão, pois tudo é relativo. Mas, c’os dianhos, acima o tudo era tudo, agora tudo é relativo.
Tudo bem. O mais importante é que, apesar da traqueotomia, o nosso Lulocha já recomeçou a dizer coisas – a falar! Baixinho, mas a falar. Deu um pequeno passo em frente. Mas, como diria o Amstrong ao pisar o solo lunar, é um passo que tem uma dimensão tal que abarca tudo. Tudo, mesmo. Tudinho.

Antunes Ferreira

domingo, janeiro 01, 2006

Ano Novo? Vida Velha

Pronto. Já estamos em 2006. Que raio de tempo é o tempo, não se atrasa, não se adianta, não engana qualquer folha de calendário que se preze, não olha para trás, enfim, não é simpático porque nos leva a caminho do forno crematório. Mas, que se lhe há-de fazer? Os 365 dias – nos anos bissextos 364 – caem quotidianamente à meia-noite e logo se lhes seguem, sem microns a intervalá-los os outros. Não há apelo nem agravo que os mude.
E, como nasceu este estado de coisas?
Ora bem. Hoje utilizamos o Calendário Gregoriano. Ao fim de uma catrefa de outros, mais ou menos históricos mas sempre inexoráveis. O actual é o que se utiliza na maior parte dos países ocidentais Foi promulgado pelo Papa Gregório XIIIa 24 de Fevereiro de 1582 para substituir o Calendário Juliano, seu antecessor Cinco anos de estudos, discussões, acerta daqui, emenda acolá, há dias a mais – corta! – e, finalmente, o inevitável: oficialmente, o primeiro dia deste calendário foi 15 de Outubro do mesmo ano de 1582.
O povinho ficou um tanto aparvalhado. Mau, com tanta mudança e confusão, como iria saber os dias de cada mês e essas chatices todas? E, como sempre, prático até mais não, pariu não uma, mas múltiplas menmónicas. Da que o autor mais gosta é a que reza: "Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro. Fevereiro vinte e oito tem. Se for bissexto, mais um lhe prantem. E os mais que sete são, trinta e um todos terão". Versão portuguesa com copyright. O Google é uma maravilha; erudição e cultura a todo o tal desgraçado tempo.
E voltamos ao 2006 que apenas tem umas horitas. De fraldas (descartáveis?) o mafarrico ainda nem é gente: é tempo. Já permite atrocidades, catástrofes, guerras, doenças, tsunamis, crimes, tal como o que morreu de velho e todos os outros. Uma desgraça permanente. E quanto a factos, a procedimentos, a causas, a acontecimentos bons? Contem pelos dedos, Amigos, pelos dedinhos, vá lá, das duas mãos.
Existem, portanto, os positivos. Mas, quantos? Oxalá fossem muitos; forem… Porque os votos que nesse sentido se costumam fazer são eminentemente farisaicos (anote-se que se trata de expressão calina; contra os fariseus não tenho nada. Ponto). As promessas – falácias. E os apertos de mão: com a direita estendida e a esquerda escondida atrás das costas – e armada.

Antunes Ferreira, triste e desesperançado

Se quiserem fazer mais um favor, comentem esta merda!!! Obrigadinho...

domingo, dezembro 25, 2005

RECORTES A VALER

Um Natal por cá

Assinado pelo jornalista Eduardo Dâmaso, director-adjunto do (ainda e sempre meu) "Diário de Notícias" saiu na edição do dia de Natal um Editorial que não posso deixar de classificar como excelente. Num tema tristemente criminoso e desgraçadamente real, Dâmaso apresenta-nos um Natal que, hoje, é mais importante do que os outros. E explica porquê. E eu subscrevo por baixo o texto excepcional, comungando integralmente com o autor. O DN merece este director-adjunto. Daqui segue o abraço sentido, solidário e entusiásico de um antigo chefe da Redacção do nosso jornal. Parabéns Eduardo. Estou «650%» contigo. A. F.

Acreditar


Eduardo dâmaso

H oje há um Natal mais importante do que os outros. Pelo mundo inteiro celebram-se milhões de Natais, milhões de partículas de crença religiosa ou simples rotina celebrativa definidas pela felicidade ou pela tragédia, pela solidão ou pela alegria. Mas, por cá, há um Natal que sentimos necessidade de distinguir pela actualização do poder metafórico que o evento natalício simboliza. Um Natal que nos diz coisas cruéis sobre nós, criaturas contraditórias no rasto de genialidade ou de tragédia que transportamos, mas que nos empresta um ânimo suplementar. O Natal que hoje vive no Hospital Pediátrico de Coimbra a bebé que aos 50 dias de vida já transportava na sua imensa fragilidade uma história de bestialidade humana é o Natal que nos importa.
É o Natal que nos conta a história em que queremos acreditar e que nos diz que nem tudo pára nesta época apenas em nome da celebração de um outro bebé nascido há mais de dois mil anos em Belém. O que importa hoje são as vidas como a que resiste no Pediátrico de Coimbra à maldade humana, pois é nelas que está o espelho mais complexo daquilo que somos.
A história do Natal em que queremos acreditar é aquela que nos oferece o relato da força e da esperança, que nos aproxima da necessidade imperativa de fundar um novo humanismo. Nada adianta celebrar o Natal cristão ou qualquer feriado de qualquer outra crença se não formos capazes de todos os dias olhar para os acontecimentos que nos trazem a força implacável da miséria humana, para a sociedade desigual em que vivemos, para as iniquidades praticadas em nome de Deus. Não é por ser Natal e por razões fixadas nos calendários e na doutrina da fé que devemos abraçar o bem mas por vivermos num mundo a precisar de novas respostas para os problemas que enfrenta.A ciência deu-nos este ano progressos notáveis no domínio da genética evolutiva, das origens do planeta e da luta contra a doença. Mas também nos alertou para os riscos do aquecimento global e da degradação ambiental.
E é aqui, na esperança e no alerta induzidos pela ciência e numa refundação humanista, que podem estar as celebrações dos Natais do futuro. Só com este caldo de racionalidade e de actualização do papel e da mensagem de uma fé que terá de virar-se, também ela, mais para os problemas da Terra, para o combate aos novos medos e ameaças, e menos para os desígnios do Céu, conseguiremos obter respostas para o inexplicável comportamento humano que se manifesta na dupla bestialidade agressora do seu semelhante e do seu planeta. É aqui que está o debate de hoje e do futuro, até à eternidade o que vamos nós fazer da nossa espécie? É esta a pergunta que ressalta do Natal que se vive hoje numa cama do Pediátrico de Coimbra.
UM ANO DEPOIS


