Camilleri: a descoberta
As coisas são o que são. Se assim não fosse, era o grande bocejo. Mesmo sendo assim, a vontade de escancarar a boca com a corresponde emissão sonora e sem se colocar a mão à frente, sem nenhuma pudícia, bastas vezes é tão desvairada que se pode dizer que bocejar alivia o intumescimento. Qual? Não vem ao caso, nem acrescenta o que quer que seja a este escrito. Como ultrapassar este niilismo de pacotilha? Como conviver com a crise? Como aceitar os resultados eleitorais? Descobri a receita.Tenho andado a ler o Andrea Camilleri. Não fora a proverbial oferta do meu filho Luís Carlos, pelo meu aniversário, de «O ladrão de merendas» e creio que nunca chegaria a este fantástico italiano, agora com 81 anos, que a partir dos anos oitenta passou a dedicar-se à escrita – e de que maneira. Os seus romances policiais com o comissário Montalbano como protagonista são um primor. Tem em seu poder diversos prémios literários. Merece-os.
A Difel 82, editora da nossa praça, na sua colecção Literatura Estrangeira, é a responsável máxima por estas prodigiosas aventuras dum siciliano na Sicília, paridas por um… siciliano. Camilleri planta os seus personagens com Savo Montalbano à cabeça em Vigàta, inventadíssima localidade, a par com as estórias que elabora.No entanto, acabo agora uma obra que considero mais do que prima: é tia, é mãe, é pai, é a família toda e adjacentes. Chama-se «A Concessão do Telefone», que, desta feita é dada à estampa pela Presença. Ambas as editoras são as culpadas da presença do siciliano escriba no nosso País. Este último livro não é de enigmas, muito menos de mistério a detectivar. É um exemplar magnífico, um encadear de situações, escritos, acontecimentos, ligações suspeitas e por aí adiante.Fez-me rir a gargalhadas. Mas, por igual, obrigou-me a pensar sobre questões tramadas, com a necessária e óbvia seriedade, A ironia venenosa que enforma as suas páginas é um verdadeiro milagre literário. Um tsunami de crítica impiedosa, sem nunca ela ser, sequer, enunciada. Mas que está em todas as linhas de todos os períodos de todos os parágrafos de todos os capítulos. Li-o em duas noites – mas podia ter sido apenas uma. Não aconteceu. Ainda bem. Frui dele mais umas boas horas nocturnas.Camilleri usa como cenário sempre a Sicília – que, assim, se torna omnipresente nas suas linhas preciosas. E com isso, naturalmente, temos a Máfia. Também omnipresente. E os criminosos. E os políticos. E os jornalistas. E os intriguistas. E os outros. E Montalbano gerindo, deglutindo, salivando as personagens para que elas o alimentem e nos alimentem.Se quiserem passar umas horas, tantas quantas acharem necessárias, façam o obséquio de ler este «jovem autor» com lugar cativo no Parnaso sem necessitar de passe para a terceira idade, muito menos de bilhetes pré comprados. É o caso, tal como a pescada ou o vestido que antes de o serem já o eram. Quanto mais tarde Andrea Camilleri se apear na última paragem – melhor. Mas nem precisa de chegar: já lá está.
Antunes Ferreira
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NB – Para contactos com as editoras podem usar-se os seus mails:
Difel 82 – difel@difel.pt
Presença – info@editpresenca.pt
terça-feira, janeiro 24, 2006
domingo, janeiro 22, 2006
| REGISTO PR – Cavaco em Belém Portugal tem um novo Presidente da República – Aníbal Cavaco Silva. Eleito sem margem para grandes dúvidas à primeira volta das eleições de hoje, domingo, 22 de Janeiro de 2006. Pela primeira vez, depois de 25 de Abril de 1974 (recordam-se da data? Dos acontecimentos? Há muitas dúvidas? Parece…) a Direita tem um representante em Belém. C’est fini. Para a Esquerda – na qual me incluo desde que me conheço politicamente – o desaire é lamentável. Não é um desaire: é um desastre. Não foi capaz de ultrapassar guerras do alecrim e da manjerona. Perdeu. Porém, não vale chorar sobre o leite derramado. Não se pescam trutas com bragas enxutas, diz o Povo. E nem vale a pena vir com a alegação calina: perdeu-se uma batalha mas… Meus Amigos. Perdeu-se a guerra. Cavaquistão se chamou durante dez anos a este País. Agora, teremos a reedição, quem sabe se corrigida e aumentada. O recém-eleito Chefe do Estado irá «ajudar» (não se sabe a quem…) a salvar a Pátria. Donde, já temos mais um «salvador da dita». Já houve tantos… Da bruma saiu-nos um professor a quem o dr. Jardim chamou o sr. Silva. Dom Sebastião morreu em Alcácer Quibir. Cavaco voltou. Quem foi que ganhou???... Antunes Ferreira |
quarta-feira, janeiro 18, 2006

| TU CÁ, TU LÁ O meu cunhado Armando, de apelido Fernandes, dá-me, as mais das vezes, alegrias e das grandes. É um sujeito bem apanhado, o dito cujo. Sediado no Québec, mais precisamente em Chateauguay, e já há uns bons anos, continua intrinsecamente português. Dêem-lhe as voltas que pretendam dar-lhe – e que ele permita, pois é homem de convicções e força – e lá volta ele ao leit motif que lhe é o mais caro: as cores verde-rubras, com tudo o que daí advém. Um jovem com 66 anos (ou…, diz tu ó mano), verdadeiro sábio informático, é companheiro de largas lides e de longo tempo. Tenhamos as diferenças que tivermos, sempre nos entendemos – e perfeitamente. Aliás, como diz o Chico Fininho, é muito mais aquilo que nos une do que o que nos separa. Isto, apesar dos quilómetros atlânticos que se resolvem num fósforo, a jacto. Se eu quisesse dar exemplos disso mesmo, não me chegariam os dedos das mãos, dos pés, os do macaco ascendente, inclusive os do nosso primeiro quase matricida de Guimarães. Deixem-me que abra aqui uma parentética que creio oportuna. Não fora essa ideia peregrina de bater na mãe, a Dona Tareja, e provavelmente ainda prestaríamos os nossos respeitos a Don Manuel Fraga Iribarne. Donde, há que reconhecê-lo, este rectângulo à beira-mar plantado teve uma inauguração bem pouco edificante. Diria até: pior só um espectáculo de wrestling televisado. Opinião sujeita a contestação. Pois, desta feita, o moço Fernandes (que é um exemplo exemplar de colaboração neste travessadoferreira.blogspot.com) comentou e bem o artigo do «Almirante» Marcelino, o González, galego dos sete costados, meio irmão - que deveria sê-lo em full time. Outra opinião sujeita a contestação. Interpolo uma nova ideia: cada vez me convenço mais de que quem deveria ter sido defenestrado era o João Pinto Ribeiro. E aplaudido o pobre do Miguel de Vasconcelos. Endeusado, mesmo. Entre Fernandes e González ou vice-versa há um traço de união: o mar. Além disso, ambos se dão ao luxo de saber o que é a Barra da Figueira, naturalmente da Foz. Faróis, pescadores, camisas aos códradinhos, coisas dessas que fazem os homens conviver, comungando. E não se trata aqui de hóstias ou paramentos eclesiásticos. Refiro-me à comunhão fraterna, feita de cumplicidades e afectos, de trocas de ideias e de pensamentos, de livre alvedrio e, mesmo, de felicidade. Por isso que me desculpem do choradinho: ó Armando primeiro, recebe mais um abração do Armando segundo. «Só nós dois é que sabemos»? Se calhar, não. Mas, «quanto nos queremos bem» é, alem de profundamente verdadeiro, o reconhecimento do que tens dado ao travessadoferreira.blogspot.com. Antunes Ferreira |
sábado, janeiro 14, 2006
TEM DIAS
Uma vez mais – um êxito
Fui, uma vez mais, ao Politeama. Em cena «A canção de Lisboa». Uma vez mais, o La Feria. Uma vez mais, um êxito. Desde o «Passa por mim no Rossio» só falhei uma (vez mais?): «A Rainha do Ferro Velho». Nunca saberei o porquê desta ausência. Por me recordar a Laura Alves? Mas, desta feita, as lembranças ainda eram maiores – e acumuladas: a Beatriz Costa, o Vasco Santana, o António Silva, até mesmo o Santos Carvalho & companhia ilimitada… Ná, não foi por mor das meninges inflamadas. Uma vez mais, tenho de confessar – não faço a mínima ideia.
Este Filipe não dá tréguas, mas dá cartas. Uma vez mais. Pode-se não gramar o tipo. E então? Não será por isso que se lhe tira o mérito, uma vez mais. Ir ao teatro das Portas de Santo Antão é tiro e queda. Uma vez mais a apoteose de um génio criador no domínio do musical, uma vez mais a reminiscência do teatro de boulevard, num primor de aggiornamento do director artístico, encenador, autor, domador de actores, incontornavelmente o mais brilhante desta geração.
Não gosto de génios. Das pessoas, friso. Da Callas ao Einstein, do Rembrandt ao Charlot, do Da Vinci ao Beckenbauer, do Rodin ao Beethoven ao Gates. Se algum dia – hipótese mais do que remota, absolutamente impossível – me convidassem para integrar a Associação Internacional deles, recusaria terminantemente, mesmo que me dispensassem do pagamento da jóia…
Neste última comparência no Politeama, estreei-me logo ao marcar do ponto: La Feria estava à porta, autografando os cinco euros do programa. Foi a boa altura para o rever. Ele, do alto da sua genialidade; eu do ínfimo da minha mediocridade. Para se completar o quadro só faltava o Chico Orta, irmão dele, desenhador e amigo, desde a infância comum no Restelo. Aproveito: um abração, Chico.
O génio condescendeu e lá me rabiscou a capa a vermelho. Uma dedicatória à D. Raquel e ao Ferreira. Mas, instantaneamente, a correcção – intercalou um Sr. garatujado. Deixa lá, génio. Que eu me lembre dos anos mais próximos só não comete erros o dr. Cavaco, que nunca se engana, disse ele. Filipe não me reconheceu. Não tinha, aliás, obrigação de. Nem do tempo mais chegado do Diário de Notícias. A memória, tal como a carne, é fraca. Acontece.
Adiante. No final vinha, uma vez mais, satisfeito, contente, feliz. Há génios, quase sempre com mau génio, a quem se perdoam algumas, poucas, coisas. Ao La Féria, perdoa-se o mau hálito pelo que produz. «A Canção de Lisboa» de agora, herdeira da inspiradora homónima, do José Galhardo, dos Rauis Ferrão e Portela, é mais um êxito laferiano. Uma vez mais.
Antunes Ferreira
Uma vez mais – um êxito
Fui, uma vez mais, ao Politeama. Em cena «A canção de Lisboa». Uma vez mais, o La Feria. Uma vez mais, um êxito. Desde o «Passa por mim no Rossio» só falhei uma (vez mais?): «A Rainha do Ferro Velho». Nunca saberei o porquê desta ausência. Por me recordar a Laura Alves? Mas, desta feita, as lembranças ainda eram maiores – e acumuladas: a Beatriz Costa, o Vasco Santana, o António Silva, até mesmo o Santos Carvalho & companhia ilimitada… Ná, não foi por mor das meninges inflamadas. Uma vez mais, tenho de confessar – não faço a mínima ideia.
Este Filipe não dá tréguas, mas dá cartas. Uma vez mais. Pode-se não gramar o tipo. E então? Não será por isso que se lhe tira o mérito, uma vez mais. Ir ao teatro das Portas de Santo Antão é tiro e queda. Uma vez mais a apoteose de um génio criador no domínio do musical, uma vez mais a reminiscência do teatro de boulevard, num primor de aggiornamento do director artístico, encenador, autor, domador de actores, incontornavelmente o mais brilhante desta geração.
Não gosto de génios. Das pessoas, friso. Da Callas ao Einstein, do Rembrandt ao Charlot, do Da Vinci ao Beckenbauer, do Rodin ao Beethoven ao Gates. Se algum dia – hipótese mais do que remota, absolutamente impossível – me convidassem para integrar a Associação Internacional deles, recusaria terminantemente, mesmo que me dispensassem do pagamento da jóia…
Neste última comparência no Politeama, estreei-me logo ao marcar do ponto: La Feria estava à porta, autografando os cinco euros do programa. Foi a boa altura para o rever. Ele, do alto da sua genialidade; eu do ínfimo da minha mediocridade. Para se completar o quadro só faltava o Chico Orta, irmão dele, desenhador e amigo, desde a infância comum no Restelo. Aproveito: um abração, Chico.
O génio condescendeu e lá me rabiscou a capa a vermelho. Uma dedicatória à D. Raquel e ao Ferreira. Mas, instantaneamente, a correcção – intercalou um Sr. garatujado. Deixa lá, génio. Que eu me lembre dos anos mais próximos só não comete erros o dr. Cavaco, que nunca se engana, disse ele. Filipe não me reconheceu. Não tinha, aliás, obrigação de. Nem do tempo mais chegado do Diário de Notícias. A memória, tal como a carne, é fraca. Acontece.
Adiante. No final vinha, uma vez mais, satisfeito, contente, feliz. Há génios, quase sempre com mau génio, a quem se perdoam algumas, poucas, coisas. Ao La Féria, perdoa-se o mau hálito pelo que produz. «A Canção de Lisboa» de agora, herdeira da inspiradora homónima, do José Galhardo, dos Rauis Ferrão e Portela, é mais um êxito laferiano. Uma vez mais.
Antunes Ferreira
terça-feira, janeiro 10, 2006
REGISTO
O meu Amigo Comandante Marcelino González, oficial prestigiado da Armada de Espanha, galego como os que são - e, para mim, que já o promovi na amizade, na estima, na consideração e na minha iconoclastia, o Grande Almirante das Rias Baixas - companheiro de deserto tunisino et aliud, pois o Marcelino mandou-me este pedaço de prosa sobre farois e sêlos postais. Não me «ordenou» que o publicasse aqui. Ai dele, se o fizesse. Mas, digam-mo depois em comentário que espero, não seria homem de uma só face se o não fizesse. Portanto, ele aqui vai. A. F.
Filatelia y mar
Volver al Canal
Faros con historia
Hay muchos lugares que ofrecen excelentes oportunidades para dar un buen paseo, como son los entrañables y solitarios parajes de la costa coronados por faros, desde donde se puede contemplar la inmensidad del mar con su siempre cambiante aspecto. Son lugares que invitan al disfrute del entorno, al descanso y a la meditación. Y son puntos de anclaje de torres de muy variadas formas pero con la misma finalidad: ayudar al navegante. Los faros ayudan a los barcos, y los guían con sus luces por la noche y con sus formas por el día. El faro es un amigo que saluda al marino cuando recala en la costa y le despide cuando se aleja. Y es también amigo de la gente de tierra firme, que por una parte confía en él para que guíe a sus parientes y amigos que trabajan en la mar, y por la otra ve en él el fin de lo conocido - la tierra -, y el comienzo de lo desconocido y misterioso - la mar -.
Posiblemente fueron las mujeres las primeras que encendieron fuegos en los acantilados para orientar a sus hombres que trabajaban en la mar. Ya en el siglo VIII antes de Cristo, había construcciones primitivas por las costas del Mediterráneo, con fuegos que además de luz para la noche, producían un humo muy denso, visible de día a largas distancias. Los fenicios y romanos construyeron los primeros faros fijos por el Mar Negro, Mediterráneo, y Atlántico hasta Bretaña. Pero las invasiones de los bárbaros, la caída del imperio romano en el siglo V, y el azote vikingo, redujeron considerablemente la navegación y el comercio por mar, y se dejaron de construir faros. Para ver nuevas construcciones hubo que esperar hasta el siglo XII, en que la reactivación del comercio resucitó la navegación, sobre todo en Italia, Francia, países escandinavos y Alemania. Aparecieron monjes que mantenían encendidos faros, construidos de forma altruista por ellos mismos Otros en cambio, eran construidos y regentados por particulares, que cobraban por sus servicios a los barcos que los utilizaban como guías para entrar en puerto.
También aparecieron falsos faros; luces puestas por ladrones y piratas en lugares peligrosos para la navegación, que ocasionaban el naufragio de los barcos que se habían fiado de ellas, y representaban una fuente de ingresos para los desalmados "fareros". Con el aumento de la navegación se incrementó la construcción de faros, que tuvo un gran empuje en el siglo XVIII y continuó en los siglos siguientes, para llegar a la gran cantidad de torres que hoy aparecen repartidas por todas las costas. España sin ir más lejos, cuenta con unos 190 faros de cierta entidad. La procedencia de su luz varió con los años: madera, velas, aceite, carbón, petróleo, electricidad, energía solar, e incluso energía nuclear. Con el tiempo recibieron cristales, espejos, lentes, etc., para aumentar su rendimiento y alcance, y la atención diaria que en principio requerían ha ido desapareciendo en aras de la automatización, con lo que la solitaria y romántica figura del farero tiende a la extinción.
Por otra parte, los faros aumentan continuamente sus capacidades con otros artilugios, para hacerlos mas completos en aras de una navegación mas segura (sirenas, bocinas de niebla, repetidores radar, sistemas de navegación, indicadores de dirección y velocidad del viento, estaciones meteorológicas, sistemas de comunicaciones, etc.). Hubo y hay faros con una gran historia, carismáticos y con personalidad propia por su origen, pasado, tamaño, situación, vida, leyenda,... que han sido motivos de sellos de correos, como los que cito a continuación. El Faro de Alejandría fue una esbelta torre de unos l00 metros de alto, construida sobre una base de piedra, con una plataforma en la parte superior en la que por las noches ardía resina y leña. Fue construido por orden del rey Ptolomeo II en la pequeña isla de Pharos - de donde procede el nombre de "faro" -, a la salida del puerto de Alejandría. Obra del arquitecto griego Sostratos de Cnido, se terminó de construir hacia el año 283 antes de Cristo. Fue el primer faro real del que hay constancia histórica, y estuvo considerado como una de las siete maravillas del mundo antiguo. Se mantuvo en pie durante casi mil años, hasta que en el 700 de nuestra era lo destruyó parcialmente un terremoto. Otros terremotos ocurridos entre 1302 y 1394 lo redujeron a ruinas. Muchos de sus restos desaparecieron bajo el agua, y en el año 1480 se construyó en su lugar una fortificación. A finales del siglo pasado, los arqueólogos localizaron sus restos sumergidos. Apareció en sellos de Egipto y de otros países.
El Coloso de Rodas fue una enorme estatua de bronce, que al parecer tenía un pie asentado a cada lado de la bocana del puerto de Rodas, y con la luz de la antorcha que sostenía en una de sus manos guiaba los barcos. Dedicado a Helios, dios del Sol, fue diseñado por el escultor Chares. Se terminó de construir sobre el año 271 antes de Cristo, y fue considerado otra de las siete maravillas de mundo antiguo. Se calcula que podía medir unos 30 o 40 metros de altura y pesar unas 70 toneladas. Lo destruyó un terremoto en el año 224 antes de Cristo. Se dice que los restos que permanecieron a la vista, fueron vendidos como chatarra a un comerciante judío a mediados del siglo VII de nuestra era, con lo que desapareció todo vestigio de aquel coloso. Ha sido reproducido en sellos de muchos países, entre ellos Grecia.
La Torre de Hércules, situada a la entrada del puerto de A Coruña, es el faro en funcionamiento más antiguo del mundo. Es uno de los más importantes de España, y es también una magnífica atracción turística. Lo levantó Caius Sevius Lupus en el siglo II de nuestra era, y desde entonces ha permanecido en su sitio como guía de la navegación. Hecho de piedra, ha sufrido diversas remodelaciones, la última en el 1847. Tiene una altura de 48,5 m. Cuenta la leyenda que Hércules vino a la Península Ibérica a robar los bueyes del monstruo Gerión, y cuando consiguió su propósito se fue a descansar a la esquina noroeste de la península, donde parece que la vida le fue tan bien, que como recuerdo levantó la gran torre que lleva su nombre. Apareció en un sello de España como parte integrante del escudo de A Coruña, con una calavera a sus pies, que es la de Gerión.
El Faro de Eddystone es el más antiguo de Gran Bretaña, y continúa en servicio tras varias reconstrucciones. El primer faro, de madera y piedra, levantado sobre una pequeña roca que quedaba cubierta con la marea alta, empezó a funcionar en 1698, se reforzó con metal en 1699, y fue barrido por un huracán en 1703. En su lugar se inauguró en 1709 otro de granito y madera, que ardió en 1755. Entonces se encargó el tercer faro al ingeniero John Smeaton, que lo construyó como una prolongación hacia el cielo de la roca de la base. Fue inaugurado en 1759, y esta vez fue un éxito que se copió en otros lugares. Pasados 125 años estaba como nuevo, pero la roca de su base se desintegraba y no podía soportar su peso, por lo que se construyó un cuarto faro en sus inmediaciones, y el tercero se desmontó piedra a piedra para ser reconstruido en Plymouth, donde continúa en servicio. Apareció en una serie de Gran Bretaña, conmemorativa del 300 aniversario de su inauguración.