Tsunami: último balanço
contabiliza 217 mil mortos

Neste 26 de Dezembro faz um ano que ocorreu no Oceano Índico o maior tsunami desde que há memória e registos. Cerca de 217 mil pessoas morreram ou foram dadas como mortas em consequência do terrível sismo de magnitude 9,3 da escala de Richter, que desencadeou um tsunami nos países costeiros daquela zona. A Lusa que transmitiu estes dados não os confirmou por impossibilidade, aliás compreensiva. São, portanto, indiciários, dramaticamente.

Se fosse possível aferir com exactidão a magnitude do cataclismo dir-se-ia que os deuses, estando loucos, tinham disparado sobre o planeta as suas armas mais mortíferas. Estas sim, armas de destruição maciça, não as inventadas pelo sr. Georges W. Bush. Só na Indonésia, registaram-se mais de 168 mil mortos ou desaparecidos, no Sri Lanka 31 mil e na Índia 16.389 mortos e desaparecidos.
Na Tailândia, país turístico por excelência, o número de mortos confirmados atingiu 5.395, dos quais 2.248 estrangeiros de 37 nacionalidades diferentes, aos quais se juntaram 8.457 feridos e 673 declarados como desaparecidos. Entre os outros países asiáticos atingidos, estão as Maldivas (82 mortos e 26 desaparecidos), a Malásia (68 mortos), a Birmânia (61 mortos) e o Bangladesh (dois mortos). Mas o tsunami atingiu também a África Oriental, com 298 mortos na Somália, dez na Tanzânia e um no Quénia.
No que toca aos reflexos verificados no Ocidente, e nomeadamente na Europa, os dois países com o maior número de vítimas mortais foram a Suécia (543) e a Alemanha (537), seguidos da Finlândia com 167, a Suíça com 91 e a França 90.
Esta contabilidade macabra é, como atrás se diz, aproximada. A catástrofe de dimensões horrendas ficou para a História do Mundo. O facto de a recordarmos agora, quando se completa um ano sobre ela, não é apenas o registo de uma efeméride. É também o reconhecimento do quanto os homens são impotentes - por mais que se tenha evoluído, por mais sofisticada que seja a tecnologia por mais que se tenham desenvolvido os meios de intervenção - para dominar completamente a Natureza. Bem o tentamos, mas… Recordar o malfadado acontecimento é, ainda, a homenagem possível a tantas vítimas.
AR-RIMAS

Roupa suja, perdão, velha

Amigos, mais um Natal
Mais prendas nos sapatinhos
Mais presépio, mais pinheiro
Uma festa sempre igual
Em que nós somos santinhos
Mas beras no ano inteiro

Bacalhau com muitas couves
Batatas, cebola e alho
Pouco vinagre e muito azeite
Ó tu, vê lá se me ouves
Se não, vai para o… trabalho
Ou bebe um copo de leite

Azevias mais filhós
Broas boas, rabanadas
Fatias de bolo-rei
Filhos, pais e até avós
Todos muito entusiasmados
À espera de quê? Eu sei…

Iluminações em quantidade
Penduradas pelas paredes
Gambiarras multicores
Quais luzes duma cidade.
Pescadores com suas redes
Patrões e trabalhadores

Poetas, musas e vates
Jornalistas. Engenheiros.
Arquitectos, jogadores
Xadrezistas, xeques-mates
E até, por tinta dinheiros
Uns se vendem, meus senhores

Já entrámos pelas Festas
Que se desejam bem Boas
Para quem tem e não tem
Queres mais festinhas destas?
Entoar cantos e loas?
E as figuras de Belém?

Deixemos todos de lado
Estas presidenciais (???)
Que toda a malta se engana
O Povo está bem avisado
Já não vai em carnavais
nem que fossem... prá semana

Um presépio bem montado?
Fica-te bem esse intuito
Não há por aí data igual
Há muito tipo enrascado
Que há muito tempo, muito
Ainda crê no Pai Natal

O peru, no forno, a assar
Recheado com mestria
Com batatas e bom molho
Põe a gente a salivar
E no meio da alegria
Há que ter aberto o olho

Porque se assim não fizer
Arrisca-se a meter água
De tamanho desengano
Pois quem passa, podem crer,
Sem o bicho é uma mágoa
Que vai até ao fim do ano.

Enviado por imeile – mas, cheio de vontade que mais outra gente leia esta chachada aqui o meto também. Desculpem… Henrique, o Vate da Lapa, com Lata