El Faro de Utö es el más antiguo de Finlandia. Fue construido en 1753 en la isla de Utö, en la parte norte del Báltico. Originalmente era una torre redonda troncocónica de piedra, con dos luces independientes, como aparece en un sello finlandés, conmemorativo del 250 aniversario de la fundación de la institución finlandesa de prácticos y faros. La luz de la linterna, en la parte superior, era a base de velas y aceite. La otra, era una luz exterior adicional de carbón, suspendida de una cesta metálica en un lateral del faro. Ha sufrido dos grandes reformas en su estructura, en 1814 y en 1859. Se adaptó a los tiempos modernos, y en 1953 celebró su bicentenario.
El Faro de Cabo Hatteras se levantó en 1870. Es el faro de ladrillo más alto de los Estados Unidos. Mide 60 m., que con la superestructura metálica para la linterna alcanza los 70 m. de altura. Sufrió diversas reparaciones por desperfectos debidos a la meteorología. Construido originalmente a unos 460 metros del agua, la mar fue comiendo la playa y amenazó su integridad, por lo que en 1999 se trasladó tierra adentro. Hoy es también una atracción turística, fácilmente reconocible por ser una torre alta, estilizada y con bandas pintadas, que desde la base a la cima la envuelven en diagonal, como se puede ver en un sello de Estados Unidos. Por esas bandas hoy es conocido como "el mayor anuncio de barbería del mundo".
El Faro de Calella es una bella construcción, levantada sobre un promontorio rocoso de unos 50 metros de altura a la entrada de la población. Su luz alcanza 30 millas, y desde 1916 se alimenta con electricidad, habiéndolo hecho antes con aceite, parafina y petróleo. Es uno de los faros más importantes de la costa mediterránea española. Fue inaugurado el 15 de diciembre de 1859, ha estado en servicio desde entonces, y se convirtió en el símbolo de la ciudad que le da nombre. Es también un punto de visita obligada para el paseante, ya que ofrece unas vistas inmejorables de la población y su playa. Apareció en un sello español de 1986.
El Faro de San Juan de Salvamento fue inaugurado por Argentina el 25 de mayo de 1884. Levantado sobre un promontorio de 70 metros de altura en la Isla de los Estados, era una estructura de madera de forma poligonal. Fue inmortalizado por Julio Verne en "El Faro del Fin del Mundo", y estuvo en funcionamiento hasta 1902, en que las inclemencias del tiempo lo dejaron fuera de servicio. En 1994, el francés Andre Bonner, de La Rochelle, decidió reconstruirlo, y en l997 comenzó el premontaje de un faro idéntico, que en dos meses quedó listo y en funcionamiento en San Juan de Salvamento. En la Pointe des Minimes, en La Rochelle, se construyó otro igual, que fue inaugurado el 1 de enero del 2000, fecha en que Francia emitió un sello en el que aparecen ambos faros.
La Estatua de la Libertad fue un regalo de Francia a los Estados Unidos en el centenario de su independencia. Se levanta en la isla Libertad, en el río Hudson (Nueva York), y en sus comienzos también fue faro. Con una estructura de acero revestida de cobre y un peso total de 100 toneladas, representa a una diosa Libertad de 46 m. de altura, sobre una peana de piedra de 47 m. de alto. La diseñó el escultor alsaciano Fréderic-Auguste Bartholdi, y Gustave Eiffel realizó los cálculos de su estructura. Se terminó de construir y se encendió su antorcha en 1886, y en 1887, la Ilustración Española y Americana comentó que creaba graves problemas a las aves migratorias, que se estrellaban al ser atraídas y deslumbradas por su potente luz. Más adelante fue declarada monumento nacional, y es motivo de gran cantidad de sellos, sobre todo de los Estados Unidos.
Marcelino González
(Nota: Artículo publicado en la Revista “Crónica Filatélica”. Enero de 2004)
O meu Amigo Comandante Marcelino González, oficial prestigiado da Armada de Espanha, galego como os que são - e, para mim, que já o promovi na amizade, na estima, na consideração e na minha iconoclastia, o Grande Almirante das Rias Baixas - companheiro de deserto tunisino et aliud, pois o Marcelino mandou-me este pedaço de prosa sobre farois e sêlos postais. Não me «ordenou» que o publicasse aqui. Ai dele, se o fizesse. Mas, digam-mo depois em comentário que espero, não seria homem de uma só face se o não fizesse. Portanto, ele aqui vai. A. F.
Filatelia y mar
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Faros con historia
Hay muchos lugares que ofrecen excelentes oportunidades para dar un buen paseo, como son los entrañables y solitarios parajes de la costa coronados por faros, desde donde se puede contemplar la inmensidad del mar con su siempre cambiante aspecto. Son lugares que invitan al disfrute del entorno, al descanso y a la meditación. Y son puntos de anclaje de torres de muy variadas formas pero con la misma finalidad: ayudar al navegante. Los faros ayudan a los barcos, y los guían con sus luces por la noche y con sus formas por el día. El faro es un amigo que saluda al marino cuando recala en la costa y le despide cuando se aleja. Y es también amigo de la gente de tierra firme, que por una parte confía en él para que guíe a sus parientes y amigos que trabajan en la mar, y por la otra ve en él el fin de lo conocido - la tierra -, y el comienzo de lo desconocido y misterioso - la mar -.
Posiblemente fueron las mujeres las primeras que encendieron fuegos en los acantilados para orientar a sus hombres que trabajaban en la mar. Ya en el siglo VIII antes de Cristo, había construcciones primitivas por las costas del Mediterráneo, con fuegos que además de luz para la noche, producían un humo muy denso, visible de día a largas distancias. Los fenicios y romanos construyeron los primeros faros fijos por el Mar Negro, Mediterráneo, y Atlántico hasta Bretaña. Pero las invasiones de los bárbaros, la caída del imperio romano en el siglo V, y el azote vikingo, redujeron considerablemente la navegación y el comercio por mar, y se dejaron de construir faros. Para ver nuevas construcciones hubo que esperar hasta el siglo XII, en que la reactivación del comercio resucitó la navegación, sobre todo en Italia, Francia, países escandinavos y Alemania. Aparecieron monjes que mantenían encendidos faros, construidos de forma altruista por ellos mismos Otros en cambio, eran construidos y regentados por particulares, que cobraban por sus servicios a los barcos que los utilizaban como guías para entrar en puerto.
También aparecieron falsos faros; luces puestas por ladrones y piratas en lugares peligrosos para la navegación, que ocasionaban el naufragio de los barcos que se habían fiado de ellas, y representaban una fuente de ingresos para los desalmados "fareros". Con el aumento de la navegación se incrementó la construcción de faros, que tuvo un gran empuje en el siglo XVIII y continuó en los siglos siguientes, para llegar a la gran cantidad de torres que hoy aparecen repartidas por todas las costas. España sin ir más lejos, cuenta con unos 190 faros de cierta entidad. La procedencia de su luz varió con los años: madera, velas, aceite, carbón, petróleo, electricidad, energía solar, e incluso energía nuclear. Con el tiempo recibieron cristales, espejos, lentes, etc., para aumentar su rendimiento y alcance, y la atención diaria que en principio requerían ha ido desapareciendo en aras de la automatización, con lo que la solitaria y romántica figura del farero tiende a la extinción.
Por otra parte, los faros aumentan continuamente sus capacidades con otros artilugios, para hacerlos mas completos en aras de una navegación mas segura (sirenas, bocinas de niebla, repetidores radar, sistemas de navegación, indicadores de dirección y velocidad del viento, estaciones meteorológicas, sistemas de comunicaciones, etc.). Hubo y hay faros con una gran historia, carismáticos y con personalidad propia por su origen, pasado, tamaño, situación, vida, leyenda,... que han sido motivos de sellos de correos, como los que cito a continuación. El Faro de Alejandría fue una esbelta torre de unos l00 metros de alto, construida sobre una base de piedra, con una plataforma en la parte superior en la que por las noches ardía resina y leña. Fue construido por orden del rey Ptolomeo II en la pequeña isla de Pharos - de donde procede el nombre de "faro" -, a la salida del puerto de Alejandría. Obra del arquitecto griego Sostratos de Cnido, se terminó de construir hacia el año 283 antes de Cristo. Fue el primer faro real del que hay constancia histórica, y estuvo considerado como una de las siete maravillas del mundo antiguo. Se mantuvo en pie durante casi mil años, hasta que en el 700 de nuestra era lo destruyó parcialmente un terremoto. Otros terremotos ocurridos entre 1302 y 1394 lo redujeron a ruinas. Muchos de sus restos desaparecieron bajo el agua, y en el año 1480 se construyó en su lugar una fortificación. A finales del siglo pasado, los arqueólogos localizaron sus restos sumergidos. Apareció en sellos de Egipto y de otros países.
El Coloso de Rodas fue una enorme estatua de bronce, que al parecer tenía un pie asentado a cada lado de la bocana del puerto de Rodas, y con la luz de la antorcha que sostenía en una de sus manos guiaba los barcos. Dedicado a Helios, dios del Sol, fue diseñado por el escultor Chares. Se terminó de construir sobre el año 271 antes de Cristo, y fue considerado otra de las siete maravillas de mundo antiguo. Se calcula que podía medir unos 30 o 40 metros de altura y pesar unas 70 toneladas. Lo destruyó un terremoto en el año 224 antes de Cristo. Se dice que los restos que permanecieron a la vista, fueron vendidos como chatarra a un comerciante judío a mediados del siglo VII de nuestra era, con lo que desapareció todo vestigio de aquel coloso. Ha sido reproducido en sellos de muchos países, entre ellos Grecia.
La Torre de Hércules, situada a la entrada del puerto de A Coruña, es el faro en funcionamiento más antiguo del mundo. Es uno de los más importantes de España, y es también una magnífica atracción turística. Lo levantó Caius Sevius Lupus en el siglo II de nuestra era, y desde entonces ha permanecido en su sitio como guía de la navegación. Hecho de piedra, ha sufrido diversas remodelaciones, la última en el 1847. Tiene una altura de 48,5 m. Cuenta la leyenda que Hércules vino a la Península Ibérica a robar los bueyes del monstruo Gerión, y cuando consiguió su propósito se fue a descansar a la esquina noroeste de la península, donde parece que la vida le fue tan bien, que como recuerdo levantó la gran torre que lleva su nombre. Apareció en un sello de España como parte integrante del escudo de A Coruña, con una calavera a sus pies, que es la de Gerión.
El Faro de Eddystone es el más antiguo de Gran Bretaña, y continúa en servicio tras varias reconstrucciones. El primer faro, de madera y piedra, levantado sobre una pequeña roca que quedaba cubierta con la marea alta, empezó a funcionar en 1698, se reforzó con metal en 1699, y fue barrido por un huracán en 1703. En su lugar se inauguró en 1709 otro de granito y madera, que ardió en 1755. Entonces se encargó el tercer faro al ingeniero John Smeaton, que lo construyó como una prolongación hacia el cielo de la roca de la base. Fue inaugurado en 1759, y esta vez fue un éxito que se copió en otros lugares. Pasados 125 años estaba como nuevo, pero la roca de su base se desintegraba y no podía soportar su peso, por lo que se construyó un cuarto faro en sus inmediaciones, y el tercero se desmontó piedra a piedra para ser reconstruido en Plymouth, donde continúa en servicio. Apareció en una serie de Gran Bretaña, conmemorativa del 300 aniversario de su inauguración.
El Faro de Utö es el más antiguo de Finlandia. Fue construido en 1753 en la isla de Utö, en la parte norte del Báltico. Originalmente era una torre redonda troncocónica de piedra, con dos luces independientes, como aparece en un sello finlandés, conmemorativo del 250 aniversario de la fundación de la institución finlandesa de prácticos y faros. La luz de la linterna, en la parte superior, era a base de velas y aceite. La otra, era una luz exterior adicional de carbón, suspendida de una cesta metálica en un lateral del faro. Ha sufrido dos grandes reformas en su estructura, en 1814 y en 1859. Se adaptó a los tiempos modernos, y en 1953 celebró su bicentenario.
El Faro de Cabo Hatteras se levantó en 1870. Es el faro de ladrillo más alto de los Estados Unidos. Mide 60 m., que con la superestructura metálica para la linterna alcanza los 70 m. de altura. Sufrió diversas reparaciones por desperfectos debidos a la meteorología. Construido originalmente a unos 460 metros del agua, la mar fue comiendo la playa y amenazó su integridad, por lo que en 1999 se trasladó tierra adentro. Hoy es también una atracción turística, fácilmente reconocible por ser una torre alta, estilizada y con bandas pintadas, que desde la base a la cima la envuelven en diagonal, como se puede ver en un sello de Estados Unidos. Por esas bandas hoy es conocido como "el mayor anuncio de barbería del mundo".
El Faro de Calella es una bella construcción, levantada sobre un promontorio rocoso de unos 50 metros de altura a la entrada de la población. Su luz alcanza 30 millas, y desde 1916 se alimenta con electricidad, habiéndolo hecho antes con aceite, parafina y petróleo. Es uno de los faros más importantes de la costa mediterránea española. Fue inaugurado el 15 de diciembre de 1859, ha estado en servicio desde entonces, y se convirtió en el símbolo de la ciudad que le da nombre. Es también un punto de visita obligada para el paseante, ya que ofrece unas vistas inmejorables de la población y su playa. Apareció en un sello español de 1986.
El Faro de San Juan de Salvamento fue inaugurado por Argentina el 25 de mayo de 1884. Levantado sobre un promontorio de 70 metros de altura en la Isla de los Estados, era una estructura de madera de forma poligonal. Fue inmortalizado por Julio Verne en "El Faro del Fin del Mundo", y estuvo en funcionamiento hasta 1902, en que las inclemencias del tiempo lo dejaron fuera de servicio. En 1994, el francés Andre Bonner, de La Rochelle, decidió reconstruirlo, y en l997 comenzó el premontaje de un faro idéntico, que en dos meses quedó listo y en funcionamiento en San Juan de Salvamento. En la Pointe des Minimes, en La Rochelle, se construyó otro igual, que fue inaugurado el 1 de enero del 2000, fecha en que Francia emitió un sello en el que aparecen ambos faros.
La Estatua de la Libertad fue un regalo de Francia a los Estados Unidos en el centenario de su independencia. Se levanta en la isla Libertad, en el río Hudson (Nueva York), y en sus comienzos también fue faro. Con una estructura de acero revestida de cobre y un peso total de 100 toneladas, representa a una diosa Libertad de 46 m. de altura, sobre una peana de piedra de 47 m. de alto. La diseñó el escultor alsaciano Fréderic-Auguste Bartholdi, y Gustave Eiffel realizó los cálculos de su estructura. Se terminó de construir y se encendió su antorcha en 1886, y en 1887, la Ilustración Española y Americana comentó que creaba graves problemas a las aves migratorias, que se estrellaban al ser atraídas y deslumbradas por su potente luz. Más adelante fue declarada monumento nacional, y es motivo de gran cantidad de sellos, sobre todo de los Estados Unidos.
Marcelino González
(Nota: Artículo publicado en la Revista “Crónica Filatélica”. Enero de 2004)
domingo, janeiro 08, 2006

travessadoferreira.blogspot.com
COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Amigos
Já podem escrever os vossos comentários directamente no meu blog. Está aberto, a partir de agora.
Basta carregar no título do texto que quiserem comentar – e adiante!
Infelizmente, não podem publicar fotos, etc. As minhas desculpas, mas a lei é a lei…
Desde este momento ya pueden publicar comentários directamente en mi blog. Lo he abierto.
Es suficiente hacer clic en el titulo del texto que quieran comentar – y ¡adelante!
Desgraciadamente, no se puede publicar fotos, etc. Les pido perdón, sin embargo la ley es la ley…
Après ce juste moment vous pouvez mettre vos comentaires dans mon blog. Je l'ai ouvert.
Il suffit de faire clic sur le titre du texte que vous voulez commenter – allez y, les gars!
Malheureuxement on peut pás publier des photos, etc. Je m’en excuse, mais la loit est la loi…
Since this exact moment you can publish without any problems your comments in my blog. I opened it.
It’s easy. You had, only to click the title of the text you want comment – and go strait!
That’s a petty, but you can’t publish photos, etc. Sorry, but law is law…
Antunes Ferreira
sábado, janeiro 07, 2006
RI-TE, RITA
Olhó passarinho
… E há, ainda a estória do motociclista que acelerava a sua Kawasaki pela estrada foram, vrooooooooommmmmmmmm, vrrrrooooooommmmmmmmm, o capacete, apesar de bem apertado quase lhe saltava da cabeça. Descia um nevoeirozinho, uma névoa, pouco mais e os óculos do acelera orlavam-se de pequenas pérolas, do frio ou do suor.
Nisto, um pobre passarinho vem voando um tanto baixo e zazzzzzzzz, é apanhado pelo motociclista. «Que se lixe o passarinho…»… Mas, 687,63 metros mais à frente, a consciência falou mais forte. O nosso homem, fez inversão de marcha, não vinha ninguém, e ei-lo que chega junto ao passarinho caído no asfalto. Apalpa o inocente e descobre que está quente – tanto quanto o ar frígido lho permite – mas, sobretudo que a pequenina máquina cardíaca bate e o peito reflecte o papel dos pulmões.
Pega no passarinho, tadinho, embrulha-o na camurça de limpar a máquina e segue para casa. No caminho, compra uma gaiola bué de fixe. Já em casa, mete o passarinho ainda desmaiado na gaiola, vai buscar um pires de água e, como de alpista, nem pó, desmiola um pouco de pão - «assim o animalito sempre come alguma coisa…»…E vai para a sala ver a TVSport.
Daí a nada, o passarinho entreabre o bico, agita a cabecinha, os olhos descerram-se e põe-se em pé nas patitas. Olha à volta – «mas onde que estou?» E, logo: «Grades? Pão e água?? Porra! Será que eu matei o motociclista???????....»??????
Olhó passarinho
… E há, ainda a estória do motociclista que acelerava a sua Kawasaki pela estrada foram, vrooooooooommmmmmmmm, vrrrrooooooommmmmmmmm, o capacete, apesar de bem apertado quase lhe saltava da cabeça. Descia um nevoeirozinho, uma névoa, pouco mais e os óculos do acelera orlavam-se de pequenas pérolas, do frio ou do suor.
Nisto, um pobre passarinho vem voando um tanto baixo e zazzzzzzzz, é apanhado pelo motociclista. «Que se lixe o passarinho…»… Mas, 687,63 metros mais à frente, a consciência falou mais forte. O nosso homem, fez inversão de marcha, não vinha ninguém, e ei-lo que chega junto ao passarinho caído no asfalto. Apalpa o inocente e descobre que está quente – tanto quanto o ar frígido lho permite – mas, sobretudo que a pequenina máquina cardíaca bate e o peito reflecte o papel dos pulmões.
Pega no passarinho, tadinho, embrulha-o na camurça de limpar a máquina e segue para casa. No caminho, compra uma gaiola bué de fixe. Já em casa, mete o passarinho ainda desmaiado na gaiola, vai buscar um pires de água e, como de alpista, nem pó, desmiola um pouco de pão - «assim o animalito sempre come alguma coisa…»…E vai para a sala ver a TVSport.
Daí a nada, o passarinho entreabre o bico, agita a cabecinha, os olhos descerram-se e põe-se em pé nas patitas. Olha à volta – «mas onde que estou?» E, logo: «Grades? Pão e água?? Porra! Será que eu matei o motociclista???????....»??????
quinta-feira, janeiro 05, 2006
RI-TE, RITA
A vingança do chinês
Um chinês entra num bar em Nova Iorque onde está a beber uns copos o Steven Spieberg. Quando vê o realizador, pensa logo «Olha o Spielbelg! Gostava de o conhecel»...
No entanto, quando o conhecido cineasta passa pelo oriental, vira-se para ele e espeta-lhe um valente murro na tromba... Isto, sem aviso prévio, nem pouco mais ou menos!
«Então?!? Mas que tlampa é esta? - pergunta o chinês, levando as mãos à fronha muito amarrotada.
E o Steven com um vozeirão: «Vocês, fdp japoneses, mataram o meu avô quando bombardearam Pearl Harbour»!!!...
«Mas, ó senhol eu nem sequel sou japonês. Sou chinês...»
«Chineses, tailandeses, japoneses... Para mim é tudo a mesma merda!!!» arrota o Spielberg que já se ia embora. Nisto, o chinês chega-se ao pé dele e dá-lhe com uma cadeira no alto do cocoruto. Ganda cadeirada!!!
«Porra!?!? Que gaita é esta???» pergunta o Spielberg esfregando energicamente o alto do crâneo bastante amassado.
«Estúpido amelicano! Ganda sacana! Tu mataste a minha avó quando afundaste o Titanic»!!!!!!! O realizador, pior que um broncosaurio muito bronco: «Mas eu não afundei o Titanic. Nem pó. Foi um iceberg»...
«Icebelg, Calsbelg, Spielbelg... Pala mim é tudo a mesma melda»!!!!!!!
Antunes Ferreira
Com a prestimosa colaboração do meu akuñado Raul Palhau raulpalhau@hotmail.com fornecedor indómito de anedotas, blagues, piadas, chistes & correlativos. Verdadeira cadeia de produção. Bravo! Agradeço-te a remessa constante e a paciência de me aturares. Kyppis*
________________________
* obrigadinho em finlandês, éokeu te desejo.
A vingança do chinês
Um chinês entra num bar em Nova Iorque onde está a beber uns copos o Steven Spieberg. Quando vê o realizador, pensa logo «Olha o Spielbelg! Gostava de o conhecel»...
No entanto, quando o conhecido cineasta passa pelo oriental, vira-se para ele e espeta-lhe um valente murro na tromba... Isto, sem aviso prévio, nem pouco mais ou menos!
«Então?!? Mas que tlampa é esta? - pergunta o chinês, levando as mãos à fronha muito amarrotada.
E o Steven com um vozeirão: «Vocês, fdp japoneses, mataram o meu avô quando bombardearam Pearl Harbour»!!!...
«Mas, ó senhol eu nem sequel sou japonês. Sou chinês...»
«Chineses, tailandeses, japoneses... Para mim é tudo a mesma merda!!!» arrota o Spielberg que já se ia embora. Nisto, o chinês chega-se ao pé dele e dá-lhe com uma cadeira no alto do cocoruto. Ganda cadeirada!!!
«Porra!?!? Que gaita é esta???» pergunta o Spielberg esfregando energicamente o alto do crâneo bastante amassado.
«Estúpido amelicano! Ganda sacana! Tu mataste a minha avó quando afundaste o Titanic»!!!!!!! O realizador, pior que um broncosaurio muito bronco: «Mas eu não afundei o Titanic. Nem pó. Foi um iceberg»...
«Icebelg, Calsbelg, Spielbelg... Pala mim é tudo a mesma melda»!!!!!!!
Antunes Ferreira
Com a prestimosa colaboração do meu akuñado Raul Palhau raulpalhau@hotmail.com fornecedor indómito de anedotas, blagues, piadas, chistes & correlativos. Verdadeira cadeia de produção. Bravo! Agradeço-te a remessa constante e a paciência de me aturares. Kyppis*
________________________
* obrigadinho em finlandês, éokeu te desejo.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Que será preciso???????????
O que será preciso para que a malta amiga, os amigos da malta amiga, os amigos dos amigos da malta amiga, os amigos dos amigos dos amigos da malta amiga escrevam neste espaço que é vosso?????
Não sei bem o que faça. Suicidar-me?... Nem pó!!!!!!!!
Bom, vou continuar à espera, com toda a paciência do Mundo & arredores. É como o Sporting - que também é o melhor do Mundo & arredores. Já está
Henriquinho, o Desesperado da Lapa
O que será preciso para que a malta amiga, os amigos da malta amiga, os amigos dos amigos da malta amiga, os amigos dos amigos dos amigos da malta amiga escrevam neste espaço que é vosso?????
Não sei bem o que faça. Suicidar-me?... Nem pó!!!!!!!!
Bom, vou continuar à espera, com toda a paciência do Mundo & arredores. É como o Sporting - que também é o melhor do Mundo & arredores. Já está
Henriquinho, o Desesperado da Lapa
TudinhoAs coisas são o que são. Não se pode ter tudo, ainda que quiséssemos alcançar tudo. O tudo é como a última bola de snooker. Só quando entra é que acabou o jogo. O tudo é como uma redoma de cristal puro absolutamente transparente. Está lá, qual elmo protector invisível, mas só se dá conta dela quando se parte. O tudo é um absurdo inatingível. Será???
A que vem este arrazoado? Pois, meus Amigos, voltando do Hospital de Santa Maria onde está internado o meu irmão (chamam-lhe cunhado, mas eu não) Luís Gonzaga Alcântara de Melo, Lulocha prós familiares & adjacentes, após uma visita encorajadora – o rapaz, aliás da minha idade, 64, aqui e na Moita, já come manjares de gente – dei por mim a pensar nisto tudo.
Pronto. Lá vem o tal tudo. Tudo leva a que tudo me passe pelo cristalino bestunto. Se calhar sem razão, pois tudo é relativo. Mas, c’os dianhos, acima o tudo era tudo, agora tudo é relativo.
Tudo bem. O mais importante é que, apesar da traqueotomia, o nosso Lulocha já recomeçou a dizer coisas – a falar! Baixinho, mas a falar. Deu um pequeno passo em frente. Mas, como diria o Amstrong ao pisar o solo lunar, é um passo que tem uma dimensão tal que abarca tudo. Tudo, mesmo. Tudinho.
Antunes Ferreira
domingo, janeiro 01, 2006
Ano Novo? Vida Velha
Pronto. Já estamos em 2006. Que raio de tempo é o tempo, não se atrasa, não se adianta, não engana qualquer folha de calendário que se preze, não olha para trás, enfim, não é simpático porque nos leva a caminho do forno crematório. Mas, que se lhe há-de fazer? Os 365 dias – nos anos bissextos 364 – caem quotidianamente à meia-noite e logo se lhes seguem, sem microns a intervalá-los os outros. Não há apelo nem agravo que os mude.
E, como nasceu este estado de coisas?
Ora bem. Hoje utilizamos o Calendário Gregoriano. Ao fim de uma catrefa de outros, mais ou menos históricos mas sempre inexoráveis. O actual é o que se utiliza na maior parte dos países ocidentais Foi promulgado pelo Papa Gregório XIIIa 24 de Fevereiro de 1582 para substituir o Calendário Juliano, seu antecessor Cinco anos de estudos, discussões, acerta daqui, emenda acolá, há dias a mais – corta! – e, finalmente, o inevitável: oficialmente, o primeiro dia deste calendário foi 15 de Outubro do mesmo ano de 1582.
O povinho ficou um tanto aparvalhado. Mau, com tanta mudança e confusão, como iria saber os dias de cada mês e essas chatices todas? E, como sempre, prático até mais não, pariu não uma, mas múltiplas menmónicas. Da que o autor mais gosta é a que reza: "Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro. Fevereiro vinte e oito tem. Se for bissexto, mais um lhe prantem. E os mais que sete são, trinta e um todos terão". Versão portuguesa com copyright. O Google é uma maravilha; erudição e cultura a todo o tal desgraçado tempo.
E voltamos ao 2006 que apenas tem umas horitas. De fraldas (descartáveis?) o mafarrico ainda nem é gente: é tempo. Já permite atrocidades, catástrofes, guerras, doenças, tsunamis, crimes, tal como o que morreu de velho e todos os outros. Uma desgraça permanente. E quanto a factos, a procedimentos, a causas, a acontecimentos bons? Contem pelos dedos, Amigos, pelos dedinhos, vá lá, das duas mãos.
Existem, portanto, os positivos. Mas, quantos? Oxalá fossem muitos; forem… Porque os votos que nesse sentido se costumam fazer são eminentemente farisaicos (anote-se que se trata de expressão calina; contra os fariseus não tenho nada. Ponto). As promessas – falácias. E os apertos de mão: com a direita estendida e a esquerda escondida atrás das costas – e armada.
Antunes Ferreira, triste e desesperançado
Se quiserem fazer mais um favor, comentem esta merda!!! Obrigadinho...
Pronto. Já estamos em 2006. Que raio de tempo é o tempo, não se atrasa, não se adianta, não engana qualquer folha de calendário que se preze, não olha para trás, enfim, não é simpático porque nos leva a caminho do forno crematório. Mas, que se lhe há-de fazer? Os 365 dias – nos anos bissextos 364 – caem quotidianamente à meia-noite e logo se lhes seguem, sem microns a intervalá-los os outros. Não há apelo nem agravo que os mude.
E, como nasceu este estado de coisas?
Ora bem. Hoje utilizamos o Calendário Gregoriano. Ao fim de uma catrefa de outros, mais ou menos históricos mas sempre inexoráveis. O actual é o que se utiliza na maior parte dos países ocidentais Foi promulgado pelo Papa Gregório XIIIa 24 de Fevereiro de 1582 para substituir o Calendário Juliano, seu antecessor Cinco anos de estudos, discussões, acerta daqui, emenda acolá, há dias a mais – corta! – e, finalmente, o inevitável: oficialmente, o primeiro dia deste calendário foi 15 de Outubro do mesmo ano de 1582.
O povinho ficou um tanto aparvalhado. Mau, com tanta mudança e confusão, como iria saber os dias de cada mês e essas chatices todas? E, como sempre, prático até mais não, pariu não uma, mas múltiplas menmónicas. Da que o autor mais gosta é a que reza: "Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro. Fevereiro vinte e oito tem. Se for bissexto, mais um lhe prantem. E os mais que sete são, trinta e um todos terão". Versão portuguesa com copyright. O Google é uma maravilha; erudição e cultura a todo o tal desgraçado tempo.
E voltamos ao 2006 que apenas tem umas horitas. De fraldas (descartáveis?) o mafarrico ainda nem é gente: é tempo. Já permite atrocidades, catástrofes, guerras, doenças, tsunamis, crimes, tal como o que morreu de velho e todos os outros. Uma desgraça permanente. E quanto a factos, a procedimentos, a causas, a acontecimentos bons? Contem pelos dedos, Amigos, pelos dedinhos, vá lá, das duas mãos.
Existem, portanto, os positivos. Mas, quantos? Oxalá fossem muitos; forem… Porque os votos que nesse sentido se costumam fazer são eminentemente farisaicos (anote-se que se trata de expressão calina; contra os fariseus não tenho nada. Ponto). As promessas – falácias. E os apertos de mão: com a direita estendida e a esquerda escondida atrás das costas – e armada.
Antunes Ferreira, triste e desesperançado
Se quiserem fazer mais um favor, comentem esta merda!!! Obrigadinho...
domingo, dezembro 25, 2005
RECORTES A VALER
Um Natal por cá
Assinado pelo jornalista Eduardo Dâmaso, director-adjunto do (ainda e sempre meu) "Diário de Notícias" saiu na edição do dia de Natal um Editorial que não posso deixar de classificar como excelente. Num tema tristemente criminoso e desgraçadamente real, Dâmaso apresenta-nos um Natal que, hoje, é mais importante do que os outros. E explica porquê. E eu subscrevo por baixo o texto excepcional, comungando integralmente com o autor. O DN merece este director-adjunto. Daqui segue o abraço sentido, solidário e entusiásico de um antigo chefe da Redacção do nosso jornal. Parabéns Eduardo. Estou «650%» contigo. A. F.
Acreditar
Eduardo dâmaso
H oje há um Natal mais importante do que os outros. Pelo mundo inteiro celebram-se milhões de Natais, milhões de partículas de crença religiosa ou simples rotina celebrativa definidas pela felicidade ou pela tragédia, pela solidão ou pela alegria. Mas, por cá, há um Natal que sentimos necessidade de distinguir pela actualização do poder metafórico que o evento natalício simboliza. Um Natal que nos diz coisas cruéis sobre nós, criaturas contraditórias no rasto de genialidade ou de tragédia que transportamos, mas que nos empresta um ânimo suplementar. O Natal que hoje vive no Hospital Pediátrico de Coimbra a bebé que aos 50 dias de vida já transportava na sua imensa fragilidade uma história de bestialidade humana é o Natal que nos importa.
É o Natal que nos conta a história em que queremos acreditar e que nos diz que nem tudo pára nesta época apenas em nome da celebração de um outro bebé nascido há mais de dois mil anos em Belém. O que importa hoje são as vidas como a que resiste no Pediátrico de Coimbra à maldade humana, pois é nelas que está o espelho mais complexo daquilo que somos.
A história do Natal em que queremos acreditar é aquela que nos oferece o relato da força e da esperança, que nos aproxima da necessidade imperativa de fundar um novo humanismo. Nada adianta celebrar o Natal cristão ou qualquer feriado de qualquer outra crença se não formos capazes de todos os dias olhar para os acontecimentos que nos trazem a força implacável da miséria humana, para a sociedade desigual em que vivemos, para as iniquidades praticadas em nome de Deus. Não é por ser Natal e por razões fixadas nos calendários e na doutrina da fé que devemos abraçar o bem mas por vivermos num mundo a precisar de novas respostas para os problemas que enfrenta.A ciência deu-nos este ano progressos notáveis no domínio da genética evolutiva, das origens do planeta e da luta contra a doença. Mas também nos alertou para os riscos do aquecimento global e da degradação ambiental.
E é aqui, na esperança e no alerta induzidos pela ciência e numa refundação humanista, que podem estar as celebrações dos Natais do futuro. Só com este caldo de racionalidade e de actualização do papel e da mensagem de uma fé que terá de virar-se, também ela, mais para os problemas da Terra, para o combate aos novos medos e ameaças, e menos para os desígnios do Céu, conseguiremos obter respostas para o inexplicável comportamento humano que se manifesta na dupla bestialidade agressora do seu semelhante e do seu planeta. É aqui que está o debate de hoje e do futuro, até à eternidade o que vamos nós fazer da nossa espécie? É esta a pergunta que ressalta do Natal que se vive hoje numa cama do Pediátrico de Coimbra.
Um Natal por cá
Assinado pelo jornalista Eduardo Dâmaso, director-adjunto do (ainda e sempre meu) "Diário de Notícias" saiu na edição do dia de Natal um Editorial que não posso deixar de classificar como excelente. Num tema tristemente criminoso e desgraçadamente real, Dâmaso apresenta-nos um Natal que, hoje, é mais importante do que os outros. E explica porquê. E eu subscrevo por baixo o texto excepcional, comungando integralmente com o autor. O DN merece este director-adjunto. Daqui segue o abraço sentido, solidário e entusiásico de um antigo chefe da Redacção do nosso jornal. Parabéns Eduardo. Estou «650%» contigo. A. F.
Acreditar
Eduardo dâmaso
H oje há um Natal mais importante do que os outros. Pelo mundo inteiro celebram-se milhões de Natais, milhões de partículas de crença religiosa ou simples rotina celebrativa definidas pela felicidade ou pela tragédia, pela solidão ou pela alegria. Mas, por cá, há um Natal que sentimos necessidade de distinguir pela actualização do poder metafórico que o evento natalício simboliza. Um Natal que nos diz coisas cruéis sobre nós, criaturas contraditórias no rasto de genialidade ou de tragédia que transportamos, mas que nos empresta um ânimo suplementar. O Natal que hoje vive no Hospital Pediátrico de Coimbra a bebé que aos 50 dias de vida já transportava na sua imensa fragilidade uma história de bestialidade humana é o Natal que nos importa.
É o Natal que nos conta a história em que queremos acreditar e que nos diz que nem tudo pára nesta época apenas em nome da celebração de um outro bebé nascido há mais de dois mil anos em Belém. O que importa hoje são as vidas como a que resiste no Pediátrico de Coimbra à maldade humana, pois é nelas que está o espelho mais complexo daquilo que somos.
A história do Natal em que queremos acreditar é aquela que nos oferece o relato da força e da esperança, que nos aproxima da necessidade imperativa de fundar um novo humanismo. Nada adianta celebrar o Natal cristão ou qualquer feriado de qualquer outra crença se não formos capazes de todos os dias olhar para os acontecimentos que nos trazem a força implacável da miséria humana, para a sociedade desigual em que vivemos, para as iniquidades praticadas em nome de Deus. Não é por ser Natal e por razões fixadas nos calendários e na doutrina da fé que devemos abraçar o bem mas por vivermos num mundo a precisar de novas respostas para os problemas que enfrenta.A ciência deu-nos este ano progressos notáveis no domínio da genética evolutiva, das origens do planeta e da luta contra a doença. Mas também nos alertou para os riscos do aquecimento global e da degradação ambiental.
E é aqui, na esperança e no alerta induzidos pela ciência e numa refundação humanista, que podem estar as celebrações dos Natais do futuro. Só com este caldo de racionalidade e de actualização do papel e da mensagem de uma fé que terá de virar-se, também ela, mais para os problemas da Terra, para o combate aos novos medos e ameaças, e menos para os desígnios do Céu, conseguiremos obter respostas para o inexplicável comportamento humano que se manifesta na dupla bestialidade agressora do seu semelhante e do seu planeta. É aqui que está o debate de hoje e do futuro, até à eternidade o que vamos nós fazer da nossa espécie? É esta a pergunta que ressalta do Natal que se vive hoje numa cama do Pediátrico de Coimbra.
UM ANO DEPOIS
Tsunami: último balanço
contabiliza 217 mil mortos
Neste 26 de Dezembro faz um ano que ocorreu no Oceano Índico o maior tsunami desde que há memória e registos. Cerca de 217 mil pessoas morreram ou foram dadas como mortas em consequência do terrível sismo de magnitude 9,3 da escala de Richter, que desencadeou um tsunami nos países costeiros daquela zona. A Lusa que transmitiu estes dados não os confirmou por impossibilidade, aliás compreensiva. São, portanto, indiciários, dramaticamente.
Se fosse possível aferir com exactidão a magnitude do cataclismo dir-se-ia que os deuses, estando loucos, tinham disparado sobre o planeta as suas armas mais mortíferas. Estas sim, armas de destruição maciça, não as inventadas pelo sr. Georges W. Bush. Só na Indonésia, registaram-se mais de 168 mil mortos ou desaparecidos, no Sri Lanka 31 mil e na Índia 16.389 mortos e desaparecidos.
Na Tailândia, país turístico por excelência, o número de mortos confirmados atingiu 5.395, dos quais 2.248 estrangeiros de 37 nacionalidades diferentes, aos quais se juntaram 8.457 feridos e 673 declarados como desaparecidos. Entre os outros países asiáticos atingidos, estão as Maldivas (82 mortos e 26 desaparecidos), a Malásia (68 mortos), a Birmânia (61 mortos) e o Bangladesh (dois mortos). Mas o tsunami atingiu também a África Oriental, com 298 mortos na Somália, dez na Tanzânia e um no Quénia.
No que toca aos reflexos verificados no Ocidente, e nomeadamente na Europa, os dois países com o maior número de vítimas mortais foram a Suécia (543) e a Alemanha (537), seguidos da Finlândia com 167, a Suíça com 91 e a França 90.
Esta contabilidade macabra é, como atrás se diz, aproximada. A catástrofe de dimensões horrendas ficou para a História do Mundo. O facto de a recordarmos agora, quando se completa um ano sobre ela, não é apenas o registo de uma efeméride. É também o reconhecimento do quanto os homens são impotentes - por mais que se tenha evoluído, por mais sofisticada que seja a tecnologia por mais que se tenham desenvolvido os meios de intervenção - para dominar completamente a Natureza. Bem o tentamos, mas… Recordar o malfadado acontecimento é, ainda, a homenagem possível a tantas vítimas.
Tsunami: último balanço
contabiliza 217 mil mortos
Neste 26 de Dezembro faz um ano que ocorreu no Oceano Índico o maior tsunami desde que há memória e registos. Cerca de 217 mil pessoas morreram ou foram dadas como mortas em consequência do terrível sismo de magnitude 9,3 da escala de Richter, que desencadeou um tsunami nos países costeiros daquela zona. A Lusa que transmitiu estes dados não os confirmou por impossibilidade, aliás compreensiva. São, portanto, indiciários, dramaticamente.
Se fosse possível aferir com exactidão a magnitude do cataclismo dir-se-ia que os deuses, estando loucos, tinham disparado sobre o planeta as suas armas mais mortíferas. Estas sim, armas de destruição maciça, não as inventadas pelo sr. Georges W. Bush. Só na Indonésia, registaram-se mais de 168 mil mortos ou desaparecidos, no Sri Lanka 31 mil e na Índia 16.389 mortos e desaparecidos.
Na Tailândia, país turístico por excelência, o número de mortos confirmados atingiu 5.395, dos quais 2.248 estrangeiros de 37 nacionalidades diferentes, aos quais se juntaram 8.457 feridos e 673 declarados como desaparecidos. Entre os outros países asiáticos atingidos, estão as Maldivas (82 mortos e 26 desaparecidos), a Malásia (68 mortos), a Birmânia (61 mortos) e o Bangladesh (dois mortos). Mas o tsunami atingiu também a África Oriental, com 298 mortos na Somália, dez na Tanzânia e um no Quénia.
No que toca aos reflexos verificados no Ocidente, e nomeadamente na Europa, os dois países com o maior número de vítimas mortais foram a Suécia (543) e a Alemanha (537), seguidos da Finlândia com 167, a Suíça com 91 e a França 90.
Esta contabilidade macabra é, como atrás se diz, aproximada. A catástrofe de dimensões horrendas ficou para a História do Mundo. O facto de a recordarmos agora, quando se completa um ano sobre ela, não é apenas o registo de uma efeméride. É também o reconhecimento do quanto os homens são impotentes - por mais que se tenha evoluído, por mais sofisticada que seja a tecnologia por mais que se tenham desenvolvido os meios de intervenção - para dominar completamente a Natureza. Bem o tentamos, mas… Recordar o malfadado acontecimento é, ainda, a homenagem possível a tantas vítimas.
AR-RIMAS
Roupa suja, perdão, velha
Amigos, mais um Natal
Mais prendas nos sapatinhos
Mais presépio, mais pinheiro
Uma festa sempre igual
Em que nós somos santinhos
Mas beras no ano inteiro
Bacalhau com muitas couves
Batatas, cebola e alho
Pouco vinagre e muito azeite
Ó tu, vê lá se me ouves
Se não, vai para o… trabalho
Ou bebe um copo de leite
Azevias mais filhós
Broas boas, rabanadas
Fatias de bolo-rei
Filhos, pais e até avós
Todos muito entusiasmados
À espera de quê? Eu sei…
Iluminações em quantidade
Penduradas pelas paredes
Gambiarras multicores
Quais luzes duma cidade.
Pescadores com suas redes
Patrões e trabalhadores
Poetas, musas e vates
Jornalistas. Engenheiros.
Arquitectos, jogadores
Xadrezistas, xeques-mates
E até, por tinta dinheiros
Uns se vendem, meus senhores
Já entrámos pelas Festas
Que se desejam bem Boas
Para quem tem e não tem
Queres mais festinhas destas?
Entoar cantos e loas?
E as figuras de Belém?
Deixemos todos de lado
Estas presidenciais (???)
Que toda a malta se engana
O Povo está bem avisado
Já não vai em carnavais
nem que fossem... prá semana
Um presépio bem montado?
Fica-te bem esse intuito
Não há por aí data igual
Há muito tipo enrascado
Que há muito tempo, muito
Ainda crê no Pai Natal
O peru, no forno, a assar
Recheado com mestria
Com batatas e bom molho
Põe a gente a salivar
E no meio da alegria
Há que ter aberto o olho
Porque se assim não fizer
Arrisca-se a meter água
De tamanho desengano
Pois quem passa, podem crer,
Sem o bicho é uma mágoa
Que vai até ao fim do ano.
Enviado por imeile – mas, cheio de vontade que mais outra gente leia esta chachada aqui o meto também. Desculpem… Henrique, o Vate da Lapa, com Lata
Roupa suja, perdão, velha
Amigos, mais um Natal
Mais prendas nos sapatinhos
Mais presépio, mais pinheiro
Uma festa sempre igual
Em que nós somos santinhos
Mas beras no ano inteiro
Bacalhau com muitas couves
Batatas, cebola e alho
Pouco vinagre e muito azeite
Ó tu, vê lá se me ouves
Se não, vai para o… trabalho
Ou bebe um copo de leite
Azevias mais filhós
Broas boas, rabanadas
Fatias de bolo-rei
Filhos, pais e até avós
Todos muito entusiasmados
À espera de quê? Eu sei…
Iluminações em quantidade
Penduradas pelas paredes
Gambiarras multicores
Quais luzes duma cidade.
Pescadores com suas redes
Patrões e trabalhadores
Poetas, musas e vates
Jornalistas. Engenheiros.
Arquitectos, jogadores
Xadrezistas, xeques-mates
E até, por tinta dinheiros
Uns se vendem, meus senhores
Já entrámos pelas Festas
Que se desejam bem Boas
Para quem tem e não tem
Queres mais festinhas destas?
Entoar cantos e loas?
E as figuras de Belém?
Deixemos todos de lado
Estas presidenciais (???)
Que toda a malta se engana
O Povo está bem avisado
Já não vai em carnavais
nem que fossem... prá semana
Um presépio bem montado?
Fica-te bem esse intuito
Não há por aí data igual
Há muito tipo enrascado
Que há muito tempo, muito
Ainda crê no Pai Natal
O peru, no forno, a assar
Recheado com mestria
Com batatas e bom molho
Põe a gente a salivar
E no meio da alegria
Há que ter aberto o olho
Porque se assim não fizer
Arrisca-se a meter água
De tamanho desengano
Pois quem passa, podem crer,
Sem o bicho é uma mágoa
Que vai até ao fim do ano.
Enviado por imeile – mas, cheio de vontade que mais outra gente leia esta chachada aqui o meto também. Desculpem… Henrique, o Vate da Lapa, com Lata
sexta-feira, dezembro 23, 2005
PÁGINAS
Da Montanha
Estou a reler Torga. Comecei pelos Contos da Montanha. E, se habitualmente, devoro num ápice os livros em que me embrenho, neste caso é absolutamente o contrário. Em Miguel Torga há que estar, saborear as palavras, rolá-las na boca qual Demóstenes, ainda que o não façamos para combater a gaguez. Do Transmontano continuo a colher tudo o que a terra produz, nomeadamente quando o húmus é tão fértil, tão gineceu, tão pletórico. E comprazo-me em aprender e apreender.
Pseudónimo literário de Adolfo Correia da Rocha, Miguel Torga nasceu em São Martinho de Anta, uma aldeia de Trás-os-Montes. Aos treze anos deixa o país e vai trabalhar para uma fazenda em Minas Gerais, no Brasil. Completa o liceu cinco anos depois, quando regressa a Portugal
Uns anos mais tarde, licencia-se em medicina, em Coimbra, na sua Coimbra em que viverá até que a morte o leva em 1995. Um excelente otorrinolaringologista. Um Mestre na Arte de escrever.
Nas suas próprias palavras, o nome Torga foi escolhido por ser «uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península (...)».
Pois, caros Amigos, estou a fruir de um Escritor que, sempre que nele me embebo, me faz colocar e recolocar uma pergunta: Porque não terá sido ele o primeiro Nobel português da Literatura? Que me perdoe o meu Amigo José Saramago, a quem o galardão máximo assentou que nem uma luva, mas o Torga (que tive o privilégio de conhecer e de com ele trocar ideias por algumas vezes) era, para mim, o primeiro destinatário do prémio – igualmente por mérito próprio.
Retomo o início. Estou dentro dos Contos da Montanha. Melhor: estou na montanha. Porque Torga era, é e será, a Montanha.
Antunes Ferreira
Da Montanha
Estou a reler Torga. Comecei pelos Contos da Montanha. E, se habitualmente, devoro num ápice os livros em que me embrenho, neste caso é absolutamente o contrário. Em Miguel Torga há que estar, saborear as palavras, rolá-las na boca qual Demóstenes, ainda que o não façamos para combater a gaguez. Do Transmontano continuo a colher tudo o que a terra produz, nomeadamente quando o húmus é tão fértil, tão gineceu, tão pletórico. E comprazo-me em aprender e apreender.
Pseudónimo literário de Adolfo Correia da Rocha, Miguel Torga nasceu em São Martinho de Anta, uma aldeia de Trás-os-Montes. Aos treze anos deixa o país e vai trabalhar para uma fazenda em Minas Gerais, no Brasil. Completa o liceu cinco anos depois, quando regressa a Portugal
Uns anos mais tarde, licencia-se em medicina, em Coimbra, na sua Coimbra em que viverá até que a morte o leva em 1995. Um excelente otorrinolaringologista. Um Mestre na Arte de escrever.
Nas suas próprias palavras, o nome Torga foi escolhido por ser «uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península (...)».
Pois, caros Amigos, estou a fruir de um Escritor que, sempre que nele me embebo, me faz colocar e recolocar uma pergunta: Porque não terá sido ele o primeiro Nobel português da Literatura? Que me perdoe o meu Amigo José Saramago, a quem o galardão máximo assentou que nem uma luva, mas o Torga (que tive o privilégio de conhecer e de com ele trocar ideias por algumas vezes) era, para mim, o primeiro destinatário do prémio – igualmente por mérito próprio.
Retomo o início. Estou dentro dos Contos da Montanha. Melhor: estou na montanha. Porque Torga era, é e será, a Montanha.
Antunes Ferreira
quinta-feira, dezembro 22, 2005
TROTAMUNDO
Eskerrik asko
Quando cheguei a primeira vez a San Sebastián, era ainda um puto, não se falava basco. Era proibido pelo generalíssimo. Estávamos pelos primeiros anos da década de 50 e não pude, sequer, aprender como se diz naquela língua – muito obrigado. Tristes anos esses. O mini-ditador de El Ferrol não queria outras línguas para além do castelhano promovido a espanhol. Nem o «seu» galego, não fosse o diabo tecê-las.
Já em tempo de democracia voltei à orgulhosamente chamada Donostia. A baía era a mesmíssima do antigamente, bastantes prédios igualmente, as avenidas amplas bordejando o rio Urmea, muito, muitíssimo por ali estava sem que a modernidade lhe tivesse demolido a alma e invadido a betão.
Partindo do Parque Cristina-Enea e atravessando a cidade, chega-se à Kusaall, um palácio da cultura a todos os níveis.
E foi ali que, graças a um guia excelente, sabedor e contador de estórias, que soube, finalmente, como se diz muchas gracias em basco. Ora aprendam: Eskerrik asko. Não me responsabilizando pela pronúncia, posso garantir-vos que a grafia está correctíssima. No Valle de los Caídos, o que resta de um tal Francisco Bahamonde Franco, criminoso de delito comum, assassino de guerra, deve ter tido um ataque de estupidite aguda. Mais um. Bom proveito; à barriga e ao peito.
Antunes Ferreira
Eskerrik asko
Quando cheguei a primeira vez a San Sebastián, era ainda um puto, não se falava basco. Era proibido pelo generalíssimo. Estávamos pelos primeiros anos da década de 50 e não pude, sequer, aprender como se diz naquela língua – muito obrigado. Tristes anos esses. O mini-ditador de El Ferrol não queria outras línguas para além do castelhano promovido a espanhol. Nem o «seu» galego, não fosse o diabo tecê-las.
Já em tempo de democracia voltei à orgulhosamente chamada Donostia. A baía era a mesmíssima do antigamente, bastantes prédios igualmente, as avenidas amplas bordejando o rio Urmea, muito, muitíssimo por ali estava sem que a modernidade lhe tivesse demolido a alma e invadido a betão.
Partindo do Parque Cristina-Enea e atravessando a cidade, chega-se à Kusaall, um palácio da cultura a todos os níveis.
E foi ali que, graças a um guia excelente, sabedor e contador de estórias, que soube, finalmente, como se diz muchas gracias em basco. Ora aprendam: Eskerrik asko. Não me responsabilizando pela pronúncia, posso garantir-vos que a grafia está correctíssima. No Valle de los Caídos, o que resta de um tal Francisco Bahamonde Franco, criminoso de delito comum, assassino de guerra, deve ter tido um ataque de estupidite aguda. Mais um. Bom proveito; à barriga e ao peito.
Antunes Ferreira
POR AQUÍ ESTAMOS
Iluminaciones
Los mostradores de las tiendas iluminados por Navidad son espejos donde los más pequeños se reflecten. Para un catalán y un bueno Amigo que vive en Lisboa y trabaja en la delegación de una grande empresa española, los cristales son tan solo transparentes. No tienen nada a ver con espejos. Por ellos se pueden mirar juguetes para los críos como ordenadores para ciudadanos semióticos.
Hay que subrayar que muchas calles de la capital también presentan sus lámparas multicolores que las decoran con mucha gallardía y pundonor. Casi por todo el Mundo ellas lucen sus esplendores , ¿por que bulas la ciudad de Ulises no tendría derecho a luminarias como las otras? Por supuesto que sí, que las tiene y con alguno orgullo. ¿Y la crisis – donde está? ¿Pero - que tienen que ver las luces navideñas con las decoraciones navideñas? El precio, dicen. No se puede echar pasta con la situación que vivimos.
Habría que saber si serian las lámparas que ampliarían el déficit del Presupuesto. Sin embargo, no lo creo. Hay como gastarse dinero con otras cosas que no tienen que ver con estas luces. Punto.
Portugal tiene que aprender a escoger entre millones de temas aquel que me parece el realmente importante: trabajar. Si nosotros, los portugas, queremos seguir adelante con este País, chicos, hay que producir. La globalización esa es una mierda, porque es deshumana. Pero sin tareas programadas y cumplidas nadie llega a un objetivo: el derecho a ser un País independiente. Nada más. Todavía no hemos alcanzado lo que hemos propuesto atingir. Pues que sí. Hay que llegar a la meta y, si posible, con la amarilla. Es decir: la alternativa es el basurero – ¿europeo?
Joan Albertí
Iluminaciones
Los mostradores de las tiendas iluminados por Navidad son espejos donde los más pequeños se reflecten. Para un catalán y un bueno Amigo que vive en Lisboa y trabaja en la delegación de una grande empresa española, los cristales son tan solo transparentes. No tienen nada a ver con espejos. Por ellos se pueden mirar juguetes para los críos como ordenadores para ciudadanos semióticos.
Hay que subrayar que muchas calles de la capital también presentan sus lámparas multicolores que las decoran con mucha gallardía y pundonor. Casi por todo el Mundo ellas lucen sus esplendores , ¿por que bulas la ciudad de Ulises no tendría derecho a luminarias como las otras? Por supuesto que sí, que las tiene y con alguno orgullo. ¿Y la crisis – donde está? ¿Pero - que tienen que ver las luces navideñas con las decoraciones navideñas? El precio, dicen. No se puede echar pasta con la situación que vivimos.
Habría que saber si serian las lámparas que ampliarían el déficit del Presupuesto. Sin embargo, no lo creo. Hay como gastarse dinero con otras cosas que no tienen que ver con estas luces. Punto.
Portugal tiene que aprender a escoger entre millones de temas aquel que me parece el realmente importante: trabajar. Si nosotros, los portugas, queremos seguir adelante con este País, chicos, hay que producir. La globalización esa es una mierda, porque es deshumana. Pero sin tareas programadas y cumplidas nadie llega a un objetivo: el derecho a ser un País independiente. Nada más. Todavía no hemos alcanzado lo que hemos propuesto atingir. Pues que sí. Hay que llegar a la meta y, si posible, con la amarilla. Es decir: la alternativa es el basurero – ¿europeo?
Joan Albertí
FILOSOBARATA
As duas ambições
Uma ambição qualquer um tem. Acarinhá-la, na esperança de que aumente, tem justificação. Cultivá-la, no bom sentido do termo, é sinónimo de que ela é correcta, pertinente e, até, justa e salutar. Se for, porem, por ciumeira ou por diletantismo puro, aí já porca torce o rabo. Um ambicioso a sério, com fundados propósitos e métodos apropriados tem carradas de razão. E um objectivo a alcançar. E a medida certa de como o fazer. E os meios correspondentes e normais. Um ambicioso de outrem – é um pervertido. Um pulha.
Em cada dia que passa, os bons ambiciosos, aos milhões e milhares de milhões e por aí fora, vão concretizando com maior ou menor regularidade o anelo que perseguem. São persistentes, não desanimam, muito menos desistem. A sua pertinácia é louvável. Muitos desses, senão todos, fazem avançar o Mundo sem necessitarem de ponto de apoio, muito menos de alavanca.
Mas aos que rói a inveja que têm do vizinho e por isso mesmo ambicionam ultrapassá-lo usando todos os meios, nomeadamente os mais negativos, para alcançarem o propósito amaldiçoado, ninguém de boa fé e princípios rectos reconhecerá o mínimo direito de o fazerem. Melhor: impedi-los-á, na medida das suas possibilidades. Para esses, confessadamente de delito comum, avançaram os Romanos com uma das muitas tiradas que ficaram na panóplia das citações Argumentum baculinum. Que o mesmo é dizer, o argumento do cacete...
A.F.
As duas ambições
Uma ambição qualquer um tem. Acarinhá-la, na esperança de que aumente, tem justificação. Cultivá-la, no bom sentido do termo, é sinónimo de que ela é correcta, pertinente e, até, justa e salutar. Se for, porem, por ciumeira ou por diletantismo puro, aí já porca torce o rabo. Um ambicioso a sério, com fundados propósitos e métodos apropriados tem carradas de razão. E um objectivo a alcançar. E a medida certa de como o fazer. E os meios correspondentes e normais. Um ambicioso de outrem – é um pervertido. Um pulha.
Em cada dia que passa, os bons ambiciosos, aos milhões e milhares de milhões e por aí fora, vão concretizando com maior ou menor regularidade o anelo que perseguem. São persistentes, não desanimam, muito menos desistem. A sua pertinácia é louvável. Muitos desses, senão todos, fazem avançar o Mundo sem necessitarem de ponto de apoio, muito menos de alavanca.
Mas aos que rói a inveja que têm do vizinho e por isso mesmo ambicionam ultrapassá-lo usando todos os meios, nomeadamente os mais negativos, para alcançarem o propósito amaldiçoado, ninguém de boa fé e princípios rectos reconhecerá o mínimo direito de o fazerem. Melhor: impedi-los-á, na medida das suas possibilidades. Para esses, confessadamente de delito comum, avançaram os Romanos com uma das muitas tiradas que ficaram na panóplia das citações Argumentum baculinum. Que o mesmo é dizer, o argumento do cacete...
A.F.
BANCADA DE TREINO
Saídas do leão...
Anúncio prévio: sou sportinguista. Donde, não esperem os leitores que o deixe de ser. Habituei-me, desde há mais de 64 anos (nasci a 20 de Setembro de 1941, podem registar para efeitos de parabéns e de prendas) a ser parcial, ainda por cima militante e em full time. Sou, portanto, leão incorrigível. Não tanto como o meu Amigo Eduardo Barroso - porque tal é materialmente impossível.
Surpreendido estou com o que a Comunicação Social regista para esta quadra natalícia sobre o que se passará (e até já passou) no grémio de Alvalade. De acordo com ela, o Sporting perderá quse meia equipa e ganhará a correspondente metade nova em Janeiro. O Pinigol (???) despediu-se. O Rogério vai fazê-lo. Silva aposenta-se no seu Brasil. Edson vai, passando por terras de Vera Cruz, para o Légia de Varsóvia.
Beto? Parece ter perdido a validade... Quem o quer? Wender? Idem, idem, aspas, aspas. E uns quantos putos da cantera? Sossegue-se. São emprestados, mas têm uma volta na ponta. E Liedson? O Levezinho continua na dúvida shakespeariana: ser ou não ser? Renovar – ou não renovar?
Rogério Brito e Carlos Freitas têm, por conseguinte, muito com que se entreter. Deverão arranjar maneira – sem pilim – de comprar uma meia dúzia, ou mais, de novos bisnetos do Visconde. Se assim não acontecer, a equipa arrisca-se a jogar com oito elementos em algumas partidas – o que seria, aliás, uma boa partida para Paulo Bento. Como remate final (já que se fala de futebol): por este andar, nem o Setúbal, meninos, nem o Setúbal. Ainda por cima, com o Chumbita...
A. F.
Saídas do leão...
Anúncio prévio: sou sportinguista. Donde, não esperem os leitores que o deixe de ser. Habituei-me, desde há mais de 64 anos (nasci a 20 de Setembro de 1941, podem registar para efeitos de parabéns e de prendas) a ser parcial, ainda por cima militante e em full time. Sou, portanto, leão incorrigível. Não tanto como o meu Amigo Eduardo Barroso - porque tal é materialmente impossível.
Surpreendido estou com o que a Comunicação Social regista para esta quadra natalícia sobre o que se passará (e até já passou) no grémio de Alvalade. De acordo com ela, o Sporting perderá quse meia equipa e ganhará a correspondente metade nova em Janeiro. O Pinigol (???) despediu-se. O Rogério vai fazê-lo. Silva aposenta-se no seu Brasil. Edson vai, passando por terras de Vera Cruz, para o Légia de Varsóvia.
Beto? Parece ter perdido a validade... Quem o quer? Wender? Idem, idem, aspas, aspas. E uns quantos putos da cantera? Sossegue-se. São emprestados, mas têm uma volta na ponta. E Liedson? O Levezinho continua na dúvida shakespeariana: ser ou não ser? Renovar – ou não renovar?
Rogério Brito e Carlos Freitas têm, por conseguinte, muito com que se entreter. Deverão arranjar maneira – sem pilim – de comprar uma meia dúzia, ou mais, de novos bisnetos do Visconde. Se assim não acontecer, a equipa arrisca-se a jogar com oito elementos em algumas partidas – o que seria, aliás, uma boa partida para Paulo Bento. Como remate final (já que se fala de futebol): por este andar, nem o Setúbal, meninos, nem o Setúbal. Ainda por cima, com o Chumbita...
A. F.
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